Dengue no Brasil pode ser reduzida em 92% com vacinação

Estudo publicado na Revista Brasileira de Economia da Saúde avaliou o potencial do impacto da vacinação contra a dengue no Brasil[1]  e mostrou que se implementado um programa de vacinação de rotina (contemplando crianças de 9 até 10 anos) haverá uma redução de 22% dos casos de dengue, em um período de cinco anos. Entretanto, se for adotado um programa mais amplo, com vacinação de rotina a partir dos 9 anos, atingindo a população até 40 anos, a redução dos casos de dengue alcançaria 81%, neste mesmo período.

Os números são ainda mais animadores quando a avaliação abrange um período de dez anos, prazo que permite a constatação de todos os benefícios da vacinação. O estudo demonstrou que, com a implementação de um programa nacional de imunização que inclua a vacinação de rotina a partir de 9 anos e vacinação específica da população de até 40 anos de idade se obteria uma redução de 92% dos casos de dengue.

A estimativa, conduzida pelo médico Denizar Vianna Araújo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e coordenador de Centro de Excelência em Avaliação Econômica e Análise de Decisão da ProVac Network (grupo de estudos econômicos e financeiros da OPAS – Organização Pan Americana de Saúde), utilizou um modelo de impacto que representa a dinâmica da transmissão dos quatro sorotipos da dengue (tipos 1, 2, 3 e 4) em humanos e no mosquito.

“Esta redução importante de casos teria, além disso, um impacto significante na diminuição dos casos de hospitalização; com a implementação do programa maior seria possível evitar entre 233.509 e 739.378 internações em um período de 5 e 10 anos, respectivamente”, explica Denizar.

 

Impacto da doença no mundo e no Brasil

A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 390 milhões de pessoas são infectadas com o vírus da dengue a cada ano.[2] As Américas em geral, mas a América Latina em particular, contribuem com 14% (cerca de 13 milhões) das infecções ocorridas no mundo; a metade das quais no Brasil e no México.2 O Brasil foi o país com maior número de casos notificados no ano passado. Apenas em 2015 foram  confirmados em torno de 1,6 milhões de casos de dengue.[3]

Além do considerável sofrimento humano, o impacto negativo da dengue é substancial em termos de custos médicos diretos e indiretos, que diminuem a produtividade ocupacional. Estima-se que o gasto com a dengue no Brasil foi de 1,2 bilhões de dólares em 2013, uma média de 448 dólares para cada caso de hospitalização e 173 dólares para cada caso ambulatorial.[4]

Com base nos objetivos fixados pela OMS de reduzir a mortalidade por dengue em 50% e a morbidade em 25% até 2020, a probabilidade de êxito de cada estratégia de vacinação contra a dengue também foi estimada pelo estudo para um período de cinco e dez anos. A análise sugere que as estratégias de vacinação que incluam pelo menos a vacinação de rotina e de mais sete grupos de idade são adequadas para atingir uma boa probabilidade (em torno de 50% ou mais) de reduzir esta meta da OMS.

 

Sobre o modelo

O modelo de impacto representa as características conhecidas da dinâmica da transmissão da dengue: interações entre o hospedeiro e o vetor (mosquito), interações imunológicas entre os quatro sorotipos, faixas etárias da população, níveis de transmissão específica por idade, sazonalidade da doença e crescimento da população humana e do vetor.

Para os parâmetros relacionados com a vacinação, foram utilizados os resultados dos estudos agrupados de eficácia fase III da vacina tetravalente contra a dengue da Sanofi Pasteur, conduzidos na América Latina, no Caribe e na Ásia, envolvendo uma população de voluntários de 9 a 16 anos. Nestes estudos, a vacina da Sanofi Pasteur demonstrou, já na terceira dose, uma redução de 93% dos casos de dengue grave e de 81% dos casos de hospitalização.[5]

 

Lançamento do primeiro programa de vacinação pública contra dengue nas Filipinas

Serão vacinadas um milhão de crianças de seis mil escolas públicas

A Sanofi Pasteur, a Divisão de Vacinas da Sanofi, anunciou que teve início nas Filipinas o primeiro programa de vacinação pública contra a dengue. Em um importante evento de lançamento, realizado pelo Ministério da Saúde, foram divulgados os detalhes do plano segundo o qual o país deverá vacinar 1 milhão de crianças das escolas públicas. As autoridades de saúde das Filipinas, lideradas pela Secretária de Saúde, Janette Garin, assumiram uma firme posição de liderança na prevenção da dengue, enviando uma mensagem para os demais países endêmicos, afirmando que a vacinação contra a dengue é fundamental para os esforços integrados de prevenção necessários para um manejo mais eficaz da doença.

