Equipe do CHC/UFPR, que realizou a primeira prótese total de tornozelo em hemofílico do Brasil, torna mais um paciente feliz

Rafael Henrique Secchi, natural de Toledo, Paraná, está sorrindo à toa. Não é por menos. “Não sinto mais dores”, frisou o paciente de 27 anos.

Admitido no Complexo Hospital de Clínicas (CHC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no dia 21 de fevereiro, “Rafael, portador de Hemofilia “A” grave, doença que altera a coagulação do sangue e que pode levar a uma destruição precoce das articulações, principalmente dos joelhos, cotovelos e tornozelos, foi o que aconteceu com o tornozelo do Rafael. Ele tinha queixas de muitas dores que o impossibilitavam uma locomoção normal ou permanecer algum tempo em pé”, diagnosticou o médico ortopedista Luciano da Rocha Loures Pacheco. Qualquer movimento era um sofrimento”, enfatizou Rafael.

A equipe médica composta por dois grupos de trabalho, um, de Cirurgia de Pé e Tornozelo, chefiado por João Luiz Vieira da Silva, mestre e doutor em cirurgia pela UFPR; e, outro, do Ambulatório de Ortopedia/Hemofilia do CHC, chefiada por Luciano da Rocha Loures Pacheco – mestre e doutor em cirurgia pela UFPR; ambos médicos ortopedistas do Complexo HC/Ebserh-UFPR; realizaram o procedimento logo no dia seguinte, foi o segundo na instituição e o terceiro da equipe, que realizou a primeira do Brasil, no CHC, em 2014.

No início desse mês (03/03), o paciente recebeu alta, depois de 11 dias de internamento, pois o mesmo precisou de cuidados especiais, por ser hemofílico, agravado pelo fato de possuir “inibidor” que é a presença de anticorpos contra o medicamento normalmente utilizado nos portadores de Hemofilia “A” que seria o Fator VIII, a medicação apropriada, mas, que nestes casos, não tem efeito na coagulação do sangue. Isso tudo eleva o risco de complicações, então teve que ser utilizado outro medicamento para fazer a coagulação chamado FEIBA.

“O paciente portador de hemofilia precisa de cuidados especiais para diminuir ao máximo os riscos cirúrgicos que estão sujeitos até em pessoas não hemofílicas, como infecção, mas que nesta doença é mais comum, inclusive porque muitos portadores de hemofilia foram contaminados no passado pelo vírus da hepatite e alguns pelo HIV o que diminui a sua imunidade e eleva os riscos uma cirurgia”, frisou João Luiz.

“A Artroplastia Total do Tornozelo (ATT) que é a colocação de uma prótese para substituir uma articulação, é recomendada em pacientes com hemofilia, porque por eles apresentarem sangramentos de repetição dentro da articulação, isso leva a uma destruição da cartilagem articular, causando dores, diminuição da sua mobilidade, perda da função e deformidades do tornozelo.  O procedimento convencional (artrodese), no caso de pacientes hemofílicos, também é recomendado, mas como leva à imobilidade articular, isso pode ser um problema em portadores de hemofilia, pois geralmente eles têm mais de uma articulação comprometida, e a fusão de uma articulação, sobrecarrega as outras articulações, que também já podem estar alteradas, então como as próteses de joelho e quadril que já estão consagradas há muito tempo, a ATT em portadores de hemofilia, está ganhando cada vez mais adeptos ao redor do mundo, como na França, Alemanha e USA”, concluiu Luciano da Rocha Loures Pacheco.

Quando veio retira os pontos, no Ambulatório de Ortopedia/Hemofilia do CHC/UFPR, apenas na terceira semana do pós-operatório, Rafael já estava se se sentindo muito satisfeito com o resultado da cirurgia. “Numa escala de dor de 0 a 10, agora é 2”, conclui Rafael.

 

Primeira ATT no Brasil aconteceu em 2014 no CHC

No dia 09 de janeiro de 2014, foi foi realizada no CHC a primeira ATT em um paciente hemofílico no Brasil. O paciente Egnaldo Schuvanz, que veio da cidade de Vila Velha no Espírito Santo passa tão bem que, quando completou um ano veio visitar o Hospital e sua equipe médica. “Com essa prótese, espero que tudo fique 100% como foi quando fiz a prótese do joelho”, declarou Egnaldo na época. Um ano depois, disse ele: “a qualidade de vida mudou 100%. Exerço atividades de trabalho e de laser que já não podia mais realizar”.

Hemofilia e Articulação
Os pacientes hemofílicos apresentam muitos problemas articulares, como dor e diminuição da mobilidade articular, principalmente nos joelhos, cotovelos e tornozelos. O procedimento cirúrgico visa resolver esses problemas, que é muito incapacitante e comum nessa população. A cirurgia no tornozelo hemofílico é mais complexa, do que as realizadas em pacientes que não possuem a doença, pois têm maior risco de sangramento, a articulação é mais comprometida e as lesões ósseas mais graves. O maior risco, no entanto, é em relação à cicatrização, que por ser mais difícil em portadores de hemofilia, pode acarretar em infecções, que são mais susceptíveis a esse público. <assmkthc@gmail.com>

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