Endocrinologista explica como deve ser o consumo de açúcar para diabéticos

O número de casos de diabetes só cresce no Brasil, principalmente em grandes centros urbanos. Estima-se que 12 milhões de brasileiros têm a doença¹, mas somente metade é diagnosticada. E o futuro é ainda mais preocupante. A previsão é que cerca de 19,2 milhões de pessoas tenham diabetes até 2035². E, enquanto a enfermidade avança, as dúvidas também aumentam, principalmente quando o assunto é a alimentação.
Entre mitos e verdades, o cardápio ideal do paciente com diabetes só poderá ser determinado pelo especialista ou nutricionista que acompanha o caso. Isso porque é uma doença com características particulares e o que é possível ingerir deve estar alinhado ao estilo de vida e rotina de cada pessoa. Porém, é preciso lembrar que qualquer indivíduo precisa de todos os nutrientes para o bom funcionamento do organismo e mesmo quem tem diabetes pode consumir de tudo, desde que com orientação médica e com equilíbrio.
Em suas diretrizes, a Sociedade Brasileira de Diabetes3 (SBD) aponta que a sacarose não aumenta mais a glicemia do que outros carboidratos, quando ingerida em quantidades equivalentes. Dessa forma, seu consumo pode ser inserido no contexto de uma dieta saudável.
Ainda segundo a SBD3, os carboidratos, entre eles os doces, são fontes importantes de energia, e contribuem com a palatabilidade da dieta; e há estudos comprovando que este grupo alimentar pode melhorar a sensibilidade à insulina.
“O carboidrato é o que mais gera dúvida quando o assunto é alimentação de um paciente com diabetes. Ele pode e deve comer esse nutriente, mas quem vai determinar a rigidez do controle é o nutricionista ou o especialista. Por isso, o acompanhamento médico é essencial quando se trata desta doença”, explica o Dr. Marcio Mancini, endocrinologista e responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP.
De acordo com o endocrinologista, em geral, a quantidade do consumo de açúcar para um diabético é de até 30 gramas por porção. “Sempre lembro que não adianta olhar para um alimento isoladamente. Uma pessoa não vai pegar uma quantidade de açúcar de mesa e comê-lo de colher. Ele é inserido no contexto de uma refeição mista e será absorvido pelo organismo junto com vários outros nutrientes ao mesmo tempo”, diz Mancini.
O especialista ainda salienta que outros alimentos, além do açúcar, também são fontes de carboidratos simples como, por exemplo, pães, chocolate, arroz e massas; ou complexos, como cereais integrais, lentilha e frutas que, por sua vez, são digeridos mais lentamente pelo organismo. Nesse sentido, ele orienta que o paciente deve estar mais atento à carga glicêmica, que é a quantidade de carboidrato ingerido, do que ao índice glicêmico, que é a velocidade com que o açúcar proveniente do carboidrato alcança a corrente sanguínea.
“Não é porque o carboidrato complexo demora mais para ser digerido que será necessariamente a melhor opção para o diabético. Um alimento rico em carboidrato complexo que tem maior quantidade de fibras, ingerido em grande quantidade pode atenuar o índice glicêmico, mas será pior do que ingerir um carboidrato simples em quantidade menor. A conclusão é que o paciente deve ter uma vida normal, se alimentando de todos os nutrientes e buscando o equilíbrio alimentar”, finaliza o Dr. Mancini. A recomendação para ingestão de carboidratos totais é de 45 a 60% do valor energético total (VET) diário (e não menos do que 130 gramas por dia) e de sacarose, de até 10% do VET.

 

Você sabe o que é diabetes?
A doença acontece quando o pâncreas não tem a capacidade de produzir insulina ou, se produz, ela funciona de forma ineficiente, o que é chamado de resistência à insulina. A alteração da insulina, seja na produção, seja na função, causa aumento de glicemia, que é a quantidade de açúcar no sangue. A insulina é o hormônio que transporta a glicose do sangue absorvida na alimentação à célula.
Existem alguns tipos de diabetes:
Tipo 1 – Normalmente, é diagnosticado entre a infância e a adolescência. É autoimune na maioria dos casos. As células beta do pâncreas responsáveis pela produção de insulina são destruídas. O tratamento é feito com a promoção de hábitos saudáveis e com administração de insulina.
Tipo 2 – Corresponde a 90% dos casos da doença em que pontua a insuficiência ou resistência à insulina. É mais comum em adultos com excesso de peso ou obesidade, mas não exclui a possibilidade de apresentar-se em crianças e adolescentes. Normalmente, há outros casos de diabetes na família. Pode ser controlado com mudança de hábitos ou com o uso de medicamentos orais ou injetáveis.
Gestacional – A mulher passa por uma série de mudanças hormonais durante o período da gravidez. Entre elas, o aumento da progesterona, que pode predispor ao desenvolvimento de diabetes principalmente quando houver predisposição familiar e aumento excessivo de peso. O diabetes pode persistir ou melhorar depois da gestação.
Referências bibliográficas
¹ – International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas update pôster, 6th edn. Brussels, Belgium. 2014.
² – International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas, 6th edn. Brussels, Belgium. 2014.
– Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2014-2015/Sociedade Brasileira de Diabetes ; [organização José EgidioPaulo de Oliveira, Sérgio Vencio]. –São Paulo: AC Farmacêutica, 2015.: http://www.diabetes.org.br/images/2015/area-restrita/diretrizes-sbd-2015.pdf
Sobre a campanha Doce Equilíbrio:
A Campanha Doce Equilíbrio, é uma iniciativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e tem como objetivo promover a informação sobre o equilíbrio na alimentação e estilo de vida. Equalizando o debate sobre o açúcar como componente que pode e deve fazer parte de uma vida saudável, a campanha visa o bem-estar da sociedade. Nas plataformas de blog (http://www.campanhadoceequilibrio.com.br/), Facebook (www.facebook.com/campanhadoceequilibrio) e Instagram (http://instagram.com/campanhadoceequilibrio), o público pode acompanhar e participar interativamente dos conteúdos relacionados ao universo do açúcar. O projeto conta ainda com o apoio da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG), do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (SIFAEG), e do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool do Estado da Paraíba (SINDALCOOL).

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