Primeiro Atlas do Coração do Brasil indica menos mortes por derrame e maior mortalidade por infarto

 O Atlas do Coração, trabalho inédito lançado ontem (dia 18) no Brasil Prevent, o evento de prevenção  paralelo ao 70° Congresso Brasileiro de Cardiologia, em Curitiba, mostra que nos últimos 10 anos caiu o total de mortes causadas por derrame e insuficiência cardíaca e aumentou o número de mortes por infarto. As doenças cardiovasculares matam 350 mil brasileiros a cada ano, ultrapassando as mortes por câncer.
         O Atlas, cujo nome oficial é do aparelho Panorama Atualizado da Mortalidade do Aparelho Circulatório no Brasil 2003-2012 é fruto de um longo estudo. “Ele tomou  por base todos os atestados de óbito de 10 anos do Brasil inteiro”, explica a diretora de pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC, Fernanda Consolim Colombo que, juntamente com o diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC, Carlos Magalhães, assina o trabalho.
23% a menos de mortes no Paraná
         O Atlas, que mostra a evolução da mortalidade cardiovascular por sexo, faixa etária e por regiões, tem como surpresa a redução das mortes no Sudeste e Sul brasileiros. Especialmente no Estado do Paraná, foi registrada queda de 23,5% de mortes devido ao coração ao longo dos últimos dez anos. No período, o índice baixou de 198,6 mortes por cem mil habitantes, em 2003, para 151,1 em 2013. “Nem todos os dados são positivos”, diz Carlos Magalhães. No mesmo período o Pará registrou aumento de 1,6% de mortes, o Rio Grande do Norte 10,8%, o Maranhão 15,6% e a Paraíba 20,5%.
Os pesquisadores agora se debruçam sobre esses números e iniciam trabalhos para verificar o que explica essa disparidade, possivelmente ligada ao IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano. “Há algumas indicações de que a maior escolaridade da população de Estados como o Paraná é fator importante para a redução das doenças cardíacas”, afirma Carlos Magalhães. Ele explica que doenças como o alto nível de colesterol e a hipertensão arterial exigem que o paciente tome remédios permanentemente, tenha ou não qualquer sintoma.
“E enquanto uma pessoa mais instruída tem grande adesão ao tratamento, não deixando de tomar a medicação, notamos que quem tem baixa escolaridade por vezes não leva tão a sério a obrigatoriedade de tomar o medicamento”, conclui o cardiologista. Mas as pesquisas agora iniciadas mostrarão quais os motivos da diferença tão grande, se obesidade, alimentação, sedentarismo ou problemas com a medicação. “Essas pesquisas são vitais para subsidiar os programas de prevenção e a política de saúde pública no Brasil”, completa.
SERVIÇO:
70º Congresso Brasileiro de Cardiologia e Museu do Coração
Local: Expotrade Convention Center
Endereço: Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel, nº 10.454 – Vila Amélia Pinhais/PR
Datas: 18 a 21 de setembro de 2015
atendimento@docpress.com.br

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.