Como desenvolver autocontrole na infância

Característica importante na fase
adulta, o autocontrole pode e deve ser estimulado desde os primeiros anos de
vida. Maria Tereza Oliveira, psicóloga escolar do Colégio Sion, explica que esta
atitude recebe muita influência dos exemplos que são observados no dia a dia pela
criança. “O autocontrole começa com um modelo que essa criança terá desde bebê,
tanto com os pais, com os adultos com quem ela interage, quanto na escola, na
relação que estabelece com a professora e com os coleguinhas”, afirma.
“A capacidade de tolerar,
esperar, se frustrar, dividir, se perceber não como o centro do universo, são
ferramentas essenciais para criar o autocontrole”, enumera a psicóloga. Isso
porque sua ausência leva à falta de persistência, à dificuldade para finalizar
as coisas, à impulsividade e à agitação. “A incapacidade de se controlar em um
grau acentuado é preocupante. Numa criança que se descontrola muito, é
importante estar atento. Qual o grau disso? Qual a frequência?”, questiona
Maria Tereza.
Na prática
Alguns exemplos práticos podem
ajudar pais e escola a trabalharem juntos neste processo. Nos primeiros meses
de idade a mãe começa a estabelecer uma relação com o bebê. Quando começa a
chorar, a vontade dele é ser saciado imediatamente. “Na medida em que essa mãe
vai gradativamente ajudando esse bebê a desenvolver a condição de esperar
alguns minutos, ela já planta uma sementinha que se tornará o autocontrole. Mas
às vezes a gente até antecipa a necessidade da criança, e ela fica acostumada a
ser atendida imediatamente”, conta Maria Tereza.
Com 02 ou 03 anos a criança quer
experimentar e ter acesso a situações não recomendadas. Por exemplo: a criança
quer pegar um copo de vidro. Apesar de ser uma curiosidade natural você precisa
explicar, com calma, qual o perigo de manusear um produto de vidro. Evite
gritos e reações bruscas. Com 03 anos começa a frustração ao montar um quebra
cabeças. Nesta idade é normal a criança sentir dificuldade. Aproveite para
ajudar e mostrar soluções.
A insistência em ficar horas assistindo
televisão pode ser uma ótima oportunidade para conversar. Estabeleça um limite.
Isso ajudará a criança a desenvolver perseverança e ir adquirindo
características para se tornar um adolescente e adulto com autocontrole.
Na escola
A convivência em grupo
proporciona uma série de aprendizados. “A escola é uma oportunidade,
principalmente para as crianças pequenas, experimentarem e vivenciarem as
regras sociais. Há uma série de situações que acontecem em
uma sala de aula, que reproduzem sensações que serão enfrentadas na vida
adulta, como esperar a vez na fila do banco ou se frustrar quando algo
planejado não dá certo”, revela Maria Tereza.
A escola também pode auxiliar
através do exemplo, propiciando situações onde a criança tenha que dividir e
ouvir os outros. “Em algumas situações ela deve suportar pequenas frustrações,
de acordo com a faixa etária e inerente ao seu crescimento. Outro ponto muito
importante é ensiná-los a lidar com erros. Todo mundo tem direito a errar”,
reforça.
Maria Tereza explica que nós só conseguimos planejar quando
vivenciamos a experiência de que as coisas não acontecem com um estalar de
dedos. “É interessante que nada seja entregue pronto nas mãos do filho ou
aluno, para que não crie uma falsa realidade de que tudo é fácil de adquirir”,
completa. Ela exemplifica os momentos em que uma criança pede ajuda aos pais
para fazer uma tarefa escolar. Auxiliá-la é muito importante, desde que não se
torne um hábito fazer a lição para a criança. É ela quem deve aprender realizando
os próprios exercícios. A função do adulto é de orientação.

O autocontrole, entretanto, não deve ser confundido com
reprimir sentimentos e emoções. É importante, e até mesmo necessário,
extravasar. “Extremos nunca são ideais. O ideal é o equilíbrio”, finaliza a
psicóloga.
 <joana.castro@vogg.com.br>

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