Vida que segue: menina conhece seu doador de medula óssea

Geograficamente, quase 1000 km separam as cidades de Xambrê, PR, e Guabiruba, Santa Catarina (para ser mais exato, 837 km pela BR-277, segundo o Google Maps). Essa enorme distância praticamente impossibilita que duas pessoas se conheçam, ou que, além disso, uma impacte significativamente na vida de outra. Pois bem, esse era o espaço inicial entre a xambreense Gabrielly Aparecida, de 11 anos, que necessitava de medula óssea, e seu doador, o guabirubense Nelson Dalbosco.

Próximo à divisa com Mato Grosso do Sul e o Paraguai, está Xambrê. Para ir do noroeste paranaense a Curitiba, são necessárias cerca de 8 horas, viagem que Gabrielly fazia desde outubro de 2013, quando começou seu tratamento no Hospital de Clínicas. Diagnosticada com Leucemia Linfoblástica Aguda (tipo de câncer nos glóbulos brancos do sangue que pode se estender por todo o corpo), a menina precisava urgentemente de um transplante.

O procedimento só aconteceu um ano depois, em setembro de 2014, quanto ela tinha apenas nove anos. Nesse tempo, procurou-se um doador na família. Como nenhum parente era compatível, o recurso encontrado foi entrar na fila do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A lista é nacional, mas o REDOME possui um acordo com o cadastro mundial de possíveis doadores. A dificuldade em encontrar alguém compatível é muito grande, pois segundo Samir Kanaan Nabhan, médico hematologista do Complexo Hospital de Clínicas, a probabilidade disso acontecer é de uma em 100 mil pessoas. Por sorte do destino, a solução estava com Nelson Dalbosco, morador do estado vizinho, Santa Catarina.

“Ele salvou a minha filha. Se não fosse por ele, não sei o que aconteceria”, afirma emocionada Vanilda da Silva Andrade, mãe da Gabrielly. “Foi muito importante. Também sou muito agradecida à equipe médico, pois o tratamento aqui foi muito bom”, finaliza.

Mas qual foi a motivação para se voluntariar a algo tão importante? “Decidi entrar na lista de doadores por causa de uma ação que aconteceu em minha cidade, para ajudar outra criança”, conta Nelson.

O encontro

Quarta-feira, 8 de junho de 2016, Hospital de Clínicas em Curitiba. “Brincando muito? Fazendo muita bagunça? Dando muito trabalho para a sua mãe? Foi muito gratificante?” Com essas palavras, Nelson deu um abraço na criança que salvou. A alegria de quem doa e a felicidade de quem está viva era visível, assim como as lágrimas dos funcionários e parentes que estavam no local.

Francelaine Lopes Roberto, residente do 2º ano de Terapia Ocupacional, acredita que a situação é um aprendizado para a vida. “São boas experiências que a residência nos traz, que o TMO [Transplante de Medula Óssea] trouxe para nós”, diz. Danielle de Fátima Kichileski, também R2 de TO, define o encontro entre receptor e doador como emocionante. “O ato estimula a querer ajudar ao próximo. Salvar vidas”, conclui.

Doe vida

Para doar medula óssea no Complexo Hospital de Clínicas, o interessado deve se dirigir ao Biobanco – Banco de Sangue do Hospital de Clínicas, localizado na Rua Agostinho Leão Júnior, 108. O local está aberto de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h e sábado das 7h30 às 12h30.

Requisitos para ser um doador:

  • Ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado de saúde;
  • Doar uma pequena quantidade de sangue (10ml) para tipagem Genética;
  • Preencher um cadastro informando os seus dados pessoais;
  • O sangue será submetido a um exame de histocompatibilidade (tipagem HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas. O resultado do exame e seus dados pessoais serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).
  • As informações genéticas são cruzadas com os dados dos pacientes. Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para decidir quanto a doação.
  • Caso você seja convocado a doar, outros exames adicionais serão necessários para certificar seu estado de saúde.

Para maiores informações, telefone para o número (41) 3360-1875, mande uma mensagem para “doe_mo@hc.ufpr.br” ou acesse o link: http://www.hc.ufpr.br/?q=content/114-medula-ossea.

Fotos Lorival Veloso (Unicom – CHC/UFPR)

Leonardo Henrique dos Santos orientado por Renildo Meurer – Unicom – CHC/UFPR
Imagens: Lorival Veloso – Unicom – CHC/UFPR

<assmkthc@gmail.com>

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