ARTIGO / Como lidar com a frustração da reprovação / José Ivair Motta Filho*

As festividades do fim do ano parecem não ter a mesma magia para quem não atingiu o sucesso esperado nos estudos. A reprovação – seja no Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou no vestibular – vem sempre acompanhada do sentimento de frustração. A adrenalina e outros hormônios liberados nessas situações podem induzir o estudante ou os próprios pais a agirem por impulso e procurar uma forma de recusar, fugir, transferir, mascarar, adiar ou esconder o problema. Por padrão, aprendemos que devemos evitar de qualquer forma as variações do “volte uma casa”.

Terceirizar a culpa pela derrota, culpando alguém ou algum fator externo não é uma boa escolha para tentar tirar dos ombros o peso do erro. A estratégia pode ser útil para aliviar a pressão, mas dificilmente resolverá o problema. O melhor caminho é aceitar o fracasso como apenas mais um degrau para o sucesso. Afinal, aprendemos muito mais com nossos erros que com os acertos. Mas, para isso, precisamos aceitar a derrota e entender onde falhamos.

Errar é o que nos faz humano. Apesar da dor, o momento em que se reconhece o fracasso é libertador. Só depois de entender os erros é possível ver o que deveria ter sido feito e como investir em novas ideias de uma forma diferente. Não se trata de celebrar a derrota, porque obviamente ninguém gosta de errar, mas aceitar que até as falhas possuem seu lado positivo e saber tirar lições das adversidades. Henry Ford foi à falência cinco vezes antes de construir uma fábrica moderna e um carro simples, acessível e fácil de usar, tornando-se um sucesso em vendas. Albert Einstein foi reprovado no primeiro vestibular. A história de Harry Potter, de J. K. Rowling, foi recusada por dezenas de editoras e demorou sete anos para ser publicada.

Antes de ficar para a história com um homem de sucesso, Steve Jobs, o fundador da Apple, desistiu da escola e foi afastado da própria empresa. Aos 30 anos estava devastado, mas considerou a queda como aprendizado e, por isso, mudou sua forma de agir e entrou num dos períodos mais criativos da sua vida. Regressou à Apple e, sob sua orientação, a empresa criou vários produtos icônicos, como o iPod, o iPhone e o iPad, entrando no período de maior ascensão da companhia. O que diferencia os vencedores é a atitude positiva diante de suas derrotas. O medo de errar afeta negativamente os estudantes por toda a vida escolar. E é exatamente esse mesmo medo que pode nos impedir de fracassar que nos distancia do sucesso. Crianças e adolescentes que não aceitam os erros possuem menor disposição a assumir riscos – e, sem riscos, dificilmente há grandes conquistas.

Um ano cursado novamente não é um ano perdido. É mais uma chance de alcançar o próximo degrau com o máximo de aproveitamento. A repetência é um mecanismo que impede que alguém sem os requisitos necessários mude de etapa – e é importante entender que cada um tem o seu tempo. De que adianta passar no vestibular e entrar numa faculdade de engenharia sem entender de Matemática? Afinal, é melhor ser repetente na escola que reprovado pela sociedade, pelo mercado de trabalho e pela vida.

* José Ivair Motta Filho é professor de Física do Ensino Médio no Colégio Positivo e de Cálculo Diferencial e Integral das Engenharias na Universidade Positivo.

CENTRALPRESS

1 Comentário

  1. Procurei algo para ler e aliviar meu coração que sofre com a reprovação de ano do meu filho. Li e reli vários artigos. Nada me conformava. Graças a Deus eu li este artigo de José Ivair Motta Filho. Não sou uma mãe exemplar. Mas acompanhava os estudos, as aulas de reforços, as reuniões pedagógicas e sempre cobrando e sofrendo em ver que meu filho só queria brincar. Recebia elogios da Educação dele, porém recebia muitas reclamações das gaiatices dele. Sei que ele é muito inteligente, mas esses dois anos percebi o quanto ele estava levando os estudos a brincadeira. Ainda acho que mesmo perdendo o ano ele não aparenta tristeza o que me angústia. Dou castigos e méritos nos momentos certo. Vou muuda-lo de escola, mudar algumas coisas, conversar mais com ele, vou usar todo tipo de estratégias possíveis. Não está sendo fácil. A dor e o sofrimento para a mãe é imensurável. Peço forças a Deus pra conduzir com sabedoria e rogo a Deus tb que essa fase passe e ele vença na vida. Como li no artigo que apesar de algum fracasso na escola, sempre la na frente vai servi de encorajamento. Td pode mudar. Eu tenho fé.

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.