Brasil tem mais de 2 milhões de pessoas que não sabem que estão contaminadas pela hepatite C

Até o início dos anos 1990, o Brasil não tinha exames que detectavam a hepatite C e com isso, a doença se espalhou vertiginosamente, tanto pela transfusão de sangue como pelo uso de drogas injetáveis e em pacientes que realizavam hemodiálise. Como se trata de uma patologia que age de maneira silenciosa, a Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH) estima que mais de 2 milhões de brasileiros convivam com ela sem saber.

Para promover o acesso ao tratamento – oferecido gratuitamente pelo governo brasileiro por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) –, a ABPH faz testes gratuitos para detectar e curar a doença, que se não tratada pode levar à morte.

“Queremos aproveitar a ação para difundir informações sobre a hepatite C, que atualmente mata mais pessoas no Brasil do que o vírus da Aids”, afirma o médico hepatologista da ABPH, Rogério Alves. Segundo ele, a falta de informação e o desconhecimento sobre a doença faz com que milhares de brasileiros convivam anos com ela até aparecerem os primeiros sintomas. “O problema é que quando surgem esses sintomas o fígado normalmente já está comprometido”, alerta.

Para contribuir com a disseminação de informações sobre a hepatite C, a ABPH também realiza diariamente testes e exames complementares gratuitos em clínicas instaladas nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Somente neste ano foram realizados cerca de 96 mil testes que identificaram mais de 1 mil portadores da doença no Brasil. A meta é chegar a 3 milhões de testes e identificar 45 mil portadores nos próximos 3 anos.

O teste para saber se a pessoa tem hepatite C é bem simples, feito a partir de uma picadinha no dedo e é recomendado para pessoas com idade acima dos 40 anos. Se o resultado for reagente é preciso realizar exames complementares para iniciar o tratamento, feito por meio de medicamentos via oral e disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde.

A próxima etapa de testes acontece amanhã, dia 19/11, no Comitê Olímpico Brasileiro – COB, onde a ABPH disponibilizará mais de 500 testes para os colaboradores no Rio de Janeiro.

<marina.marchi@ogilvy.com>

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