Nas Filipinas, a vacina tetravalente contra a dengue da Sanofi Pasteur foi registrada em 22 de fevereiro de 2015, para uso em indivíduos de 9 a 45 anos de idade, para a prevenção da dengue causada pelos quatro sorotipos. De acordo com estudos realizados com participantes a partir de 9 anos de idade ou mais, o impacto previsto da vacina sobre a carga da doença evita 8 entre 10 hospitalizações e até 93% dos casos de dengue grave, inclusive de dengue hemorrágica, que pode ser fatal.

O programa de vacinação pública lançado hoje nas Filipinas pretende começar este ano vacinando 1 milhão de alunos da 4ª série em mais de 6.000 escolas públicas em três regiões altamente endêmicas do país. No setor privado, a vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur está disponível para vacinação desde fevereiro.

Olivier Charmeil, CEO da Sanofi Pasteur, elogiou as Filipinas pela sua liderança na prevenção da dengue com o lançamento do primeiro programa governamental de imunização no mundo. “As comunidades científicas e de saúde das Filipinas têm sido parceiras importantes no desenvolvimento da primeira vacina contra a dengue, com participação nas três fases do programa de estudos clínicos envolvendo mais de 40.000 pessoas de 15 países. A garantia do acesso à vacina registrada num programa público de imunização evidencia o compromisso das autoridades de saúde das Filipinas de adicionar uma nova ferramenta de prevenção contra a dengue à sua estratégia de gestão integrada de uma doença que representa uma grande ameaça para a saúde pública do país”.

Atualmente, a Ásia tem 70% da incidência mundial da dengue, com uma média de mais de 110.000 indivíduos que contraem a dengue a cada ano, somente nas Filipinas.[i] Uma nova análise publicada no New England Journal of Medicine de 24 de março relata que nas Filipinas ocorreu a maior incidência de casos confirmados de dengue dos 10 países endêmicos que participaram dos estudos clínicos de eficácia da vacina contra a dengue. A análise também informou que até 15% das doenças febris que acometem crianças de 9 anos de idade ou mais são casos de dengue.[ii]

A Dra. Cecilia Montalban, Presidente da Fundação Filipina para Vacinação, manifestou sua satisfação pelo papel histórico que o país desempenha na prevenção da dengue. “Esta primeira vacina contra a dengue foi desenvolvida e testada efetivamente em países como as Filipinas, onde a dengue é uma prioridade de saúde pública. Como médica e mãe, estou feliz por sermos o primeiro país a introduzir esta nova ferramenta de prevenção da dengue no setor público, o que permitirá uma gestão mais eficiente da incidência da doença no país. ”

A Sanofi Pasteur prosseguirá mantendo estreita colaboração com o governo das Filipinas para facilitar a introdução bem-sucedida da vacina contra a dengue, e também para monitorar o impacto dessa vacina no país, como parte de um extenso plano de comunicação e vigilância após a comercialização, em linha com o recente apelo dos países à ação, feito pela Defesa da Vacinação contra a Dengue na Ásia (Asian Dengue Vaccination Advocacy, ADVA) e a Cúpula da Dengue na Ásia, realizada em fevereiro.[iii]

 

Sobre a vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur®

Não apenas nas Filipinas; até esta data a vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur também está registrada no México, Brasil e El Salvador. Os processos de revisão regulatória para a vacina contra a dengue prosseguem em outros países onde a dengue é uma prioridade na área da saúde pública. Foram enviadas doses da vacina para as Filipinas, que já foram recebidas, para permitir o acesso à vacinação contra a dengue, tanto no setor público como no setor privado.

