Novo medicamento aumenta a taxa de sobrevida das pacientes com tumores malignos de colo de útero

Recentemente, a especialista em Oncologia Clínica do IOP, Dra. Rosane do Rocio Johnsson (foto), participou de um encontro científico sobre tumores femininos, em São Paulo, onde foram apresentados estudos que mostram um agente biológico associado com quimioterapia em protocolo de tratamento com principal objetivo de aumentar a taxa de sobrevida depois da recidiva e metástase para tumores de colo de útero. “A aprovação do medicamento Avastin associado à quimioterapia possibilita um grande avanço no tratamento de recidivas e metástase de pacientes portadoras de câncer de colo de útero no seu quadro mais avançado, aumentando a eficácia e as taxas de respostas da paciente”, diz a oncologista.
A segurança e a eficácia do Avastin para o tratamento de pacientes com câncer de colo do útero foram avaliadas em um estudo clínico que envolveu 452 participantes com câncer persistente, recorrente ou doença em estágio avançado. As pacientes foram aleatoriamente designadas para receber Paclitaxel e Cisplatina com ou sem Avastin ou Caclitaxel e Topotecano, com ou sem Avastin. Os resultados mostraram um aumento na sobrevida global de 16,8 meses no grupo tratado com quimioterapia em combinação com Avastin, versus 12,9 meses para o grupo que recebeu apenas quimioterapia. “O Avastin funciona interferindo com os vasos sanguíneos que alimentam o desenvolvimento de células cancerígenas. A nova indicação está aprovada para utilização em combinação com as quimioterapias”, alerta Dra. Rosane.
Ainda, “os efeitos colaterais mais comuns associados com o uso de Avastin em pacientes com câncer cervical incluem fadiga, diminuição do apetite, pressão arterial elevada (hipertensão), aumento da glicose no sangue (hiperglicemia), diminuição de magnésio no sangue (hipomagnesemia), infecção do trato urinário, dor de cabeça e diminuição do peso. As perfurações do trato gastrointestinal e as aberturas anormais entre o trato gastrointestinal e a vagina (fístula enterovaginais) também foram observadas em doentes tratados com Avastin,” diz.
O tumor de colo de útero é um dos tumores ginecológicos mais frequentes do mundo. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que foram diagnosticados 15.590 novos casos em 2014 no Brasil, sendo o terceiro tumor mais frequente entre as brasileiras, atrás do câncer de mama e do colorretal. “Devido aos altos números, é fundamental que as mulheres se preocupem com a prevenção da doença e evitem os fatores de risco”, analisa a oncologista.
A infecção genital pelo Papilomavírus Humano (HPV) é muito frequente entre o sexo feminino. O câncer de colo do útero ocorre por contaminação pelo Papilomavírus Humano (HPV). Existem duas vacinas licenciadas disponíveis para prevenir muitos tipos de HPV relacionados ao câncer do colo do útero.
   
Benefícios para pacientes de câncer de mama
A cada ano a doença atinge mais de 57 mil mulheres no Brasil, de acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), e cerca de 50% dos casos são descobertos em estágio avançado ou metastático.
Atualmente há cerca de 250 mil pessoas em todo o mundo vivendo com câncer de mama avançado, ou seja, que já se espalhou para áreas como o cérebro, ossos, pulmão ou fígado. Enquanto as pacientes com a doença em estágio inicial podem ser curadas, 3 em 10 mulheres irão desenvolver a forma avançada e permanecerão em tratamento até o final de suas vidas.
Durante o encontro também foram apresentados os avanços para tratar mulheres com câncer de mama metastático, para as pacientes que apresentam o Her2 positivo, uma das formas mais agressivas do tumor. Foi também apresentado o estudo CLEOPATRA, que tratou mulheres com câncer metastático Her2+, sem tratamento prévio da doença metastática, e alocou metade das mulheres para tratamento com Trastuzumabe e Docetaxel (o padrão internacional), ou Trastuzumabe, Docetaxel e Pertuzumabe – outro tipo de terapia anti-Her2. A análise final desse estudo, avaliando a repercussão na sobrevida das pacientes, revela que a mediana de tempo de sobrevida das mulheres que receberam o padrão de tratamento (Docetaxel e Trastuzumabe) foi de 40,8 meses. Já as mulheres que receberam também a medicação Pertuzumabe tiveram uma mediana de sobrevida de 56,5 meses. Ou seja, a adição do Pertuzumabe ao Trastuzumabe e Docetaxel proporcionou 15,7 meses a mais de vida a essas mulheres. O tratamento não trouxe aumento nas toxicidades e foi extremamente bem tolerado. Se compararmos então esses 56,5 meses de sobrevida com o tratamento somente com quimioterapia (que são apenas 22 meses de sobrevida mediana), as pacientes com câncer  de mama metastático Her2+ devem ser tratadas obrigatoriamente com uma terapia que inclui um anti-Her2,”ressalta Dra. Rosane.
Outro benefício para as mulheres é a melhoria dos diagnósticos moleculares para câncer de mama. As amostras de biópsia de tecido mamário são analisadas no laboratório para determinar a presença do câncer de mama e a que tipo pertence. Alguns testes de laboratório podem ser realizados para determinar a rapidez com que um câncer evolui e, até certo ponto, quais tratamentos são susceptíveis de serem eficazes. A oncologista do IOP ressalta a importância de conhecer o perfil molecular dos pacientes, pois o estudo detalhado possibilita que o tratamento seja mais assertivo e que cada paciente tenha um atendimento direcionado e preciso com a medicina de terapia oncológica de precisão. “Os avanços na área oncológica crescem diariamente, fazendo com que assuntos que antes eram vistos como sonhos para o futuro virem realidade com o passar dos anos. Hoje os pacientes devem acreditar que para muitos tumores existem taxas de respostas, trazendo com isso maior qualidade de vida. Espera-se que com essas novas formas de classificação da doença os médicos possam definir e individualizar o tratamento do câncer de mama”, finaliza.
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Novo medicamento aumenta a taxa de sobrevida das pacientes com tumores malignos de colo de útero persistente, recorrente ou em estágio avançado

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