Queda de 7% do preço de imóveis em um ano favorece compra de usado

Segundo pesquisa divulgada na última semana pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço dos imóveis subiu menos que a inflação entre novembro de 2014 e outubro de 2015. A queda foi de 7% e já é a décima vez consecutiva que a variação do índice foi inferior à inflação na mesma base de comparação.
No acumulado do ano, os preços dos imóveis pelo índice FipeZap – que acompanha os valores em 20 cidades – subiram 2,16%, enquanto a inflação esperada para o período, de acordo com o IPCA, é de 9,89%. O indicador registrou queda de preço em 8 das 20 cidades pesquisadas: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Florianópolis, Niterói e Contagem. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio Delfino, este cenário pode sinaliza que pode ser um bom momento para adquirir um imóvel.
De acordo com a análise do especialista, além da queda real de preços (considerando a inflação), como o crédito imobiliário está mais caro e restrito, comprar ou trocar de imóvel agora pode ser uma boa alternativa. “Especialmente para quem pode pagar pelo menos a metade do valor à vista”, completa Delfino.
Embora a expectativa para o próximo ano ainda seja de queda no preço real, os vendedores têm concedido descontos extras, fazendo com que o preço fique abaixo da avaliação do mercado, como observa o presidente da ABMH. “Além disso, como existem várias unidades à venda, o comprador tem maior poder de escolha, podendo optar por uma unidade que vá lhe trazer maior comodidade e conforto”, acrescenta.
Aliado a este fato, Lúcio Delfino acrescenta outras vantagens em se optar agora pelo imóvel usado. “Como a Caixa Econômica Federal (que detém 67,7% da carteira de financiamentos imobiliários no Brasil) reduziu o percentual máximo de financiamento de imóveis usados (para 50% no Sistema Financeiro da Habitação – SFH e 40% no Sistema Financeiro Imobiliário – SFI), optar por uma unidade que não seja nova pode ser uma boa opção, desde que se tome alguns cuidados.”
No que se refere à entrada, é bom lembrar que o pagamento pode ser feito utilizando o imóvel que o comprador já possui, usando o FGTS ou com recursos próprios. “Observadas estas considerações, é importante ressaltar que a compra de um imóvel, em geral, não representa somente um investimento financeiro, pois se trata da moradia de uma família; isso também precisa ser levado em consideração. Além disso, o imóvel é um investimento sólido, que, a longo prazo, sempre se valoriza e que pode ser vendido ou alugado a qualquer momento”, finaliza Lúcio Delfino.
Fique atento ao fechar o negócio!
Com relação à documentação, é preciso verificar:
  • a documentos pessoais de todos os proprietários; ou, quando se tratar de pessoa jurídica, o contrato social e última alteração contratual, acompanhados da certidão simplificada atualizada expedida pelo órgão onde a empresa estiver registrada (validade 30 dias).
  • quando o vendedor é pessoa física, certidão(ões) de casamento ou nascimento atualizada(s) de todos os proprietários (validade 90 dias).
  • certidões negativas de ações (ou feitos) ajuizadas, expedidas pela Justiça Comum (Estadual), Justiça Federal e Justiça do Trabalho, em nome de todos os proprietários (validade 30 dias).
  • certidão de matrícula do imóvel, com ônus e ações, expedida pelo cartório de registro de imóveis (validade 30 dias).
  • a certidão negativa de débitos junto ao Município (principalmente IPTU), obtida junto à Secretaria Municipal de Tributação (validade 30 dias).
  • declaração de inexistência de débitos condominiais, quando o imóvel for o caso, expedida pelo síndico do condomínio, acompanhada da ata que o elegeu devidamente registrada (validade 30 dias).
  • declaração de inexistência de débitos junto às companhias de gás, energia e água (validade 30 dias).
Além disso, antes de fechar o negócio…
  • conheça bem o imóvel antes de assinar o contrato, visitando-o em horários diferentes do dia, para conhecer a realidade do local, tais como a segurança e a vizinhança; pergunte sobre odores, desapropriações, vazamentos, desabamentos e inundações; considere a posição do imóvel em relação ao sol, e como você se sentiu nele.
  • Verifique quais serão as despesas extras. Além do preço do imóvel, o comprador deve lembrar que terá gastos com mudança, despesas com instalações elétrica e hidráulica ao, eventual compra de móveis e eletrodomésticos, decoração, tributos, custas cartorárias, entre outros. No caso do imóvel usado, é comum que necessite de reformas antes de receber os novos moradores. Por isso, é importante fazer uma avaliação prévia do custo dessas intervenções contando com a ajuda de um profissional habilitado. Embora pareça só um detalhe, é necessário colocar tudo isso na ponta da caneta antes de assinar o contrato, evitando surpresas desagradáveis e, até mesmo, a inviabilidade do negócio.
  • com relação à parte burocrática, recorra à consultoria de um especialista, que deverá analisar toda a documentação e, em especial, os contratos a serem firmados com o vendedor e com o agente financeiro (se for o caso de financiamento). 
Sobre a ABMH – Idealizada 1999 e mantida por mutuários, a Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem como objetivo difundir as formas de defesa de quem compra imóveis, em juízo ou fora dele, com o efetivo cumprimento dos dispositivos legais. Atualmente, a Associação possui representações em 13 estados, além do Distrito Federal e presta consultoria jurídica gratuita.
 <junialeticia6@gmail.com>

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