Empresas se reestruturam para contratar e vender produtos e serviços à Geração Y

Apenas três em cada dez pessoas da Geração Y, nascidos entre 1980 e 2009, trabalham em tempo integral e 37,8% deles ainda estão em formação. Os dados da pesquisa realizada pela Hays Recruting revelam ainda os cinco benefícios e recompensas mais atrativas para esses jovens: horário flexível (49%), salário base (42%), plano de saúde corporativo (41%), possibilidade de trabalhar em home office (40%) e potencial para receber bônus (39%). A transição entre essa geração e os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, exige que as empresas repensem a sua estrutura e dinâmica organizacional, sem perda da produtividade.
O diretor da Senzala Corretora de Seguros, André Coutinho, diz que a oferta de benefícios se torna cada vez mais relevante para reter talentos, considerando esse cenário. “Além de incentivar a trabalhar com mais tranquilidade, muitas vezes esses benefícios são diferenciais para a tomada de decisão entre duas propostas de emprego similares”, comenta.
Coutinho diz que, além do plano de saúde, outras modalidades de seguro contratadas pelas empresas como incentivo aos funcionários são: seguro de vida e de acidentes pessoais, planos odontológicos e até mesmo previdência privada. “Esses dois últimos, inclusive, têm crescido consideravelmente nos últimos anos, trazendo garantias ao funcionário no curto e longo prazo”, comenta.
Os planos corporativos de saúde e odontológicos costumam ser pagos integralmente pelas empresas. Quando alguns deles são estendidos aos cônjuges e familiares, geralmente o funcionário tende a contribuir no custeio. Já na previdência privada, a aplicação é compartilhada entre as partes, de forma proporcional. Por exemplo, 2% do salário a empresa destina à previdência privada e o funcionário paga mensalmente outros 2%. “Nesse caso, o desconto costuma ser feito diretamente na folha de pagamento”, explica o diretor da Senzala Corretora de Seguros.
Quanto mais tempo o funcionário permanecer empregado, menor o percentual retido referente à contribuição custeada pela empresa. O montante que ele próprio aplicou acumula de forma integral, seguindo as regras e retenções de impostos de cada plano. Entretanto, se ele não cumprir o tempo mínimo para recebimento do benefício, o investimento realizado pela empresa no plano de previdência privada é revertido para o grupo de funcionários que têm a recompensa ativa.
Diante dessa realidade, Coutinho diz que os seguros voltados aos setores empresarial e corporativo registram maior número de novos produtos. “Hoje, até mesmo as pequenas empresas têm procurado esses incentivos para reter talentos. Isso garante com que elas cresçam de forma mais rápida, pois, as trocas constantes de funcionários acabam estagnando alguns setores, até que o novo funcionário seja incluído na rotina de trabalho e supra as necessidades da organização”, avalia.
Mercado imobiliário – Além de se preparar para acomodar a Geração Y a seu quadro de funcionários, as empresas precisam se reestruturar para atender esse perfil de cliente na venda de produtos e serviços. Estudo realizado pelo portal Viva Real identificou características particulares desses jovens na busca do imóvel. O uso da tecnologia é um item de destaque, já que mais da metade deles fazem a procura online ou usam aplicativos, contra 39% da Geração X (nascidos entre 1965 e 1979) e dos Baby Boomers.
Segundo a gerente da Senzala Imóveis, Augusta Coutinho Loch, atualmente, oito em cada dez clientes atendidos pela imobiliária para a compra ou locação do imóvel vêm pela Internet. Em função disso, 80% dos investimentos da empresa reservados ao marketing e comunicação são destinados a ações online, via site, redes sociais, e-mail marketing e newsletter. Há dez anos, esse montante era de 20%.
O estudo realizado pelo Viva Real mostrou ainda que 81% dos jovens da Geração Y estão em busca da casa própria e que um em cada três deles procura um imóvel para alugar. A gerente da Senzala Imóveis explica que os jovens que querem locar, muitas vezes são estudantes que estão alugando pela primeira vez e buscam um imóvel mais compacto para morar sozinho ou um de três quartos para dividir com os amigos, isso custeado pelos pais. Acima de 23 anos, quando eles estão se formando, o perfil muda um pouco, pois, muitos já estão trabalhando, alguns casando, e partem para a locação de um imóvel maior ou para a compra da casa própria.
Augusta diz que nível de conhecimento sobre os trâmites a serem realizados varia em função do tipo de intermediação (locação ou venda), da idade e renda do público. “O conhecimento em relação ao processo de locação normalmente é zero principalmente se é a primeira vez que o jovem aluga um imóvel. Quanto à compra, a maioria das pessoas tem dúvidas sobre a documentação, mas muitas vezes sabem exatamente se estão pagando um preço bom no imóvel, pois, pesquisam muito a região que desejam morar e as opções à venda”, compara.
Preço e localização são itens prioritários para a compra do imóvel pela Geração Y. A gerente da Senzala Imóveis diz que, para essa faixa etária, são mais procurados os imóveis com preço de até R$ 300 mil, com um ou dois dormitórios e uma vaga de garagem, próximos ao estudo ou trabalho. O tempo médio de fechamento do negócio é de um a dois meses.
<contato@memilia.com>

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.