Tendências 2016: Como dar prioridade ao ônibus?

O terceiro painel no evento Tendências 2016, realizado pela Fepasc na Casa do Cliente Volvo, debateu o ambiente político, as estratégicas governamentais e o custeio dos transportes públicos. O diretor da WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Luiz Antônio Lindau, destacou que as cidades registram cada vez mais congestionamentos, o que acaba aumentando a necessidade da frota de ônibus, elevando o custo do sistema de transporte e, por consequência, afastando usuários. “Precisamos tirar os ônibus dos congestionamentos”, afirmou ele.

Lindau citou duas medidas que poderiam ajudar nesse sentido. A primeira é restringir o espaço destinado a estacionamentos nos centros urbanos e a segunda, implementar o pedágio urbano. “Essa é uma medida impopular, pois foi vendida com esse nome de pedágio urbano. O melhor nome seria ‘taxação do congestionamento’”, disse ele.

Por sua vez, o advogado Daniel Nogueira afirmou que a tributação da gasolina para financiar o transporte público seria importante, mas nunca vai acontecer. “É politicamente inviável.” De acordo com ele, o que funciona é a ajuda dos governos estaduais para desonerar o ICMS do diesel e a implementação de subsídios do Orçamento para o sistema de transporte.

O presidente da Fepasc, Felipe Gulin, lembrou a questão das gratuidades, pois, se alguém não paga a tarifa, outra pessoa está pagando. “É preciso rever esse modelo.” Ele disse, ainda que havia uma esperança de que o processo de licitação resolveria os problema do sistema de transporte. “Infelizmente, os contratos não são respeitados e as empresas enfrentam dificuldades por causa da falta do equilíbrio econômico e financeiro.” 

Nesse sentido, o advogado André Cardoso disse que o marco regulatório do setor é importante. “É necessário um regulamento dos contratos e um regulamento dos serviços, e isso tem de ser seguido.” Por fim, o inspetor Denis Cogitzki, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), destacou a atuação da corporação na fiscalização das leis de trânsito. “Não apenas multamos, mas também realizamos várias ações de educação no trânsito.”

Tendências 2016
O objetivo do evento, que contou com a participação do ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, e executivos do setor de transportes, foi debater o atual momento econômico e político do Brasil e o futuro dos negócios. Durante todo o dia, foram discutidos diversos temas com os mais de 100 participantes – entre eles empresários do setor de transportes e autoridades.
Além disso, o encontro apresentou novos horizontes e uma previsão do cenário econômico do próximo ano, mostrando alternativas de financiamentos e custeios dos transportes públicos. 

A Fepasc
A união de 10 sindicatos patronais forma a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina, a Fepasc. Representando aproximadamente cem empresas de transporte, a Fepasc abrange vários segmentos: rodoviário urbano, metropolitano, intermunicipal, interestadual e de fretamento e turismo. Por representar um número expressivo de empresas, a Fepasc possui uma cadeira no Conselho de Representantes da Confederação Nacional do Transporte, com isso as demandas do Paraná e de Santa Catarina são expostas e representadas em âmbito nacional. Atualmente a Fepasc é Presidida por Felipe Busnardo Gulin, que assumiu em janeiro de 2015.

Central Press

Felipe Gulin (Crédito: Divulgação Priscilla Fiedler)

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