A vacina da Sanofi Pasteur é o resultado de mais de duas décadas de inovação e colaboração científica, bem como de 25 estudos clínicos em 15 países em todo o mundo. Mais de 40.000 voluntários participaram do programa de estudos clínicos da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur (Fase I, II e III), dos quais, 29.000 voluntários receberam a vacina. Em 2014 foram concluídos com êxito os estudos clínicos fase III da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, tendo sido avaliado o objetivo primário de eficácia da vacina.[iv],[v]Houve participação das Filipinas nas três fases de desenvolvimento clínico da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur.

As análises conjuntas de eficácia e segurança integrada dos estudos de Fase III com duração de 25 meses e dos estudos de longo prazo em andamento, respectivamente, foram publicadas no The New England Journal of Medicine de 27 de julho de 2015, confirmando a eficácia sistemática da vacina e seu perfil de segurança no longo prazo na população do estudo de 9 a 16 anos de idade. Na análise conjunta de eficácia nesta faixa etária, Dengvaxia® demonstrou reduzir os casos de dengue devidos aos quatro sorotipos em dois terços dos participantes, evitando 8 entre 10 hospitalizações e até 93% dos casos graves de dengue.[vi]

A vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur é a primeira vacina registrada no mundo para a prevenção da dengue. As primeiras doses da vacina foram fabricadas no centro de produção especializado na França, com uma capacidade prevista de produção máxima anual de 100 milhões de doses de vacinas.

Para mais informações sobre a vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur consultar www.dengue.info

 

Sobre a Sanofi

Sanofi, líder mundial em cuidados de saúde, está voltada para a descoberta, desenvolvimento e distribuição de soluções terapêuticas focadas nas necessidades dos pacientes. A Sanofi possui tratamentos básicos e soluções para diabetes, vacinas de uso humano, fármacos inovadores, cuidados de saúde do paciente, mercados emergentes, saúde animal e Genzyme. A Sanofi está listada na Bolsa de París (EURONEXT: SAN) e de Nova York (NYSE: SNY).

A Sanofi Pasteur, a Divisão de Vacinas da Sanofi, oferece mais de um bilhão de doses de vacinas a cada ano, tornando possível a vacinação de mais de 500 milhões de pessoas no mundo todo.  Líder mundial no setor de vacinas, a Sanofi Pasteur oferece uma ampla gama de vacinas que protegem contra 20 doenças infecciosas. O patrimônio da empresa, de criar vacinas para proteger vidas, teve início há mais de um século. A Sanofi Pasteur é a maior empresa totalmente dedicada às vacinas. A cada dia, a empresa investe mais de 1 milhão de euros em pesquisa e desenvolvimento. Para mais informações, visite: www.sanofipasteur.com o www.sanofipasteur.us

 

Declarações Prospectivas:

