Produtividade é receita para aumentar satisfação no trabalho, diz Morieux

Um dos principais erros dos executivos, segundo o francês Yves Morieux, sócio e gestor do Boston Consulting Group (BCG), é estudar as melhores práticas do mercado e tentar implantá-las em suas organizações. “As melhores práticas já estão obsoletas”, diz ele, durante a HSM ExpoManagement, em São Paulo (SP), onde acaba de lançar o livro “Seis Regras Simples – como gerenciar a complexidade sem se complicar”.

Para Mourieux, o desafio é olhar para as próximas práticas, ver o que está por vir. E isso é cada vez mais complexo. “Quanto Porter começou a influenciar os gestores, na década de 70, as empresas tinham duas opções: preço ou diferenciação. Hoje, os consumidores exigem custo baixo, qualidade alta e ainda customização”, afirmou o francês, atribuindo à organização matricial a responsabilidade pela complexidade dos negócios. “Tentamos lidar com a nova complexidade dos negócios nos tornando mais complicados. Agregamos uma complexidade comercial sobre a complexidade estrutural”.

O maior problema, segundo Morieux, é que quanto mais a complexidade dos negócios aumenta, mais cai a produtividade. Por isso, ele liderou um estudo para entender por que os trabalhadores não estão dando o máximo de si, por que não estão satisfeitos no trabalho, mesmo com tanto investimento em motivação, treinamento, engajamento, empowerment, etc.

A crise do trabalho é, para o autor, decorrente de um desengajamento ativo – pessoas que trabalham contra os interesses da empresa e, além de serem desengajados, acabam desengajando os colegas. Essas pessoas representam um em cada cinco trabalhadores nos Estados Unidos e um em cada quatro na França. O estudo revelou o ciclo vicioso entre produtividade (a causa-raiz, segundo Morieux) e satisfação do trabalhador: a baixa produtividade compromete diretamente a satisfação no trabalho. “Quanto mais engajadas as pessoas estão, mais produtivas elas são – e quanto mais produtivas, mais motivação, satisfação e engajamento”, revelou.

Mas como tornar as pessoas mais produtivas? De acordo com Morieux, os gestores gastam 45% do tempo redigindo relatórios e 30% do tempo em reuniões. “Na melhor das hipóteses, sobra 30% do tempo para gerir as equipes”, afirmou. Ou seja, com entre 60% e 80% do tempo desperdiçado em atividades que agregam cada vez menos valor, o gestor vai presenciar cada vez mais retrabalho, menos propósito, menos produtividade , menos engajamento e menos satisfação. “O pior é que os gestores acham que o problema são os funcionários e, nesses casos, eles estariam comproblemas se estivessem motivados”, explica.

Para o autor, a única solução é criar organizações que usem melhor a inteligência dos recursos humanos. Para isso, Morieux definiu três multiplicadores de inteligência:

1o Liderança – os valores que os gestores trazem para a equipe. “Quando os gestores não agregam valor, eles deduzem valor. Aí é melhor tirar os gestores. O principal papel do gestor é fazer as pessoas fazerem o que elas não fariam espontaneamente”.

2o Cooperação – o valor que uma equipe agrega à outra, dentro da organização. “Isso não significa acrescentar interfaces. A cooperação é imensurável e, por isso, é o mais crítico dos multiplicadores. É quando o todo vale mais que a soma das partes. A cooperação multiplica a força da ação. Quando a equipe não coopera, a organização precisa de mais recursos. Cooperação pode significar atrito, confronto, conflito. Isso degrada o desempenho individual para fazer uma grande diferença no desempenho dos outros. Empresa que mede o desempenho individual não promove a cooperação. Cooperação é diferente de compliance – na primeira, há comprometimento com o resultado do time, na outra, o trabalhador se limita em fazer a sua parte.”

3o Engajamento – o valor que as pessoas agregam quando executam suas funções.

O HSM ExpoManagement é o maior evento de gestão da América Latina, que acontece de 9 a 11 de novembro, no Transamérica ExpoCenter, em São Paulo (SP). Com 150 horas de conteúdo em mais de 120 sessões e 16 mil participantes, o evento traz aoBrasil pensadores de maior repercussão na atualidade, como Malcom Gladwell,Clayton Christensen, Dan Ariely, Daniel Goleman, Ellen Langer, Eric Ries, Marc Goodman, Paul Krugman e Abilio Diniz. No evento, a Posigraf convida os participantes a conhecerem o sistema de Geomarketing que vem utilizando como diferencial para empresas do varejo. A ferramenta auxilia a detectar nichos de mercado e pontos de presença e influência dos estabelecimentos – o que colabora para a definição de metas de vendas e a atratividade de consumo no varejo.


Sobre a Posigraf
Atuando há mais de 40 anos no mercado, a Posigraf, gráfica do Grupo Positivo, é uma das maiores gráficas da América Latina. Instalada em uma área de 50 mil m2, a companhia tem um centro de distribuição em São Paulo, representações em todo o Brasil e Mercosul e atende clientes nos Estados Unidos, Japão e Europa. Seuportfólio de serviços compreende a produção de livros didáticos e publicações especiais, tabloides e materiais promocionais, além de revistas e periódicos.


Fonte: Central Press (www.centralpress.com.br)


Yves Morieux, sócio e diretor do Boston Consulting Group (BCG) (Crédito: @_openspace_)


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