Operação Lava Jato completa dois anos e se torna um case de cobertura jornalística no país

Nem mesmo a cobertura do impeachment do caçador dos Marajás, o ex-presidente Fernando Collor, ou da investigação e das prisões do Mensalão atingiu o patamar da Operação Lava Jato. A investigação completou dois anos nesta quinta-feira, 17 de março, e não é só o judiciário brasileiro que está fazendo história: a maior operação da Polícia Federal se tornou também um case de cobertura jornalística do país.

Especialmente em Curitiba, cidade que se tornou a sede da investigação Lava Jato, já que a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba é especializada em crimes financeiros e de lavagem de ativos, a operação intensificou e mudou a rotina dos veículos de comunicação. Na Gazeta do Povo, que faz parte do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), as repórteres Katna Baran e Kelli Kadanus são conhecidas na Redação como as “meninas da Lava Jato”. Desde o início das investigações, elas se revezam entre a redação, a Justiça Federal e a Polícia Federal (PF). Como estão por dentro de tudo que acontece, as repórteres passaram a assinar a coluna semanal “Delações não premiadas”, que traz informações de bastidores da Lava Jato.

Os jornalistas que fazem a cobertura da Lava Jato passam horas do dia vasculhando o E-proc, sistema eletrônico da Justiça Federal, em que ficam arquivados os processos da operação, além de entrar em contato com advogados e fontes oficiais, fazendo a linha de checagem e apuração de novos fatos. Isso significa que além das horas de espera por informações, do corre-corre quando aparece um advogado ou uma visita de parentes dos investigados, ler as centenas de páginas de uma denúncia e assistir aos vídeos com horas de audiências já fazem parte da rotina dos repórteres.

“A Lava Jato trouxe um aperfeiçoamento profissional muito grande. Eu caí de paraquedas na cobertura logo que cheguei ao jornal, ainda estava na quarta, quinta fase. Acompanhei todo o desenrolar das investigações, as coletivas, fiz milhares de plantões na porta da PF, da Justiça Federal, aprendi muito sobre o mundo jurídico, a encontrar coisas no meio dos processos eletrônicos e filtrar o que é importante”, conta Kelli.

Também existe um cuidado para não fazer um jornalismo declaratório, por isso, procuram fazer matérias mais aprofundadas, com mais de uma fonte, com documentos. Leonardo Mendes Junior, diretor de Redação da Gazeta do Povo, aponta que em uma cobertura permanente e extensa como a da Lava Jato, dois pontos são fundamentais: estar atento às informações cruciais que os principais veículos estão dando e ser capaz de oferecer algo que nenhum outro veículo esteja tratando. “A dedicação contínua da Kelli e da Katna à Lava Jato permite isso. Estamos sempre em cima dos principais acontecimentos e elas adquiriram uma capacidade plena de antever movimentos da operação e analisar o impacto de cada passo dos investigadores ou das decisões do Sergio Moro”, comenta. Além da preocupação em levar a informação checada, é preciso traduzir as informações para uma linguagem acessível para o público, que tem acompanhado com expectativa cada nova fase da operação.

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