Este comunicado de imprensa contém projeções futuras, tal como definido na Lei de Reforma de Litígio de Títulos Privados de 1995 conforme última redação. As projeções futuras não constituem fatos históricos.  Estas declarações incluem projeções e estimativas, bem como as hipóteses subjacentes, declarações sobre planos, objetivos, intenções e expectativas referentes a futuros resultados financeiros, eventos, operações, serviços, desenvolvimento e potencial de produtos e declarações relacionadas com o desempenho futuro. As declarações prospectivas são geralmente identificadas por palavras como “esperar”, “antecipar”, “acreditar”, “pretender”, “estimar”, “planejar” e outras expressões semelhantes. Apesar da direção da Sanofi acreditar que as expectativas refletidas nas declarações prospectivas são razoáveis, os investidores são alertados para o fato de que as informações e declarações prospectivas estão sujeitas a numerosos riscos e incertezas, muitos dos quais difíceis de prever e geralmente fora do controle da Sanofi, o que pode implicar que os resultados e desenvolvimentos realizados sejam substancialmente diferentes daqueles expressos nas informações sobre projeções futuras e nas declarações deduzidas ou projetadas a partir dos mesmos. Estes riscos e incertezas incluem, entre outros, as incertezas inerentes à investigação e desenvolvimento, dados e análises clínicas futuras, incluindo pós-comercialização, decisões das autoridades regulatórias, tais como a FDA (Food and Drug Administration) ou a EMA (European Medicines Agency), relativamente a se e quando aprovam um determinado medicamento, dispositivo ou aplicação biológica que possa ser submetida para um desses produtos candidatos, assim como as suas decisões relativamente à rotulagem e quaisquer outros assuntos que possam afetar a disponibilidade ou potencial comercial desses produtos candidatos, a ausência de garantia de que os produtos candidatos, se aprovados, serão comercialmente bem-sucedidos, a aprovação futura e sucesso comercial das alternativas terapêuticas, a capacidade do Grupo de beneficiar-se das oportunidades de crescimento externo, tendências do tipo de câmbio e taxas de juros predominantes, o impacto das políticas de contenção de custos e alterações subsequentes, o número médio de ações em circulação, bem como aquelas identificadas ou analisadas em documentos públicos depositados pela Sanofi na Comissão Nacional do Mercado de Valores (Securities Exchange Commission, SEC) e na Autoridade de Serviços Financeiros (Autorité des Marchés Financiers, AMF), incluindo os descritos nas seções “Fatores de Risco” e “Declaração preventiva sobre projeções futuras” no informativo anual Sanofi e no Formulário 20-F da para o ano findo a 31 de dezembro de 2014. Exceto no que for exigido pela lei legislação aplicável, a Sanofi não assume nenhuma obrigação de atualizar ou rever quaisquer  informações sobre as projeções futuras ou as declarações.

 

[1]Denizar Vianna Araujo et al. Estimation of the potential impact of dengue vaccination on clinical outcomes in Brazil, JBES (Journal Brasileiro de Economia da Saúde), April 2016, Volume 8, Number 1

[2]Bhatt S, Gething PW, Brady J, Messina JP, Farlow AW, Moyes CL, et al.The global distribution and burden of dengue. Nature. 2013;496:504-7

[3]Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde. Epidemiological Bulletin – Volume 46 – No. 24-2015 – Monitoring of cases of dengue fever and chikungunya. Epidemiological Week 36, 2015. Available at: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/outubro/15/svsbe-denchikzik-v46-n31.pdf.  Accessed 21 October 2015.

[4]Martelli CM, et al. Economic Impact of Dengue: Multicenter Study across Four Brazilian Regions. PLoSNeglTropDis. 2015 Sep24;9(9):e0004042. doi: 10.1371/journal.pntd.0004042.

[5]Hadinegoro SR, Arredondo-García JL. Capeding MR, Deseda C, Chotpitayasunondh T, Dietze R et al. Efficacy and Long-Term Safety of a dengue vaccine in regions of endemic disease. N Engl J Med 2015; 373:1195-1206

[i] Shepard D et al. Am. J. Trop. Med. Hyg., 92(2), 2015, pp. 360–366

[ii] Azour ;.L. et al, N. Engl J Med, DOI : 10.1056/NEJM.org, 2016, 1155-1166

[iii] http://adva.asia/

[iv] Capeding M.R. et.al, Clinical efficacy and safety of a novel tetravalent dengue vaccine in healthy children in Asia: a phase 3, randomised, observer-masked, placebo-controlled trial ; Volume 384, Issue 9951, 11–17 October 2014, Pages 1358–1365.

[v] Villar L, Dayan GH, Arredondo-Garcia JL, Rivera DM, Cunha R, Deseda C et al. Efficacy of a tetravalent dengue vaccine in children in Latin America. N Engl J Med. 2015.

[vi] Hadinegoro, Sri Rezeki S., et al. Efficacy and Long-Term Safety of a Dengue Vaccine in Regions of Endemic Disease Integrated Analysis of Efficacy and Interim Long-Term Safety Data for a Dengue Vaccine in Endemic Regions. July 27, 2015DOI: 10.1056/NEJMoa1506223.  <nathalia.angelis@ketchum.com.br>

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