Intenção de Consumo do paranaense mantem-se negativa, mas acima da média nacional

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou mais uma queda no Paraná, ao passar de 91,1 pontos em janeiro para 90,6 pontos em fevereiro. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). Na comparação com fevereiro de 2015, quando era de 127,6 pontos, a redução chega a 29%. Os quesitos acesso ao crédito, nível de consumo atual e perspectiva de consumo são os fatores mais críticos e têm puxado o indicador para baixo.

Mesmo assim, a ICF paranaense está acima da média nacional, que marca 78,7 pontos em fevereiro.  Ambos os indicadores permanecem em um nível abaixo de 100 pontos, ou seja, abaixo da zona de indiferença, o que representa uma percepção de insegurança e insatisfação com a situação econômica atual, extremamente desmotivadora para o consumo.

ICF Fevereiro Paraná

(pontos)

Variação Mensal Variação Anual Fevereiro Nacional

(pontos)

Variação Mensal Variação Anual
Emprego Atual 116,6 0,32% -17,3% 106,3 1,9% -17,5%
Perspectiva Profissional 93,7 3,18% -12,0% 103,2 2,9% -18,7%
Renda Atual 154,6 1,33% -9,9% 97,3 1,2% -29,0%
Acesso ao crédito 73,0 -8,28% -42,7% 74,8 -1,3% -37,3%
Nível de Consumo Atual 61,7 8,65% -42,5% 55,7 0,7% -42,5%
Perspectiva de Consumo 28,4 8,23% -70,1% 63,0 1,6% -45,4%
Momento para Duráveis 106,5 -7,97% -26,4% 50,6 4,5% -49,3%
Indicador ICF 90,6 -0,54% -29,0% 78,7 1,6% -33,2%

Emprego

Para boa parte dos participantes (47,1%), a situação atual no emprego está semelhante ao ano passado, enquanto 33,5% estão mais seguros sobre o trabalho e 16,9% sentem-se menos seguros. De acordo a pesquisa, a insegurança é mais acentuada entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, em que 32,4% acreditam estar mais seguras em relação ao emprego, ante 38,5% nas classes A e B.

Quanto à perspectiva profissional, 46,3% dos entrevistados possuem percepção negativa, enquanto 40% esperam uma promoção ou aumento salarial nos próximos seis meses. Novamente, as famílias com renda até dez salários mínimos estão menos otimistas sobre algum tipo de melhora no emprego, com 39,3%, opinião compartilhada por 43,2% das famílias com renda acima de dez salários.

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Situação da renda e acesso ao crédito

Apesar de tudo, a situação da renda atual é considerada melhor para 66,5% dos consumidores em comparação ao mesmo período de 2015.

Porém, o acesso ao crédito está mais difícil para 50,5% dos paranaenses. Somente para 23,5% ficou mais fácil conseguir um empréstimo, o que representa redução de 8,28% na variação mensal e de 42,7% na variação anual.

Consumo

A maioria das famílias (57,1%) estão comprando menos do que no mesmo período do ano passado. O percentual daqueles que está comprando mais representa 18,8% e os que continuam gastando da mesma forma correspondem a 24,1%. Houve melhora de 8,65% neste quesito ante janeiro, mas na comparação com fevereiro de 2015, a redução chega a 42,5%.

Diante do cenário econômico e político brasileiro, 82% dos paranaenses planejam gastar menos; apenas 10,4% devem consumir mais e 7,4% têm perspectiva de manter o mesmo nível de consumo. Este quesito teve uma das reduções mais expressivas, com baixa de 70,1% nos últimos 12 meses. A perspectiva de consumo é menor entre as classes C, D e E, com 82,7% planejando conter os gastos. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 78,7% pretendem consumir menos do que no ano passado.

Para 50,7% das famílias, este ainda é um bom momento para a aquisição de bens duráveis. Em fevereiro do ano passado esse percentual era de 69,1%. Essa situação representa a falta de capacidade ou coragem do consumidor para se endividar, visto que os bens duráveis são produtos de valores mais expressivos e em geral necessitam de crédito para facilitar sua aquisição. (karla@pr.senac.br)

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