O lado humano do professor, por Ademar Batista Pereira

As atuais agruras da educação brasileira
normalmente passam pelo professor. Muitos especialistas, palestrantes e
palpiteiros que opinam sobre a qualidade da educação colocam no professor a
culpa por essas mazelas. Culpam a sua má formação, acusam o desprezo com que a
sociedade acaba os tratando, acusam os professores de estarem mais focados nos
seus direitos e menos nos direitos dos alunos. Na verdade, esse é um mal que
aflinge todos os brasileiros. Afinal, somos todos um pouco médico, técnico de
futebol e professor. Nos dias atuais ainda mais, pois temos acesso ao Google e
suas infinitas informações.
Grande parte das mulheres, quando se tornam mães,
leem uma série de livros e conteúdos sobre como educar, o que fazer com as
crianças etc. Ao mandarem seu pimpolho para a escola, esperam do professor uma
super pessoa. Esperam alguém que tudo sabe, tudo entende, que não pode errar.
Em geral, o que não percebemos é que o professor
é realmente um ser especial, um tipo de pessoa que se realiza no sucesso do
outro. É uma pessoa que acredita que sua missão é mudar o mundo através da
educação das crianças. Mas precisamos lembrar também que o professor é um ser
humano normal, com medos, sonhos, dificuldades. Por  isso, é um
profissional que precisa ser reconhecido diariamente.
Por um lado, somos saudosistas como sociedade,
principalmente em relação aos professores, pois acreditamos no estudante ideal,
aquele comportado, interessado, que busca o conhecimento, mas nos esquecemos
que esses estudantes são raros. Por outro lado, precisamos aceitar que a
sociedade mudou. Os professores já não têm aquela autoridade de antigamente,
pois quem dava autoridade ao professor era o pai.
Então, o que podemos fazer diante destas
circunstâncias? Primeiro, como sociedade, trabalhar diariamente para entender
que os professores são determinantes para ajudar a dar as condições
para educar as crianças. Segundo, trazer os professores para o mesmo
lado, conhecendo o professor do filho, entendendo suas dificuldades e,
fundamentalmente, respeitando seu profissionalismo e dedicação.
Como professor, eles precisam encontrar sentido
para sua vida, e o sentido está em pensar primeiro nos alunos, em segundo nos
alunos, e somente ao final, se sobrar tempo, pensar nas coisas pessoais. Pelo
menos é assim que o verdadeiro professor funciona. Os que não se encontrarem ou
não concordarem comigo, certamente estão na profissão errada, se não mudarem,
viverão infelizes, desrespeitados, e aguardado a aposentadoria para continuar
infeliz.

Ademar Batista Pereira é empresário e educador. Diretor da FENEP
(Federação das Nacional das Escolas Particulares).

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