A cada ano, 24 mil crianças nascem com problemas no coração

O diagnóstico precoce pode salvar vidas e, com tratamento adequado, a criança têm chances de levar uma vida normal

 

A incidência de problemas no coração presentes desde o nascimento é de 8 a 10 por 1000 nascidos vivos, de acordo com números de 2014 da Organização Mundial de Saúde (OMS). Apesar de raro, muitas crianças têm esse tipo de problema no Brasil. Os dados apontam para uma taxa de natalidade no país de 3 milhões, se levada em conta a incidência prevista, são cerca de 24 mil crianças com malformação nascidas durante o ano.

Por conta dos altos índices, neste domingo, dia 12, é lembrado o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita. “A notícia boa é que essa complicação é reversível, e não uma condenação. Quanto antes for tratada, maior a chance de o paciente levar uma vida normal”, relata o cardiologista pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe, Nelson Miyague.

A anormalidade na estrutura ou função do coração pode ser identificada ainda durante a gravidez, por meio do exame de ultrassonografia, com o qual é possível perceber alterações na formação do feto. Nesse caso, é feito um ecocardiograma para identificar o problema. O diagnóstico precoce é importante para o planejamento do parto e pode salvar a vida do bebê.

O tratamento mais recorrente para 35% dos cardiopatas congênitos é a intervenção cirúrgica. São aproximadamente 8,4 mil crianças que passam por cirurgias pontuais, sem considerar a necessidade de novos procedimentos durante a vida.

O Brasil conta com apenas oito centros de cardiologia exclusivamente pediátricos, de acordo com dados da Revista Brasileira de Cirurgia Cardíaca de 2013. Apenas dois deles realizam mais de 100 cirurgias por ano em crianças de até um ano. “De zero a 29 dias, somente o Pequeno Príncipe faz mais de 50 cirurgias por ano – em 2015, foram 70 recém-nascidos”, destaca Miyague.

 

Cardiologia no Pequeno Príncipe

Por ano, o Hospital realiza cerca de 500 cirurgias pediátricas e é pioneiro desse serviço no Paraná. A maior parte delas ocorre em crianças menores de um ano de idade – 270, somente em 2015. A instituição também é referência em cirurgias cardiovasculares em recém-nascidos no estado. Em âmbito nacional, é o segundo hospital em número de cirurgias cardíacas pediátricas e líder em atendimentos ambulatoriais na área de Cardiologia.

“O diferencial do Pequeno Príncipe é a presença de profissionais especializados. Por exemplo, nós temos cirurgiões que só operam o público pediátrico. Além disso, contamos com equipamentos exclusivos para crianças com diferentes pesos. Nos casos dos recém-nascidos , é muito difícil encontrar essa estrutura em outro lugar”, conta o cardiologista.

O Serviço de Cardiologia do Pequeno Príncipe existe há 60 anos e a primeira cirurgia ocorreu há 40 anos. Desde então, mais de 15 mil vidas foram transformadas. Só nos últimos três anos, foram realizados seis transplantes de coração. <camila.mendes@hpp.org.br>

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.