Dia Mundial Sem Tabaco: o tabagismo ainda é a principal causa de mortes evitáveis no mundo

31 de Maio é data de alerta sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que um terço da população mundial adulta é fumante, cerca de 2 bilhões de pessoas, sendo 47% de homens e 12% de mulheres. A OMS aponta, ainda, que o tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis e que está diretamente relacionado a mais de 50 doenças, entre elas o câncer. Porém, muitos pensam que o cigarro é responsável somente pelo câncer de pulmão, mas esse mau hábito também está associado a vários outros tumores entre eles o câncer da cabeça e pescoço. Os tumores mais comuns desta região são os de boca, orofaringe e laringe, principalmente, de boca, que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), serão mais de 15 mil novos casos diagnosticados no Brasil neste ano.

A médica do Departamento de Cirurgia Oncológica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dra. Paola A. G. Pedruzzi, conta que o número de tabagistas vem diminuindo, porém há muito a ser feito, pois vemos, infelizmente, que adolescentes continuam fumando e uma quantidade maior de mulheres também, fazendo com que a incidência de tumores relacionados ao tabaco não diminua de forma geral. Por isso a importância de se conscientizar a população lembrando que dia 31 de maio é o Dia Mundial Sem Tabaco.

“O tabagismo aumenta em 15 vezes o risco de a pessoa ser diagnosticada com algum tumor de cabeça e pescoço, quando comparamos com um indivíduo que não fuma. Se o alcoolismo estiver associado, os malefícios para a saúde são ainda maiores, pois existe um efeito potencializador do álcool associado ao tabaco. Os tumores de cabeça e pescoço atingem em sua maioria homens acima de 50 anos, mas nos últimos anos tem aumentado a incidência também em pacientes com menos de 40 anos – alguns desses pacientes nunca fumaram. Outro fator de risco é a presença do HPV (Papiloma Vírus Humano), que está presente com bastante frequência no câncer da orofaringe, por exemplo, na região das amígdalas”, salienta a oncologista.

Os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço incluem o surgimento de feridas que não cicatrizam (na língua, por exemplo, no caso do câncer da boca), nódulos no pescoço, emagrecimento, dificuldade para engolir, rouquidão, etc. A médica ressalta que assim que a pessoa perceber alguma alteração que permanece por mais de 10 dias é extremamente importante buscar um especialista para avaliação, uma vez que o câncer de cabeça e pescoço tem uma alta taxa de cura quando diagnosticado em fase inicial. As taxas de cura variam entre 30 e 95%, dependendo do estágio em que a doença é diagnosticada.

O tratamento será realizado de acordo com o tamanho e a localização do tumor e poderá utilizar cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Em alguns casos específicos também é possível a utilização de novos medicamentos, como os imunoterápicos e  anticorpo monoclonal. “Quando o tumor é precoce, utilizamos na maior parte das vezes apenas uma modalidade de tratamento, mas quando o paciente chega com a doença em estado avançado, há necessidade de tratamentos combinados, como exemplo a cirurgia seguida de radioterapia ou radioterapia associada à quimioterapia. Por esse motivo é importante reforçar o diagnóstico precoce, pois possibilita que o paciente tenha menos sequelas da doença depois do tratamento, como alteração na fala, deglutição e voz, dores ou perdas de função, além das alterações estéticas.”

Cada vez mais as pessoas devem se conscientizar sobre a prevenção de doenças, principalmente o câncer, mantendo uma vida com hábitos saudáveis, alimentação adequada, além de tentar diminuir ou mesmo acabar com o consumo de álcool e tabaco, aliado ainda com a prática de atividades físicas regulares.

A missão desafiadora para qualquer fumante é abandonar o cigarro. Segundo Dra. Paola, “Não existe uma idade para parar de fumar, pois a partir do momento em que se deixa o tabaco, a pessoa começa a ter muitos benefícios, principalmente no ganho de qualidade de vida. O paciente (tabagista) tem que ter muita certeza e vontade de parar. A partir deste momento, em que decidiu parar, a forma de abordagem ou estratégia vai depender muito da avaliação caso a caso, porém, é de grande importância a orientação médica para a escolha do medicamento adequado”.

Como deixar de fumar?
– Leia e se informe sobre os malefícios;
– Desassocie o ato de fumar ao prazer;
– Retire objetos relacionados com o cigarro;
– Interrompa uso da nicotina;
– Evite o álcool e a cafeína;
– Envolva a família;
– Faça atividade física regularmente;
– Procure orientação médica e do psicólogo, pois atualmente o tratamento do tabagismo inclui o uso de medicamentos que auxiliam no processo de parada e manutenção.

Informações em www.iop.com.br

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