Visita a Aldeia Indígena dá início a Curso de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena da Uninter

No Brasil, mais de cem constelações foram catalogadas por indígenas da família Tupi-Guarani, enquanto na astronomia ocidental (oficial) são apenas 88. Isso mostra o olhar especial que os indígenas têm do universo e da natureza. Devido à falta de apoio, informações importantes como essas podem se perder em uma ou duas gerações. Esse risco ocorre pelo rápido processo de globalização e pelas dificuldades em documentar e disseminar os conhecimentos dos indígenas brasileiros.
Para marcar o início do curso de História e Cultura Afro-brasileira Indígena na grade curricular da Escola Superior de Educação do Grupo Uninter, a diretora Dinamara Machado promove, no dia 20/10, uma visitação a uma aldeia em Piraquara, com o objetivo de entender como os indígenas decifram os mistérios da natureza. Participam da ação 45 alunos, coordenadores e professores.
A Luz da Via Láctea (Tapi’i Rapé)
Em comemoração ao Ano Internacional da Luz, o objetivo deste curso é mostrar como os Tupi-Guarani utilizam a luz da Via Láctea (Tapi’i Rapé, em Guarani) para imaginar suas constelações, que servem como calendário e orientação geográfica, regulando seus rituais e o cotidiano. Sem telescópio, torres de análise ou bússolas, baseados em suas próprias experiências, eles observam o universo e se orientam pelos astros e estrelas para entender de que modo suas posições no céu podem guiá-los. Dessa maneira, os indígenas conseguem desvendar mistérios que surpreendem até os astrônomos. Para Germano Afonso, Doutor em Astronomia e Coordenador do curso de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena da Uninter, há constelações mais e menos importantes, que indicam vários fenômenos que ocorrem na natureza. “Os índios se orientam pelas estrelas, podem prever as chuvas ou até mesmo o aumento da presença de insetos”.
Programação
No dia 19/10, às 14h, será realizada uma oficina de Astronomia Indígena, com filmes sobre a Via Láctea. O curso de extensão gratuito vai preparar os participantes com informações básicas sobre a cosmovisão indígena e a relação deles com a natureza, o Sol, a Lua e suas constelações.
No dia 20/10, uma equipe de 45 alunos, seus professores e coordenadores sairão às 13h30, do Edifício Garcez para o Planetário Indígena do Parque Newton Freire Maia, em Pinhais.  Na sequência, às 18h, esse grupo chega a uma aldeia em Piraquara, para a observação noturna das constelações, demonstração de um ritual indígena e entrega de doações de roupas e alimentos.
Para a melhor visualização das constelações formadas por das manchas claras e escuras da Via Láctea, os participantes, incluindo os indígenas, utilizarão um programa para óculos 3D, de realidade virtual, com imersão, desenvolvido por Yuri Berri Afonso, mestrando do Curso de Educação e Novas Tecnologias da Uninter.

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