Aplicação do cobre em instalações públicas e hospitalares pode salvar vidas

Em breve, o Hospital Sepaco, na cidade de São Paulo, fará a instalação de itens de cobre em suas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Essa não será a primeira experiência, no País, do uso do metal em áreas sensíveis à contaminação Em 2011, o Aeroporto de Congonhas fez uso do cobre em guichês e corrimãos do estacionamento. Ainda incipiente, a aplicação do cobre ou ligas de cobre (latão ou bronze) no meio hospitalar e em superfícies de contato variadas deve aumentar nos próximos anos. Isso porque é cada vez mais premente inibir a proliferação de microorganismos e prevenir infecções.
O uso do cobre se justifica porque o metal é antimicrobiano. Quer dizer, capaz de eliminar bactérias em um ambiente. O fato não é propriamente uma novidade – em 2008, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (em inglês, Environmental Agency Protection – EPA) comprovou que, em apenas duas horas de exposição, o cobre é capaz de eliminar 99,9% das bactérias – mas o entendimento de que a alternativa é promissora para um ambiente mais seguro, de controle de infecções, ainda é pouco difundida. Tanto é assim, que no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), anualmente, são mais de 100 mil as mortes por infecções.
No exterior, o uso da tecnologia, com emprego do metal, em países como França, Inglaterra, Alemanha, Espanha e Chile se mostra mais recorrente. Alguns exemplos são a aplicação do cobre antimicrobiano em superfícies de contato, maçanetas e assentos em hospitais como o Selly Oak e o Homerton, no Reino Unido, nas UTIs de pediatria do Centro Hospitalar Rambouillet, em Paris, nos interruptores de luz, espelhos e puxadores de janelas do Hospital General Hagen, na Alemanha.
Embora distante do ideal, não se pode negar que o Brasil tem tido avanços nessa área de prevenção com alguns fabricantes incorporando a liga de cobre a artefatos como grades de cama, porta-soro e bandejas para medicamentos e alimentação de pacientes. O mercado não se limita, porém, a produtos utilizados no meio hospitalar. Em locais de grande circulação, como estações de trens e metrôs, rodoviárias, escolas, edifícios públicos, hotéis, restaurantes, também é possível conter o avanço de infecções com a adoção da tecnologia. A característica antimicrobiana do cobre é independente do revestimento e não pode ser removida com lavagem ou desgaste da superfície de contato.
É preciso que o setor de saúde, em larga escala, compreenda que o cobre pode ajudar a salvar vidas. Este setor precisa estar aberto a mudanças, levando em conta a segurança da população

 

Por Antonio Maschietto Jr, diretor executivo do Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre).

(natalia@atitudecom.com.br)

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