Efetividade e impacto da vacina contra o HPV são apresentados em congresso mundial

Salzburgo, Áustria, 16 de junho de 2016 – Uma revisão sistemática sobre o impacto global e efetividade da vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante), conhecida popularmente como vacina quadrivalente contra HPV, mostrou reduções substanciais no número de infecções, verrugas genitais, anormalidades de Papanicolaou e lesões pré-cancerosas de colo do útero relacionados com os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18, contra os quais a vacina quadrivalente, disponível gratuitamente no Brasil pelo SUS, protege1,2.

A avaliação dos 58 estudos mais relevantes de efetividade e impacto publicados durante os últimos 10 anos analisou o uso da vacina quadrivalente em programas nacionais de imunização em nove países: Austrália, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia. O estudo acaba de ser publicado na versão online do Clinical Infectious Diseases (CID – 14/06/2016)1.

Os resultados foram apresentados hoje, pela primeira vez durante uma sessão oral no congresso EUROGIN (European Research Organization on Genital Infection and Neoplasia), na Áustria, por Suzanne Garland, uma das maiores especialistas em HPV no mundo, professora da Universidade de Melbourne, diretora de pesquisa e chefe de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas do Royal Women’s Hospital, na Austrália.

 

Principais resultados sobre o impacto da vacina quadrivalente contra o HPV1

  • A PARTIR DE UM ANO – A redução de verrugas genitais foi o primeiro impacto observado em todos os nove países (baseado em 28 publicações), com quedas que ocorrem em curto intervalo de tempo.
  • EM QUATRO ANOS – A redução das infecções pelos HPV 6, 11, 16 e 18, mostradas em 14 publicações de cinco países (Austrália, Bélgica, Alemanha, Suécia e Estados Unidos), também foram observadas após a vacinação.
  • DE TRÊS A CINCO ANOS – Posteriormente, quando as meninas vacinadas começaram a entrar na idade para a realização de exames preventivos de rotina, foram observadas reduções  de lesões pré-cancerosas de colo do útero na Austrália, Canadá, Dinamarca, Suécia e Estados Unidos.
  • O QUE AINDA VIRÁ PELA FRENTE – Ainda não há dados no mundo para a redução dos casos de câncer de colo do útero, em função da maioria dos grupos vacinados ainda não ter atingido idade em que a doença é tipicamente diagnosticada. Assim, o benefício esperado da vacinação na incidência de determinados tipos de câncer relacionados com o HPV ainda não pode ser totalmente determinado, por causa dos longos períodos de latência após a exposição ao HPV.

Os aspectos apresentados acima foram observados em adolescentes, mas também em mulheres com cerca de 20 anos, após a introdução da vacina nos países estudados. Porém, as reduções ocorreram com maior prevalência em populações mais jovens, refletindo uma menor probabilidade de infecção pré-existente pelo HPV no momento da vacinação e apoiando recomendações globais para o uso rotineiro da vacina contra HPV em adolescentes1.

“Apesar do progresso que fizemos em exames preventivos e na vacinação, o câncer de colo do útero e outras doenças relacionadas com o HPV ainda são um problema de saúde pública em países desenvolvidos e em desenvolvimento, o que mostra a necessidade de programas de vacinação contra o HPV mais abrangentes em adolescentes antes que eles estejam em risco de contrair o vírus”, informa Suzanne Garland, diretora do Centro de Doenças Infecciosas para Mulheres do The Royal Women’s Hospital, Victoria na Austrália, país referência em programas de imunização pública contra o HPV.

Os resultados dos estudos variaram de acordo com a cobertura vacinal, da faixa etária da população participante, do número de doses recebidas, bem como do desenho do estudo e da evolução das doenças avaliadas ao longo dos 10 anos1.

 

De acordo com os dados apurados:

  • O impacto global da vacinação foi maior nos países que alcançaram altas taxas de cobertura logo após a introdução da vacina e nos grupos com indivíduos mais jovens como, por exemplo, na Austrália1:

o   Diminuição de 86% nos índices de infecção pelo tipos de HPV 6, 11, 16 e 18 nas mulheres de 18 a 24 anos de idade, após 6 anos da introdução da vacinação  com 73% de cobertura vacinal de três doses entre as adolescentes;

o   Redução de 92,6% nos casos de verrugas genitais diagnosticadas entre mulheres com menos de 21 anos, após 4 anos da implantação do programa de vacinação;

o   Redução dos casos de pré-câncer de colo do útero entre mulheres que foram vacinadas com as três doses em 2007 com idade entre 11 e 27 anos;

o   Entre as mulheres de 15 a 18 anos, a queda girou em torno de 57% e entre as aquelas com idades entre 23 e 27 anos, a redução foi de 5%.

 

  • No caso das verrugas genitais, ainda na Austrália, o estudo apontou1:

o   Redução de 92,6% nos casos entre mulheres com menos 21 anos;

o   Diminuição de 72,6% entre as mulheres de 21 a 30 de idade.

 

  • As reduções dos casos de condilomas foram inferiores a 50% entre as adolescentes de 15 a 19 anos em países nos quais a cobertura vacinal foi inferior aos da Austrália, como na França e na Alemanha1.

 

“Os dados encontrados nestes estudos reforçam a importância da vacina no combate ao câncer cervical, de outros tumores malignos e de doenças relacionadas ao HPV. Contudo, o impacto positivo da vacinação pública de meninos e meninas contra o HPV ainda não foi reconhecido, mesmo após uma década de vacinação”, disse Jacques Cholat, presidente mundial de vacinas da MSD.

 

Estudo de revisão sistemática1

Este estudo de revisão sistemática identificou 58 estudos de efetividade e de impacto publicados no período de janeiro de 2007 e fevereiro de 2016, por meio de pesquisa nos portais PubMed e Embase e legitimados por pesquisadores médicos. O material faz uma síntese dos dados de vida real disponíveis para quantificar a efetividade e o impacto da vacina quadrivalente em programas nacionais de imunização.

Tanto a efetividade quanto o impacto da vacina procuram determinar seu “benefício em vida real” e são tipicamente avaliadas por estudos observacionais. A efetividade da vacina corresponde à proporção de infecção ou doença prevenida entre os indivíduos vacinados, e é estimado pela comparação da incidência nos vacinados versus os não vacinados dentro de uma população. O impacto da vacina denota a fração da população prevenida contra a doença ou infecção e é avaliada pela prevalência ou incidência na população após a introdução da vacina comparada com o período pré vacinação, ou medida ao longo do tempo.

 

VACINAS CONTRA O HPV NO BRASIL

No Brasil, a vacina que protege contra os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18 (conhecida como quadrivalente) é oferecida gratuitamente para meninas de 9 a 13 anos e para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade vivendo com HIV pelo Programa Nacional de Imunizações2.

A vacina quadrivalente é aprovada em 132 países e mais de 208 milhões de doses já foram distribuidas no mundo. No Brasil, a vacina é aprovada para mulheres de 9 a 45 anos e meninos e homens de 9 a 26 anos, para proteção contra cânceres e lesões pré-cancerosas de colo do útero, vagina, vulva e ânus, além das verrugas genitais3.

Também é comercializada no país a vacina contra os tipos de HPV 16 e 18 (conhecida como bivalente), que previne o câncer do colo de útero para mulheres a partir de 9 anos de idade4. <cristina.camarena@ketchum.com.br>

 

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