Crianças a partir de três anos já podem ser educadas para se comportar no trânsito

Em todo o mundo, a cada quatro minutos, uma criança morre vítima do trânsito, segundo dados da Ong Criança Segura. No Brasil, de acordo com o Datasus, em 2012 foram 4.580 mortos por ano, destes, 38% são atropelamentos. Na faixa etária de 1 a 4 anos os acidentes representam 30% das mortes e 48% de 5 a 9 anos. Por isso, é importante educar as crianças neste cenário, para que compreendam a necessidade de atitudes responsáveis e que não coloquem em risco suas vidas.
Para a especialista em mobilidade da Perkons, Idaura Lobo Dias, para reduzir estes números é importante orientar as crianças sobre como se comportar quando pedestre e ocupante de veículo. “Atividades lúdicas ajudam a criança a entender, reconhecer o comportamento adequado para cada cenário e ter consciência dos limites e das capacidades que deverão desenvolver para estar no trânsito. Assim, a criança aprende brincando”, afirma a especialista, que lembra que o projeto Trânsito Ideal, possui um link com propostas de atividades para trabalhar o tema com crianças: como sinalização, as cores do semáforo, cuidados ao atravessar a rua, direções e a importância da faixa de pedestres e da cadeirinha.
Transitar é lição na escola
Em algumas escolas, trânsito também é assunto para a sala de aula. De acordo com a psicopedagoga e vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR), Esther Cristina Pereira, a conscientização sobre a importância da educação no trânsito pode ser trabalhada de forma ampla através de uma série de ações, tanto em sala de aula como em projetos extracurriculares e multidisciplinares. “As possibilidades de trabalhar o tema são infinitas. Com criatividade, os professores podem fazer com que os alunos reflitam sobre a questão por meio de jogos, filmes, leituras, teatro, atividades artísticas e até mesmo pela observação de como eles transitam pela escola, fazendo um paralelo com o trânsito das ruas. Vivenciar o tema e trabalhar com situações reais de forma lúdica torna o aprendizado muito mais prazeroso e eficaz”, sugere.
Os resultados deste trabalho, desde cedo, segundo Esther, são cidadãos conscientes de suas responsabilidades perante a sociedade, tanto no trânsito quanto fora dele. “O mais interessante é notar que eles aprendem e chamam a atenção dos adultos para a questão, alterando o comportamento da família no trânsito. Eles se tornam pequenos ‘fiscais’ e passam a observar e a ’denunciar’ as infrações cometidas pelos pais”, complementa.
Entre os projetos desenvolvidos para conscientização está o da Escola Atuação, em Curitiba. Criado há mais de 15 anos, o projeto A tua ação no trânsito, tenta mostrar aos pequenos como funciona o trânsito, através de uma série de atividades. “De forma lúdica e divertida, eles aprendem e chamam a atenção dos adultos para a questão”, explica Carolina Frizon, coordenadora pedagógica.
Os alunos maiores realizam trabalhos específicos e ouvem palestras sobre o tema. Para os menores, a escola construiu uma minicidade. Nela, triciclos assumem o papel dos carros. Com semáforos e placas de sinalização, os pequenos atuam como motoristas, pedestres e agentes de trânsito, vivenciando o tráfego como gente grande. “A maioria dos acidentes não são realmente acidentes, pois poderiam ser evitados por meio de uma mudança de comportamento. E é isso que queremos passar para os pequenos: educação e gentileza no trânsito só geram bons frutos”, afirma a coordenadora pedagógica.
Exemplo dos pais educa os filhos
O vídeo Child see. Child do, da National Association for Prevention of Child Abuse and Neglect mostra como as crianças copiam as atitudes dos pais. A campanha é um alerta para que os adultos observem seus próprios hábitos e reflitam de que forma estão influenciando os filhos.
O comportamento da criança ao transitar é influenciado não apenas pelas ações dos pais, mas também por suas relações interpessoais e condutas negativas, conforme explica a psicóloga especialista em comportamento de trânsito e diretora do departamento de crimes de trânsito e perícias da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), Julieta Arsênio. “O senso crítico que se desenvolve na criança, e que será levado para a vida toda, é moldado por emoções que ela ainda não sabe lidar de forma adequada, tornando-a insegura e fragilizada, quando não está inserida num meio familiar adequado”, diz.
A especialista salienta que a partir do terceiro ou quarto ano de vida, que é quando se forma o senso crítico de cada indivíduo, já é possível educar os pequenos para o trânsito. “As orientações dadas, devem ser sobre situações que a criança está vivenciando, não mais do que isso”, indica.
A dica da psicóloga para formar cidadãos mais conscientes é começar em casa. “Se nos comportamos adequadamente no meio em que vivemos, com certeza seremos cidadãos mais conscientes e cordiais no trânsito. Não se educa com exemplos negativos e sim com bons exemplos”, completa.
mariana@excom.com.br

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