O perigo mora no prato

Um simples copo de leite ou um pedaço de queijo causavam um grande mal-estar em Fabrícia Tristão de Azevedo. Dores abdominais, náusea e enxaqueca faziam parte da rotina da professora de Educação Física. Há três anos, uma consulta de rotina mudou tudo. “Descobri que tinha intolerância à lactose e, desde então, só posso tomar leite sem lactose e preciso evitar alimentos com seus derivados. Mas tenho muito mais qualidade de vida”, conta. Assim como Fabrícia, mais de 60% da população brasileira sofre com a intolerância alimentar, doença que provoca uma reação do organismo contra determinadas proteínas presentes nos alimentos.

 

Dores abdominais, enxaqueca, mal-estar, diarreia, ganho de peso, constipação e arritmia cardíaca são alguns dos sintomas que podem ser causados por uma dieta inadequada. Muitas vezes confundida com alergia, a intolerância provoca um processo de reação do organismo contra determinado alimento, desencadeado pelos anticorpos do tipo IgG. “Quando o organismo é sensível a certos alimentos, o corpo reage com dores de cabeça, depressão, fadiga e até mesmo a obesidade. Por isso, é fundamental saber quais são os alimentos problemáticos e eliminá-los do cardápio para auxiliar na redução ou até mesmo na eliminação desses sintomas”, explica Marcos Kozlowski, bioquímico e responsável técnico do Laboratório de Análises Clínicas, o LANAC.

 

Enquanto a alergia se caracteriza por uma reação momentânea e aguda, com sintomas que aparecem quando o organismo entra em contato com o alimento agressor, a intolerância é mais ampla e seus indícios podem demorar a aparecer. Atualmente, são descritos na literatura médica mais de 150 sinas e sintomas que podem estar associados à intolerância alimentar, também conhecida como alergia tardia ou hipersensibilidade alimentar.

 

Como a doença não tem cura, o diagnóstico precoce auxilia no tratamento dos sintomas.  “Em alguns casos, o paciente não pode mais ingerir determinado alimento. Em outros, ele precisa apenas reduzir o seu consumo”, conta Kozlowski. O Food Detective, exame realizado em Curitiba há cerca de quatro anos pelo LANAC, detecta o nível de incompatibilidade do organismo com 59 alimentos diferentes, desde os mais “suspeitos”, como ovos, leite e glúten, até os considerados “inocentes”, como laranja, limão e couve. Outro teste de intolerância disponível no laboratório é o 109 Food IgG Meditarrenean, que aponta se há ou não rejeição a 109 tipos de alimentos. Ambos são realizados por meio de análises do sangue do paciente. “Quando ingerimos um determinado tipo de alimento, nosso organismo pode desenvolver uma ‘sensibilidade’ a ele e o equipamento consegue identificar a proteína que assinala esse alimento como um ‘corpo estranho’”. Os procedimentos só são realizados por indicação médica ou de nutricionistas.

 

Boa forma

 

Sensação nos consultórios, o Food Detective e o 109 Food IgG Meditarrenean também são úteis para quem deseja entrar em forma, já que  os resultados dos exames permitem que o nutricionista desenvolva um plano alimentar individualizado para o paciente.

 

Giovanna Antonelli, Demi Moore e Gwyneth Paltrow são algumas das celebridades que utilizaram os testes de intolerância para conquistar o físico perfeito. Para aqueles que desejam iniciar uma dieta Detox, baseada na desintoxicação alimentar, cada vez mais médicos recomendam o Food Detective. Foi descobrindo os alimentos faziam mal ao seu organismo que a atriz Deborah Secco eliminou 11 kg em dois meses — junto com muita disciplina e atividade física, é claro. Deborah teve que engordar para interpretar uma ex-apresentadora infantil decadente no filme A estrada do diabo. Para voltar ao peso normal, contou com a orientação da cardiologista especializada em terapia ortomolecular Heloísa Rocha, que submeteu a atriz ao exame.

Alimentos investigados

– Leite e ovos

– Peixes, crustáceos e frutos do mar

– Carnes

– Frutas

– Grãos

– Ervas e especiarias

– Nozes e castanhas

– Vegetais

 

 

 

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