IPC faz hoje balanço dos seis anos da intervenção judicial do MP-PR

O diretor do IPC (Instituto Paranaense de Cegos), Enio Rodrigues da Rosa, fará hoje balanço dos seis anos da intervenção judicial do MP-PR (Ministério Público). O evento será às 14h, na sede do instituto: Avenida Visconde de Guarapuava, 4.186, Batel. Nomeado interventor, da Rosa falará sobre as medidas tomadas para solucionar problemas de mais de 20 anos, entre eles dívidas, denúncias de desvio de verbas e de mercadorias, problemas com documentações, estrutura e atendimento inadequados e ações trabalhistas. Ele estará à disposição para atender à imprensa.
Uma das exigências do MP-PR foi a regularização da parte contábil e financeira. Em 2009, quando teve início a intervenção, havia um rombo nas contas estimado em R$ 690 mil, sendo mais da metade em dívida com Copel e Sanepar, que não eram pagas desde 2001, conforme da Rosa. “Hoje, o valor está em torno de R$ 250 mil e já foi negociado, tendo sido pago em dia. São dívidas como R$ 70 mil com o INSS, R$ 90 mil com o FGTS e R$ 50 mil em dívidas trabalhistas. Além desse montante, há um passivo de R$ 2 milhões com Copel e Sanepar que não conseguimos resolver e estamos com processo na Justiça”, conta ele.
Antes da intervenção, afirma o diretor, havia déficit mensal no instituto de R$ 14,6 mil. “Tomamos uma série de medidas, que inclui perícia nas contas, instalação de equipes para controle de gastos e de mercadorias, modernização da gestão, transparência e negociação com fornecedores, o que nos permitiu colocar a casa em ordem e sair do vermelho”, conta da Rosa. Para isso, o IPC contou com a ajuda também da ONG Asid Brasil, que presta serviço gratuito de consultoria administrativa em instituições que atendem pessoas com deficiência. “O resultado é um superávit mensal atual de R$ 10 mil, aproximadamente, dependendo da variação do fluxo”, aponta o diretor. Ainda na parte financeira e contábil, foi realizada uma perícia, cujo relatório já foi encaminhado à Justiça, e resolvidas pendências em convênio firmado com a Secretaria de Estado da Educação.
Também foram resolvidas 14 ações trabalhistas – apenas uma está na Justiça – e está em andamento a reversão da venda irregular de terrenos que pertenciam ao IPC e foram negociados pela antiga diretoria. “Foram cinco imóveis vendidos. Na época, a diretoria alegava que era para sanar dívidas e, então, doou para si mesma o terreno, mas a dívida sempre aumentava, nunca era sanada. Outros dez terrenos foram doados para terceiros. Além disso, quase perderam um imóvel no Campo Comprido, avaliado em R$ 30 milhões e que rende ao instituto R$ 30 mil de aluguel por mês. Se não houvesse a intervenção do MP-PR, iriam dilapidar o IPC”, conta da Rosa.
Com as finanças em ordem, o instituto conseguiu atender outro ponto colocado pelo MP-PR: melhorar a estrutura de atendimento a pessoa com deficiência visual. Foram investidos cerca de R$ 1 milhão nos últimos quatro anos, com recursos próprios, de emendas parlamentares, por meio da FAS (Fundação de Ação Social), convênios com órgãos públicos e parceiros privados e doações. “Investimos na Escola Osny Macedo Saldanha, na Moradia de Longa Permanência e em toda a estrutura do prédio. A primeira fase das obras será inaugurada amanhã”, adianta da Rosa.
Dessa forma, as parcerias para projetos voltaram a acontecer e os investimentos apenas no “Ver com as Mãos”, “Teatralizando a Educação” e “Ilusão Ótica – que falta nos faz a palavra” (este último em parceria com o Governo da Finlândia), chegam a R$ 300 mil, segundo o diretor. Há ainda ações com a UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a Unespar (Universidade Estadual do Paraná). “São instituições que voltaram a confiar no IPC, depois de vê-lo em ruínas, e agora nos ajudam a crescer e a mostrar uma ideia diferente sobre a pessoa cega, reafirmando que ela é cidadão de direito e também de deveres, e pode sim contribuir com a sociedade”, frisa o diretor.
O balanço apresentado hoje faz parte da programação da semana “Seis Primaveras do Novo IPC – a vida com um sentido diferente”, em alusão aos seis anos da intervenção judicial e ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro). Confira abaixo as atividades, que acontecem até a sexta-feira.
Programação
Terça-feira, dia 22 de setembro
Coquetel de inauguração da primeira fase de obras do prédio histórico e da Escola Professor Osny Macedo Saldanha
Horário: 14h30
Local: sede do IPC: Visconde de Guarapuava, 4.186, Batel.
Quarta-feira, dia 23 de setembro
– Tarde recreativa e cultural com a participação do Projeto Amigo Bicho e da Banda da Aeronáutica
Horário: 13h30 às 17h
Local: sede do IPC: Visconde de Guarapuava, 4.186, Batel.
Quinta-feira, dia 24 de setembro
– Seminário “A Lei Brasileira de Inclusão: desafios e perspectivas”, numa parceria entre o TRT-PR (Tribunal Regional do Trabalho), por meio da Comissão de Acessibilidade, do Ministério Público do Trabalho e do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
Horário: 13h
Local: auditório do TRT-PR (Tribunal Regional do Trabalho): Al. Dr. Carlos de Carvalho, 528, Centro.
Inscrições gratuitas feitas no dia do evento.
– Baile das Debutantes: alunas do IPC participarão do desfile
Horário: 19h
Local: Clube de Campo Santa Mônica: BR-116 (rodovia Régis Bittencourt), Km 6, 5.000, bairro Mauá, Colombo (PR)
Sexta-feira, dia 25 de setembro
Jantar dançante beneficente, com show de Luciene Pereira e banda
Horário: 19h
Local: Restaurante Madalosso, salão Firenze.

Os convites custam R$ 70 individual e R$ 120 casal. Crianças até 5 anos não pagam e, de 6 a 10 anos, pagam meia. Eles podem ser adquiridos antecipadamente pelo 41 3342-6690 ou na hora do evento.

Camila Castro

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