Procura por clínicas de reabilitação alcoólica é maior no final do ano

Cuidados com bebidas alcoólicas têm que ser redobrados em época de festas

Estimativas da ONU apontam que 60% da população mundial adulta consome álcool. Em épocas festivas, como Natal, no Ano Novo e Carnaval, esse consumo aumenta sensivelmente – a ponto das clínicas de reabilitação alcoólicas registrarem uma maior procura por alcoólicos que têm recaídas nesses períodos. É o que aponta o psiquiatra Fernando Sielski, especialista em tratamento e prevenção de dependências químicas.

“Vivemos numa cultura do álcool. As pessoas bebem socialmente durante o ano, mas durante as festas de confraternização, sentem uma liberdade maior para beber além da conta, seja para se desinibir e ficar mais alegre, ou para esquecer tudo que passou no ano que está acabando. O álcool é uma droga mágica nesse sentido”, descreve o médico cooperado da Unimed Curitiba.

alcoolico

Conhecimento é fundamental

Não há problemas em beber socialmente, em quantidades moderadas. Para se prevenir dos efeitos do álcool em excesso, segundo o especialista, é preciso conhecer as reações que as bebidas causam em nosso organismo.

“Muitas pessoas têm a ideia equivocada de que cerveja mata a sede, por exemplo. Pelo contrário, toda bebida alcoólica tira água das células do corpo. Nesse sentido, chega a ser diurético, a ponto de aumentar a vontade de urinar e as idas ao banheiro. Para neutralizar esse efeito, é preciso se hidratar antes, durante e depois”, aconselha Sielski, dizendo que intercalar copos de água entre doses alcoólicas é o ideal.

A alimentação também é essencial. “Se você começa a beber antes de comer, de estômago vazio, os efeitos vão surgir logo. É preciso se alimentar bem antes, para dificultar a absorção do álcool pelo organismo. Destilados como cachaças, vodcas e bebidas com 40% ou mais de composição alcoólica intoxicam o fígado se tomadas em excesso. Lembre-se que cada dose de destilado leva pelo menos uma hora e meia para ser metabolizada pelo fígado”, orienta.

 

Cuidado com a dependência

“Os jovens bebem pra ficar bêbados mesmo, mas é preciso cuidado. Se isso se tornar um hábito frequente, em todo fim de semana, por exemplo, a tolerância ao álcool vai aumentando, o que leva a pessoa a beber doses cada vez maiores. São os casos de – dependência leve que já inspiram cuidados”, enfatiza o psiquiatra.

Familiares e amigos, porém, devem ficar atentos se o possível alcóolico do seu meio de convívio não está passando da conta sem perceber. “O primeiro passo é admitir que está bebendo bastante, já que a negação é frequente nesses casos. Se for um pai ou mãe, o cônjuge e os filhos devem fazer sua parte. O mesmo com seu parceiro, filho ou irmão. Existem grupos específicos para casos de dependência leve, o Al-Anon, em que familiares de dependentes químicos contam suas experiências e orientam a como fazer a intervenção necessária”, recomenda o especialista.

Para mais informações sobre os grupos Al-Anon, acesse o site www.al-anon.org.br.

 

Fator genético

Em geral, o risco de desenvolver dependência química com bebidas alcoólicas é de 10 a 20%. Quando há casos de dependentes na família, porém, a porcentagem vai a 40 e 50%, afirma o psiquiatra. “As chances duplicam se você tiver pais ou avós alcoólicos. São aquelas pessoas que, quando bebem, sentem que aquilo cai muito bem, que gostam de beber e precisam ficar atentas a isso. Em todo caso, a genética é algo incrível: são comuns os casos de, numa família de quatro irmãos com pais alcóolicos, por exemplo, dois serem propensos a desenvolver a dependência e dois não”, relata.

Por fim, mas não menos importante, Fernando Sielski enfatiza a importância de não beber na frente de crianças e menores de idade. “Muitas vezes não reparamos nisso, principalmente em festas familiares, mas o consumo de álcool na frente das crianças causa uma imagem de impacto em seu consciente e subconsciente. Às vezes uma dependência pode ter como causa inicial um momento como este, no passado remoto da criança que ela nem se lembra mais, mas teve sua influência”, ressalta.

O cuidado com álcool e direção tem aumentado nos últimos anos, mas nunca é demais ressaltar: se for digirir, não beba.

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