Defesa Civil e setor produtivo buscam alternativas para minimizar impacto de desastres

Em 2011, o Paraná sofreu com uma das piores enchentes no litoral. O desastre natural provocou mortes e deixou desalojados, desabrigados e pessoas feridas. O setor produtivo também sofreu com a tragédia, sem acesso ao porto de Paranaguá. A interdição da BR-277 impediu o tráfego de caminhões até o porto, impossibilitando a exportação de produtos paranaenses e a importação de insumos necessários em cadeias produtivas. Após a ocorrência, o governo do Estado passou a estruturar uma unidade de atendimento a desastres, para evitar estragos nas mesmas proporções, o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped). A forma de atuação desta unidade foi apresentada nesta segunda-feira (31), na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para empresários industriais, com a proposta de desenvolvimento de parcerias com o setor privado.

“O setor produtivo sofre com estas ocorrências por diversos motivos, como a ausência do colaborador que fica impossibilitado de trabalhar, ou pelo risco inerente à própria atividade industrial durante um evento natural, ou ainda por insumos que não chegam, ou pela produção que não é entregue a seu destino por bloqueios de rodovias e outros problemas de logística em momentos de desastre”, disse o chefe de gabinete da Fiep, João Arthur Mohr.
“Queremos promover a troca de experiências entre a Defesa Civil e a comunidade científica para a redução de desastres. Mas essa parceria só fica completa com a participação da indústria, que pode trazer também suas referências de gestão de riscos, e compartilhar suas necessidades em casos de acidentes ambientais”, explicou o diretor do Ceped, Capitão Eduardo Pinheiro.
O público também assistiu à palestra do especialista em Gestão de Risco de Desastre do Banco Mundial, Frederico Pedroso, que falou sobre “Efeitos dos Desastres sobre a Indústria, a Economia e o Desenvolvimento do Estado do Paraná”. O especialista destacou o impacto dos desastres para a mudança de culturas e citou o exemplo do Tylenol. O medicamento foi envenenado em alguns pontos de venda e, para evitar novos problemas causados por consumidores, os fabricantes mudaram o sistema de fechamento de embalagem, gerando o uso de lacre em quase todos os produtos para ingestão disponíveis hoje no varejo. “É preciso pensar na economia gerada por uma ação que antecipa um grande problema”, alertou.
De acordo com o especialista, o Brasil gasta mais com desastres naturais do que a Indonésia – que está em uma área de risco de maremotos, terremotos e erupção de vulcões – porque não há planejamento preventivo de engenharia, que priorize construções em áreas livres de eventos naturais.
Segundo um levantamento do Banco Mundial, a reconstrução de áreas atingidas por eventos naturais no Brasil pode custar até R$ 8,7 bilhões por ano, com obras que demoram a ser concluídas. De acordo com a Defesa Civil, no Paraná, nos últimos 10 anos, foram gastos R$ 8 bilhões com desastres naturais.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.