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Arquitetura: Toledo se verticaliza ao passo que sua economia cresce

A cidade jovem começa a riscar o céu. Assim é o horizonte de quem olha Toledo hoje. Em pouco mais de 60 anos de história, o município que predominava um padrão horizontal do ponto de vista construtivo, se transformou em um canteiro de obras verticais, em especial, na área central e adjacentes.

A nova tendência pode ser vista como um negócio, não só para moradia, mas também, para investimentos. Na visão do arquiteto e urbanista, Ricardo Sardo, que acompanhou as mudanças da cidade nas últimas décadas, a verticalização é uma das principais. “A cidade mudou o próprio perfil, o trânsito e os fluxos. Surgiram diversos empreendimentos noturnos nos últimos 15 anos, mas assim como a verticalização, as mudanças podem ser vistas na expansão horizontal em áreas como o Coopagro e Panorama”.

A vocação econômica também influenciou na transformação. Até a década de 1980, São Paulo concentrava 44% de toda produção brasileira e hoje representa cerca de 20%. Isso porque o país passou por um processo de interiorização em meados da década de 1990 e Toledo foi inclusa no hall das cidades polo, devido a vocação agropecuária em um país que investe em commodities mundiais da agricultura e pecuária. “Toledo está nesse cenário e ganha com a diversificação. Além de ser um polo universitário possui uma indústria significativa”.

Todas essas transformações dialogam com a arquitetura do município. As casas colônias de madeira, hoje estampam apenas os livros de história, sendo raras as que ainda sobrevivem em meio a cidade. Enquanto isso, dos pontos altos do município se observa cada vez mais um novo horizonte, cheio de pontas e formas geométricas, cada vez mais próximas do céu. “A arquitetura é historicamente reflexo do modo de vida da sociedade e se há uma atividade econômica forte a arquitetura vai ganhar e crescer com isso também”, comenta Sardo.

Projetos

Para atender essa nova demanda que surge, atualmente o escritório do arquiteto trabalha com algumas encomendas de investidores e grupos de condomínios. “Essa, aliás, é uma outra alternativa, pois ao invés do investidor ou futuro proprietário comprar um apartamento pronto no valor final, ele pode dar uma entrada bem menor, em torno de 10% a 20%, e participar de um grupo de construção. É interessante tanto para quem está comprando, como para quem está fazendo o empreendimento, porque não precisa fazer todo o aporte para depois vender”.

Do ponto de vista da técnica construtiva, a nova tendência de prédios e condomínios de apartamentos exige ainda mais cuidados. “Muda bastante, pois a exigência legal para os escritórios de arquitetura é maior e os projetos são mais complexos, pois dependem de outros, como o de bombeiros, que não é exigido em residências. Todos os projetos complementares, que não são realizados pelo arquitetos, precisam ser compatíveis com o arquitetônico”.

Conforto

Os apartamentos tem conceitos bem diferentes das residências, mas surgem com uma vantagem: o valor. Mesmo os de alto padrão podem sair mais em conta devido à valorização dos terrenos na região central da cidade. Por outro lado, as residências permitem futuras expansões.

Ricardo Sardo explica, que os apartamentos são projetados para atender as necessidades gerais de uma família. “Nós fazemos a residência em um lote separado com uma encomenda direta à demanda do cliente que contrata. No apartamento, o cliente na maioria das vezes não existe, existe o empreendimento como um todo, então procuramos dar um padrão médio que vá atender ao máximo as exigências de quem procura por esse tipo de moradia”, explica.

As áreas de convivência do lar são as mais valorizadas, destaca o arquiteto. “É essencial uma boa sala e cozinha também, porque as pessoas estão valorizando a recepção de familiares e amigos. A cozinha americana, por exemplo, é uma tendência do momento”. Áreas de festa e ginástica no condomínio, por exemplo, não estão inclusas na área privativa, mas são cada vez mais importantes em projetos.

Ricardo Sardo

Ricardo Sardo é natural de Porto Alegre. Se formou no início dos anos 80 e estudou um período na Inglaterra e na Argentina. Logo que ingressou no mercado de trabalho o país enfrentou uma grave crise de desemprego, que fez com que muitos profissionais desistissem da área. Ricardo persistiu e atuou em áreas afins, como engenharia, teatro, marketing e cerâmica, o que agregou a sua formação e compreensão dos diversos setores e processos da arquitetura. Mas o foco do arquiteto sempre foi a criação do próprio escritório. Chegou em Toledo em 1992, com 9 anos de formação e um amplo repertório agregado ao processo criativo.  Entre os principais projetos do arquiteto está o Teatro de Toledo, a Faculdade Sul Brasil, Planos Diretores e uma casa em Londres. Atualmente, além do escritório, Ricardo atua como professor universitário, em disciplinas como Planejamento Urbano.

Crédito Secretaria de Comunicação Social de Toledo

Crédito Secretaria de Comunicação Social de Toledo

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