ARTIGO| Ayrton Baptista | LULA, SE FOR POSSÍVEL!

Ayrton Baptista
            O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser o candidato do PT à presidência da República em 2018. “Se necessário”, diz, deixando uma porta aberta para qualquer eventualidade. Ele disse ao ex-presidente uruguaio José Mujica que volta a “voar”. Vai ajudar a presidente Dilma Rousseff, a pegar a estrada e deixar as comodidades do planalto. A declaração de Mujica, muito amigo de Lula, até que coloca as coisas nos seus devidos lugares, pois prega a moderação por parte de quem conduz a política pelo Governo e manifesta a natural defesa do contraditório.
            Já o PMDB, por sua linha de frente, o vice-presidente Michel Temer mais à frente, aproveitou os momentos que a lei eleitoral lhe permite, para mostrar toda sua capacidade de presença nos mais momentos mais difíceis da política brasileira. Moderação, equilíbrio, grandeza, na expressão do presidente da legenda. E Ulisses Guimarães foi lembrado, pois em situações como a que o país atravessa, o Sr. Diretas já convidava para um café, sentado e conversado.
            Fica claro, então, diante do auto-lançamento de sua candidatura, que Lula já não mais agüentava ver o tempo passar, o PT sofrer e Dilma nada fazer. Candidato ele o é desde que deixou o seu governo. O primeiro e o segundo. Na verdade, Lula queria ser o candidato em 2014. Dilma não lhe foi simpática. Até com razão digamos, se as coisas se passaram assim como todos acreditam. Se não fosse candidata à reeleição o gesto pegaria mal para ela e para o próprio Lula, dando este, então a aparência de que colocara Dilma apenas para segurar seu lugar devido e definitivo.
            É de se notar a disposição de Lula: sempre candidato, sempre PT. Seu partido, o partido que lançou, está numa situação muito difícil. Seus principais dirigentes, líderes naturais, estão em casa ou presos, ou as duas coisas. Como, então, não deixar de se oferecer ao “sacrifício”? E fica evidente que ou Lula mostra presença agora ou também ele perde o “bonde”. O problema é que, sem Lula candidato em 2018, quem há dê? Em outras palavras: o Partido dos Trabalhadores não tem, hoje, um nome capaz de fazer as oposições tremerem.
            Por parte da oposição, ainda que se restrinja ao PSDB, o que se vê é a existência de três candidatos respeitáveis, os três que já concorreram e perderam ou para Lula ou para Dilma, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador também pelo mesmo estado, José Serra, e o ex-governador de Minas Gerais, senador Aécio Neves. Todos com experiência de Governo e de campanha. Todos reeleitos em seus pleitos. Todos capazes de realizar o sonho individual de presidir o seu país.
             Ainda que não se limite o pleito a um dos homens da oposição e Lula pelo PT, ainda que tenhamos, como temos, três anos até o auge da campanha de 2018, é difícil hoje apontar ao menos uma dupla de competidores. Nesse particular a oposição leva vantagem, pois seus três nomes têm bom currículo.
            Ayrton Baptista, jornalista.

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