Sintomas do câncer de cólon não devem ser menosprezados

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que em 2016 serão diagnosticados cerca de 30 mil novos casos de câncer de cólon no Brasil. Esse tipo de tumor é resultado de alterações em um grupo de genes de reparo do DNA. Quando esses genes estão alterados, o sistema de reparo fica incapaz de corrigir alterações no código genético, facilitando, dessa forma, o desenvolvimento do câncer. O cirurgião oncológico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dr. Fernando Henrique de Oliveira Mauro, afirma que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, por esse motivo as pessoas devem ficar atentas aos sintomas da doença. Confira a entrevista!

De acordo com uma pesquisa publicada pela revista Surgery, da Associação Médica Americana, os casos de câncer de cólon em pessoas jovens (até 34 anos) pode quase dobrar nos próximos 15 anos. Isso deriva do estilo de vida do jovem?

Geralmente o câncer de cólon em pessoas jovens é incomum. Normalmente acomete indivíduos com mais de 50 anos, concentrando 90% dos casos. O aumento da incidência em jovens deve-se a diversos fatores que ainda não conhecemos completamente. Não existe fator ambiental definitivo que temos conhecimento de que se a pessoa fizer uso disso ou daquilo vai levar diretamente ao câncer de cólon. No caso específico dos jovens, sabemos que está mais relacionado ao fator hereditário. Quando encontramos tumores de cólon em pacientes muito jovens, na faixa dos 20 anos, por exemplo, devemos sempre pensar em síndromes hereditárias. Outros fatores relacionados ao aumento da neoplasia em jovens são a alteração dos hábitos de vida, como alimentação rica em gorduras, baixa ingesta de vegetais, fibras e frutas, e também a questão da exposição a fatores ambientais (poluição), tabagismo, álcool, entre outros.

Quais os “sinais” de que há algo errado com o jovem? Existem sintomas?

Os sintomas de maneira geral são iguais tanto para os jovens quanto para os com mais idade. São característicos o sangramento nas fezes, alteração do hábito intestinal, alteração no formato das fezes (que ficam mais finas), fraqueza, perda de apetite e peso. Geralmente, esses são os sintomas mais relacionados ao câncer de cólon. Ao perceber estes sintomas, a pessoa deverá procurar um médico para realizar os exames indicados.

O que são pólipos? Eles podem evoluir para um tumor?

Existem vários tipos de pólipos. Eles são como pequenas verrugas dentro do intestino e alguns deles, geralmente os adenomatosos, podem evoluir para um tumor maligno. Esse processo, em geral, demora alguns anos. Quando diagnosticamos e retiramos esses pólipos, cortamos o ciclo da formação do tumor, evitando assim que o mesmo se desenvolva.

Quais os fatores de risco?

Em geral os pólipos são assintomáticos e podem aparecer em qualquer indivíduo de forma esporádica (casual). Temos conhecimento, entretanto, que alguns pacientes apresentam síndromes hereditárias, como as poliposes adenomatosas familiares, que levam o indivíduo a desenvolver o câncer relacionado ao pólipo. Nesses casos, irão desenvolver tumores a partir dos pólipos intestinais. Entretanto, esse tipo de síndrome engloba apenas 1% dos casos de câncer de cólon, aproximadamente.

O histórico familiar influi na incidência para novos casos em jovens. A Síndrome de Lynch tem uma relação com essa questão?

A Síndrome de Lynch está relacionada ao aumento do câncer em jovens, não só de cólon, mas também de intestino delgado, endométrio, mama e outros. Trata-se de uma doença hereditária. Quando o câncer de cólon está presente em indivíduos com menos de 50 anos, um aconselhamento genético é recomendado para triar a presença de síndromes hereditárias, como a de Lynch.

Quais os exames necessários para um diagnóstico?

O principal exame complementar para o diagnóstico do câncer de cólon é a colonoscopia, pois permite estudo de todo o intestino grosso, ressecção de lesões pré-malignas e biópsias, quando indicados. De maneira geral, todas as pessoas devem fazer a colonoscopia de screening (rastreio) a partir dos 50 anos para identificar alterações que possam levar ao câncer de cólon e reto, como os pólipos. Entretanto, se você tem algum familiar de primeiro grau com câncer de intestino, o ideal é fazer o exame 10 anos antes da idade em que o mesmo apresentou o diagnóstico. Por exemplo, a pessoa descobriu que tinha câncer aos 50 anos, logo, o seu filho deve começar a investigação a partir dos 40 anos.

Quais as principais orientações para a população?

É importante que as pessoas não menosprezem os sintomas e que não tenham vergonha de procurar um médico quando tiver algum tipo de alteração, como sangramento nas fezes ou dor para evacuar. Alguns sintomas como alteração do hábito intestinal ou perda de peso também devem ser investigados. Sangramentos podem até ser algo simples e benigno, como hemorroidas ou fissuras, porém só um exame adequado poderá definir ao certo a causa do problema. Alimentação saudável e práticas de exercícios com regularidade servem, de maneira geral, como prevenção para uma série de problemas de saúde, incluindo também os tumores. Não menosprezar pequenos sintomas, pois, quanto mais cedo diagnosticado um tumor, maior é a sua chance de cura.

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