Dor pode ser indicador de gravidade na cólica menstrual

A dor das cólicas menstruais, muito conhecida pela maioria das mulheres, é denominada dismenorreia. Dependendo se há ou não alguma doença dos órgãos pélvicos como causa, pode ser classificada como primária ou secundária. Na dismenorreia primária, que representa cerca de 80% dos casos, não há problemas no útero ou ovários. “Os sintomas são comuns. Metade das mulheres apresenta esse tipo de dor pélvica durante sua idade fértil”, observa a Dra. Patricia de Rossi (CRM 79066-SP), ginecologista e obstetra do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo.

A cólica é consequência das contrações uterinas, que ocorrem por aumento da produção de prostaglandinas (moléculas reguladoras das vias metabólicas) no endométrio (camada interna do útero que é eliminada na menstruação). Essas contrações comprimem os vasos sanguíneos, dificultando o suprimento de oxigênio em algumas partes do útero. “Além da dor na parte inferior do abdome, que pode se irradiar para as costas e pernas, é comum ter outros sintomas (náuseas, vômitos, diarreia, mal-estar, fadiga) que prejudicam o bem-estar e as atividades cotidianas. Algumas mulheres ficam incapacitadas até para trabalhar”, acrescenta a médica.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), Dr. Irimar de Paula Posso (CRM 12934-SP), descreve que a dor é individual, e pode variar entre amena e muito intensa. “Tanto na primária como na secundária a dor pode atingir intensidade bastante alta, chegando próximo a níveis máximos de desconforto. Isso depende da sensibilidade da paciente e de outras doenças concomitantes”. Outros fatores influenciam o nível da dor, como a duração do fluxo menstrual, tabagismo, consumo exagerado de álcool, história de abuso sexual, obesidade, estresse e distúrbios emocionais.

A dor da dismenorreia primária costuma se iniciar junto do fluxo menstrual e dura, geralmente, entre dois e três dias. “Esse tipo costuma aparecer após as primeiras menstruações, podendo diminuir ou não de intensidade ao longo dos anos ou depois da primeira gravidez”, explica a Dra. Patrícia. A dismenorreia secundária habitualmente começa duas semanas antes da menstruação e é mais intensa ou progressiva (piora com o passar do tempo). Pode ser acompanhada de outros sintomas ginecológicos, como aumento da duração ou volume das menstruações, causado por outras doenças, como miomas ou endometriose.

Qual a maneira de amenizar os sintomas?

Na dismenorreia primária, o foco é bloquear o mecanismo da dor. Algumas das fórmulas mais indicadas, de acordo com a especialista, são os anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) à base de ibuprofeno. “Medicamentos dessa linha são muito eficientes no tratamento da dismenorreia primária, pois diminuem a produção das prostaglandinas causadoras dos sintomas”. Para Dr. Irimar, especialista em dor, “esses medicamentos podem ser considerados a primeira linha no tratamento, pois são muito eficientes contra a dor e têm boa indicação”.

Se houver desejo de evitar a gravidez, uma alternativa é o uso de contraceptivos orais combinados, mais conhecidos como pílulas anticoncepcionais. A Dra. Patrícia destaca que o tratamento deve sempre ser orientado por um médico, para que o medicamento seja usado na dose adequada e evite falha por uso incorreto, bem como reduzir a ocorrência de efeitos colaterais, como transtornos gastrointestinais.

Nos casos de dismenorreia secundária, é necessário também tratar a causa básica. “Os AINEs podem ser usados como medicação analgésica associada a outros fármacos nesses quadros, mas podem não ser suficientes para o tratamento da dismenorreia secundária. Em algumas situações, uma cirurgia para tratar a causa básica pode ser a única solução”, esclarece o Dr. Irimar. (rafael@lch7.com.br)

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