Companhia brasileira de teatro realiza pré-estreia do "projeto brasil" neste final de semana

Durante os últimos dois anos, a companhia brasileira de teatro realizou uma intensa programação de pesquisa e partiu para a estrada passando pelas cinco regiões do país com peças de seu repertório. Buscou neste caminho a troca de informações com artistas e anônimos, plateias e transeuntes, obras e vidas. Entre palcos e cenários urbanos, desviou dos estereótipos, discursos prontos e de qualquer intenção documental. Como primeiro resultado deste trabalho, chega aos palcos “projeto brasil”, um conjunto de performances criadas a partir da reflexão deste grupo de artistas que buscou  olhar para o país e se deixar afetar por visões diversas. Não se trata de um retrato documental, mas sim a reverberação artística da experiência. O espetáculo tem ensaios abertos e pré-estreia no Teatro José Maria Santos, em Curitiba, neste sábado (26) e domingo. Com direção de Marcio Abreu, traz no elenco os atores Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e o músico Felipe Storino.
 
A estreia nacional ocorrerá no Rio de Janeiro, no Espaço SESC, com temporada de 2 a 25 de outubro. Em fevereiro de 2016, a encenação retorna a Curitiba para uma temporada de três semanas, entre os dias 11 e 28. No próximo ano, a companhia também levará “projeto brasil” para  as outras quatro capitais que visitou na primeira fase do trabalho de pesquisa: Salvador, Manaus, Porto Alegre e Brasília, além de uma temporada em São Paulo. Todas as ações relacionadas ao  “projeto brasil” contam com patrocínio da Petrobras, por meio da seleção pública de manutenção de companhias de teatro.
 
A partir deste trabalho, a companhia brasileira de teatro pretende dar novos desdobramentos aos conteúdos do “projeto brasil”, com a possibilidade de partes da obra ganharem autonomia, podendo ser utilizadas como ponto de partida para outras ações e desdobrando-se em debates e encontros, por exemplo.
 
A montagem abriu novos rumos para a companhia. Ao invés de se acomodar com a linha de trabalhos de grande sucesso como “Vida”, “Esta Criança” e “Krum”, o grupo coloca em cena uma proposta diferente, recriando sua dramaturgia já muito particular, desde os ensaios até a montagem. Dialoga com a performance e afirma a convivência e a comunicação como desafio dramatúrgico.
 
A MONTAGEM
 
Num palco dominado pelo preto, uma profusão de microfones espalhados pela cena compõe uma instalação. Tudo pronto para um discurso. Ele acontece, de fato, mas não exatamente da forma mais convencional. É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o “projeto brasil”. Há momentos de falas propriamente ditas, inspirados em discursos reais, mas há também textos próprios e cenas que buscam outras possibilidades de discurso.
 
Em pauta, são tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o âmbito descartável de nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar, o lugar onde nos encontramos.  Outras questões recorrentes ao trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte, também permeiam a montagem.
 
Assumindo todos os riscos de criar um espetáculo a partir da decisão de olhar detidamente para o país, num momento como o atual, a companhia brasileira de teatro encarou esta provocação artística com o rigor técnico, intenso apreço pela pesquisa e a inquietação que lhe são particulares. Estereótipos e visão documental não são aspectos que orientam o trabalho. Com as viagens, as rotas percorridas, situações vividas, histórias e bibliografias lidas, o caminho foi aos poucos sendo construído. “Desde o começo não queríamos falar explicitamente sobre o país”, conta o diretor Marcio Abreu. “Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande”. A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.
 
O trabalho é uma criação coletiva de Marcio Abreu, Nadja Naira, Giovana Soar, Rodrigo Bolzan, Fernando Marés, Felipe Storino, Marcia Rubin e Ticiana Passos.
 
 
FICHA TÉCNICA:
 
Direção: Marcio Abreu
Elenco: Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan
Músico: Felipe Storino
Dramaturgia: Giovana Soar, Marcio Abreu, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Nadja Naira
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Iluminação: Nadja Naira
Colaboração de Iluminação: Beto Bruel
Cenografia: Fernando Marés
Figurino: Ticiana Passos
Adereços: Ticiana Passos, Fabio Rodrigues e Jussara Santos
Consultoria Vocal: Babaya
Direção de Produção e Administração: Cássia Damasceno
Produção Executiva: Isadora Flores
Estagiária de produção: Amanda Nogueira
Produção técnica: Henrique Linhares
Transcrições: Henrique Linhares
Libras: Erelisa Vieira
Cenotécnicos: Anderson Quinsler, Nietzsche, Fabiano Hoffmann
Assistentes de cenotécnica: Sergio Ventura, Ricardo Teixeira, Jimmy Paes
Serralheiro: Josiel Paris
Eletricista: Giovani Brito
Projeto Gráfico: 45JJ
Fotos de divulgação: Elenize Dezgeniski
Assessoria de Imprensa: Fabiano Camargo (FC Comunicação)
Artistas Colaboradores: Eleonora Fabião, Ranieri Gonzalez, Edson Rocha, Renata Sorrah, Cássia Damasceno
Oficinas de aprimoramento: Eleonora Fabião, Marcia Rubin, Babaya, Erelisa Vieira
Seminários: Eleonora Fabião, Mario Hélio Gomes de Lima, André Egg, Sandra Stroparo, Itaércio Rocha, Aly Muritiba.
Entrevistas e Encontros: Dona Eva Sopher, Hélio Eichbauer, Maestro Letieres Leite, Sr. Dimitri Ganzelevitch, Fabiano de Freitas e Teatro de Extremos, Favela Força, Bruno Meirinho, Ilê Ayê
Patrocínio: Petrobras
Parceria: Sesc
 
 
SERVIÇO: “projeto brasil” – pré estreia em Curitiba
 
Data: 26 e 27 de setembro de 2015
Horário: as 20h.
Classificação indicativa: 18 anos
Local: Teatro José Maria Santos
Endereço: Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco, Curitiba – PR
Fone: (41) 3324-8208
Ingressos: R$30,00 (inteira) R$15,00 (funcionários da Petrobras com crachá e clientes Petrobras com cartão), Clube do Assinante da Gazeta do Povo, associados do SATED (classe artística mediante comprovante), na compra de até 02 ingressos. (pauta@fccomunicacao.com.br)

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