Herança genética e descuidos no dia a dia aumentam incidência de hipertensão em jovens

Até 2025, a Sociedade Brasileira de Hipertensão espera um aumento em 80% no número de hipertensos no Brasil. Atualmente, o país tem cerca de 17 milhões de pessoas com pressão alta, segundo o Ministério da Saúde. Apesar de a incidência maior ser entre a população idosa, cresce a cada ano o número de hipertensos com menos de 35 anos.

“O maior problema da hipertensão é a falta de sintomas, o que leva muitas pessoas a não procurar atendimento. Às vezes, o sintoma mais comum é a enxaqueca, mas não é específico. O tratamento envolve mudanças comportamentais e dietéticas, além de medicamentos”, explica o cardiologista Rubens Zenobio Darwich, médico cooperado da Unimed Curitiba.

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, saiba mais sobre essa doença silenciosa que afeta cada vez mais jovens no Brasil.

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A ausência de sintomas em muitos casos dificulta esse diagnóstico preciso? Existem novidades nos exames e no diagnóstico? 

O maior problema é a falta de sintomas, o que leva muitos a não procurar atendimento. Às vezes, o sintoma mais comum é a cefaleia, mas não é específico. Podemos ter “falta de ar” para fazer atividades físicas, mal estar indefinido, mas a imensa maioria é assintomática. Hoje utilizamos muito a monitorizarão da pressão arterial durante 24 horas para ter um diagnostico mais acurado além da medida usual da pressão arterial. Por isso medidas ocasionais da pressão arterial devem ser incentivadas e as promoções de saúde são uma grande oportunidade.

 

Quais os danos ao organismo que podem ser causados pela hipertensão não tratada ou descoberta a tempo? 

Em pacientes não tratados, podem acontecer danos a órgãos, sendo os principais:

– Coração, podendo levar à diminuição da capacidade de bombear sangue, aumento do risco do infarto agudo;

– Cérebro, com risco de derrame (AVC);

– Rins, podendo levar à insuficiência renal com necessidade de diálise;

– Sistema vascular, com aneurismas de aorta. 

 

Quais as recomendações básicas em relação à alimentação e práticas do dia a dia para se evitar a pressão alta? 

O tratamento da hipertensão envolve vários aspectos: mudanças dietéticas, comportamentais e medicamentosas. Isso inclui a correção do peso corporal, aumento da atividade física aeróbica, como corrida, ciclismo e outras, a ingestão moderada de bebida alcóolica, o abandono do tabagismo, a diminuição no consumo de sal e gorduras e a ingestão satisfatória de potássio, cálcio, magnésio e ômega 3 – nutrientes que aumentam a eliminação de sódio pelo organismo.

 

Como os jovens e pessoas com herança genética podem se prevenir para evitar desenvolver hipertensão?

Os pacientes jovens que têm pais hipertensos têm mais chance de desenvolver hipertensão ao longo da vida. As medidas para prevenir o aparecimento, na verdade, seriam as mesmas para todos – Hábitos saudáveis, atividades físicas, dietas adequadas, não fumar e manter o peso adequado.

Um estudo mostrou que a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) que quer dizer “Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão”, surgiu a partir de um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos. É um guia alimentar elaborado pelo governo dos EUA com o objetivo de abaixar a pressão arterial e, desta forma, diminuir os riscos à saúde, decorrentes da pressão alta.

 

Em linhas gerais, como é a dieta DASH e seus efeitos?

A dieta DASH é um plano alimentar com redução de gordura saturada e colesterol que enfatiza o consumo de frutas, vegetais, leite desnatado e seus derivados. Também inclui grãos integrais, peixe, frango, nozes e limita o uso de carne vermelha, doces, açúcar e refrigerantes. Seus benefícios aos hipertensos se devem, entre outros, ao fato de ser rica em potássio, magnésio, cálcio, proteínas e fibras.

Pacientes hipertensos que realizaram essas mudanças em sua alimentação conseguiram reduzir a pressão arterial e, em casos mais leves, até suspender o uso de medicamentos. Nos casos mais graves, a dieta DASH possibilitou uma diminuição da dosagem dos medicamentos de controle da hipertensão. Como a maioria das recomendações envolve modificações dietéticas, é importante o acompanhamento de um nutricionista para que o tratamento seja eficaz e tenha resultados de longo prazo.

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