Mulheres que diagnosticam o câncer de colo de útero precocemente podem manter a fertilidade

Com o passar dos anos, as mulheres ficaram mais conscientes sobre a importância de se realizar periodicamente os exames preventivos, como o Papanicolau, mesmo assim, o câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama e de colorretal. A médica do Departamento de Cirurgia Oncológica da unidade IOP no Oncoville, Dra. Audrey Tieko Tsunoda, conta que hoje em dia a cirurgia é um dos recursos utilizados, dentre outros, para o tratamento das pacientes, e quanto mais precoce é feito o diagnóstico, menos agressiva é a cirurgia.

Quais as principais novidades na cirurgia de câncer de colo de útero?
Nesses últimos anos tivemos várias novidades, incluindo a possibilidade de preservar a fertilidade das pacientes em estágio inicial, mantendo o sonho da mulher se tornar mãe. Já caiu por terra a necessidade de se remover totalmente o útero ou os ovários, quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais. Outras técnicas novas, como a pesquisa do linfonodo sentinela, representam menores complicações e efeitos colaterais após a cirurgia. É muito importante ter em mente que o estágio em que a doença é diagnosticada vai definir muitos detalhes do tratamento e da vida da paciente depois do tratamento.

O principal benefício de realizar a cirurgia em estágio inicial é manter a fertilidade?
Quanto mais inicial for a lesão, menos agressivo será o tratamento. Se for uma alteração precursora do câncer, ou seja, uma alteração que se não for tratada tem a chance de se tornar um tumor, pode ser feito um procedimento cirúrgico muito simples. Se o tumor estiver no começo é possível realizar um procedimento igual ou um pouco maior. O primeiro se chama conização (onde é retirada uma amostra para ser analisada com exames laboratoriais, avaliando a profundidade e gravidade das lesões); e o outro se chama traquelectomia (o procedimento vai remover o colo do útero e a parte superior da vagina, mas manterá a fertilidade da paciente). No entanto, as mulheres precisam apresentar caraterísticas muito específicas para o especialista poder oferecer o melhor tratamento, como o estágio, grau e características da biopsia.

Existe uma faixa etária limite para a cirurgia?
Sim, mas precisamos também levar em conta as condições físicas e emocionais da mulher. Na prática, o tratamento deve ser adaptado quando a pessoa está bem debilitada, ou pode ser mais intenso, com maiores chances de sucesso, para a mulher que está mais disposta. A nossa opção será um tratamento com maior chance de cura e com as menores complicações possíveis. Essa escolha do tratamento, baseado no estado da paciente e na avaliação por uma equipe especializada composta por profissionais dedicados, possibilita que ela volte com mais facilidade para a sua rotina diária.

As mulheres estão sendo diagnosticadas cada vez mais novas?
Depende de alguns fatores, como a idade com que a mulher iniciou a vida sexual, o número de parceiros ou mesmo o tabagismo. As lesões percussoras, ou seja, aquelas que podem virar câncer, são diagnosticadas em média entre 25 e 55 anos. O câncer geralmente vem um pouco depois, dos 30 aos 65 anos.

Qual a taxa de cura?
Em estágios iniciais as chances de cura são de mais de 98%, mas com o diagnóstico tardio as taxas diminuem. Porém, entre os tumores, o câncer de colo de útero é um dos que apresenta níveis de cura muito bons, mesmo em estágios mais avançados.

Quais os sintomas?
Em formas bem inicias não existem sintomas, por isso detectamos com exames como o Papanicolau, o preventivo anual. Mas quando a mulher apresenta sangramento relacionado à relação sexual ou sem motivo específico deve buscar um especialista. Outros sintomas que aparecem na evolução do tumor são dores ou corrimento de piora progressiva e persistente e mudanças no ritmo da bexiga e do intestino.

Hoje em dia as mulheres estão mais conscientes?
Com o passar dos anos, com mais acesso às informações, à globalização e às redes sociais, acredito que as mulheres estejam mais conscientes, mas ainda elas têm algum receio de realizar os exames de prevenção. A coleta dos exames preventivos é fundamental, pois conseguimos detectar essas alterações antes que elas virem câncer. Também estamos conseguindo atingir mais mulheres sobre a importância da prevenção primária, antes de terem contato com o vírus do HPV (o Papiloma Vírus Humano), que é responsável por 99% dos casos de câncer de colo de útero. Boa parte da população tem conhecimento sobre a vacina contra o vírus, importante aliada e que reduz significativamente as chances das mulheres desenvolverem a doença. É muito importante que as mulheres se informem e quebrem mais esse tabu, além de sempre manter os exames em dia.

Dra. Audrey Tsunoda
Dra. Audrey Tsunoda

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