Tendências 2016: Para Mailson da Nóbrega, não é hora de desistir do Brasil

A palestra do ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, foi o auge do evento “Tendências 2016”, promovido pela Fepasc (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina). Para o economista, não é hora de fugir do Brasil. “Há esperanças. A situação vai melhorar, pois temos hoje muitas vantagens em relação a crises anteriores”, argumentou.

Segundo ele, o Brasil atual é uma sociedade de classe média, tem uma imprensa livre e independente, reservas internacionais, matéria-prima abundante, agronegócio muito competitivo, entre outras vantagens, como o câmbio flutuante. “Mesmo sendo o terceiro pior governo da história, atrás apenas de Floriano Peixoto e Fernando Collor, a gestão Dilma tem chance de se recuperar por todos esses pontos. Mas vai demorar pelo menos uns dois anos. Ou seja, no final do governo, se ela permanecer no poder”, avaliou.

O ex-ministro fez questão de ressaltar que é contra o impeachment: “um presidente só deve ser tirado do poder por uma falha muito grave, o que não é o caso do atual governo. Além disso, um processo assim imobiliza o País e tira o foco das principais discussões”. 

Ele lembrou que, para sair dessa crise, que projeta queda de 3% do PIB, “ou mais”, em 2015, e de pelo menos 1% e 2016, é necessário implementar logo um plano de ação. “Aliás, desde 1932 não tínhamos dois anos consecutivos de recessão. Resultado de pura incompetência de gestão econômica. A crise internacional interferiu muito pouco”, opinou.

Segundo ele, para o Brasil voltar a crescer é indispensável investir em tecnologia, qualificação de mão de obra e produtividade (educação, ambiente de negócios, inovação e logística). “A produtividade é o motor do crescimento e o principal desafio do Brasil. Nos últimos 70 anos, 80% do crescimento da economia americana se deve à produtividade. Por isso, é imprescindível se desenvolver nesse quesito”, destacou.

Ao contrário, o Brasil tem declínio de produtividade: “o único setor que está bem é o agronegócio brasileiro, que é competitivo no mundo todo. Mas o economista alertou que não é possível ganhar produtividade da noite para o dia. “É um conjunto amplo, como reforma tributária e legislação trabalhista. Mas isso demanda tempo, mobilização da sociedade e articulação política, coisa que o governo Dilma não tem”, ressaltou.

O ex-ministro não poupou críticas ao Partido dos Trabalhadores durante a conversa com os empresários do setor de transportes. “O PT destruiu muitas instituições, como as agências reguladoras e instituições que privilegiam a democracia e a alternância de poder”, criticou. 

Por fim, ele lembrou que o Brasil sempre saiu mais forte das crises. “No fim, apesar do impacto e do prejuízo, colhemos transformações positivas para o futuro do País. E as instituições de ensino têm papel fundamental nesse processo, fomentando ideias e implementando as mudanças”, finalizou.

O presidente da Fepasc, Felipe Busnardo Gulin, fez um balanço positivo do evento. Além da abordagem macroeconômica feita pela ex-ministro, o “Tendências 2016” contou com debates sobre a indústria, novas tecnologias, marco regulatório, questões legais, situação financeira do setor, entre outros temas. “Acredito que a nossa meta de discutir o setor de transporte de passageiros de forma abrangente foi atingida. Saímos do evento com o sentimento de missão cumprida”, comemorou.

MACROECONOMIA
O cenário macroeconômico foi o tema do último painel do evento “Tendências 2016”. O diretor comercial do Banco Volvo, Valter Viapiana, disse que, atualmente, há grande dificuldade em obter linhas de crédito. “Existem poucas opções de financiamento para o setor de transporte de passageiros, com uma taxação muito elevada, que desestimula o setor”, lamentou.
Já o reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) precisa crescer mais que o crescimento populacional. “A produtividade é a palavra-chave dessa questão. Temos de aumentá-la”, reforçou.
Marcus Vinícius Gonçalves, da KPMG, lembrou dos problemas internos do Brasil que impedem o País de crescer. “Num dia, o governo diz que vai fazer o ajuste fiscal; no outro, os próprios integrantes do partido que está no poder se colocam contrários ao ajuste”. Para ele, isso causa incerteza que afeta a confiança dos empresários para investir.

A Fepasc
A união de 10 sindicatos patronais forma a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina, a Fepasc. Representando aproximadamente cem empresas de transporte, a entidade abrange vários segmentos: rodoviário, urbano, metropolitano, intermunicipal, interestadual e de fretamento e turismo. Por representar um número expressivo de empresas, a Fepasc possui uma cadeira no Conselho de Representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Com isso, as demandas do Paraná e de Santa Catarina são expostas e representadas em âmbito nacional. Atualmente, a Fepasc é presidida por Felipe Busnardo Gulin, que assumiu a instituição em janeiro de 2015.

Central Press


Mailson da Nóbrega (Crédito: Divulgação Priscilla Fiedler)

José Pio Martins (Crédito: Divulgação Priscilla Fiedler)

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