Carnaval 2016: saiba mais sobre os riscos da coinfecção pelos vírus HIV/HCV e previna-se

O contágio por doenças sexualmente transmissíveis torna-se uma realidade ainda mais próxima especialmente durante o período de Carnaval, pois durante a folia, em alguns casos, os métodos de prevenção não são levados tão à sério como deveriam. A exposição a diversos vírus tem consequências ainda mais graves em casos de coinfecções. O silencioso HCV com o HIV, por exemplo, pode ter seu processo de evolução acelerado e ocasionar o câncer de fígado, podendo levar os pacientes até a morte.

A contaminação pelo HCV é comum em pacientes HIV positivos, embora o assunto não seja do conhecimento do público leigo. A causa dessa relação está interligada aos idênticos mecanismos de transmissão das doenças. Atualmente, no Brasil, estima-se que 12% dos portadores do vírus HIV, sejam portadores também do vírus da Hepatite C, segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia.

O médico e professor da disciplina de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Abrão, levanta a importância do comportamento responsável dos indivíduos como diferencial para o controle da Hepatite C e da Aids. “As duas doenças tornam-se ainda mais perigosas quando encontradas juntas no organismo, cabe a cada pessoa, portador ou não, ser consciente sobre a possibilidade do contágio. A prevenção está em primeiro lugar”.

A infecção acelerada do vírus HCV ocorre uma vez que as células de defesa do sistema imunológico infectadas pelo HIV tentam combater o vírus da Hepatite C, mas enfraquecidas acabam por estimular o agente infecioso no fígado, aumentando a carga viral da doença hepática.

A Hepatite C passa então a progredir com mais facilidade e de forma rápida, ocasionando um curso mais agressivo de fibrose e cirrose hepática e evolução do câncer de fígado. À exemplo da cirrose hepática, um paciente coinfectado pode desenvolver a doença entre 12 e 16 anos mais cedo, em comparação aos indivíduos monoinfectados, portadores apenas de HCV.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, pelo menos 3% da população mundial está infectada pelo HCV, aproximadamente 170 milhões de pessoas, enquanto uma média de 34 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV.

Prevenção e controle

O melhor método para evitar a transmissão dos vírus é o uso de preservativos, o não compartilhamento de objeto perfurocortantes e a esterilização de utensílios como os de manicure e odontológicos, por exemplo. Qualquer risco de possível contaminação deve ser comprovado por testes laboratoriais para sorologia de HIV e HCV. Ambos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde.

O médico infectologista destaca ainda a importância do diagnóstico precoce diante dos violentos resultados da Hepatite C para a saúde, principalmente em indivíduos coinfectados. “Excluindo outras causas infecciosas, a cirrose hepática é uma das principais responsáveis pela morte de pacientes com os dois agentes. Em caso de dúvida, o indivíduo deve realizar a testagem para os vírus e, após a confirmação, seguir corretamente os tratamentos, além de manter o acompanhamento médico periódico”, afirma.  

Com o suporte profissional adequado e a testagem realizada, os pacientes coinfectados devem iniciar o tratamento com antirretrovirais para o HIV, aliado aos novos medicamentos para Hepatite C, compostos pelo sofosbuvir e o daclatasvir, altamente eficazes, com poucos efeitos colaterais e reduzido tempo de tratamento, disponíveis no Sistema Único de Saúde desde 2015. <catarina.marrao@ogilvy.com>

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