Atividade física melhora qualidade de vida de pacientes com epilepsia

Pessoas com epilepsia apresentam depressão e ansiedade, além de uma baixa autoestima e problemas emocionais que prejudicam a qualidade de vida. Em geral, sabe-se que o exercício físico moderado tem sido grande aliado na reversão de quadros de depressão e outros sintomas semelhantes.

Uma pesquisa feita na Unicamp junto a um grupo de 80 pacientes com epilepsia demonstrou que a prática de atividades físicas pode proporcionar diversos benefícios nos aspectos psicológicos deste grupo. Entre os praticantes de atividade física houve uma melhora significativa na autoestima, na diminuição dos sintomas depressivos, no aumento da resiliência e na percepção sobre a qualidade de vida.

Segundo o neurologista do HCor Neuro, Dr. Mauro Atra, ao mesmo tempo em que o exercício físico modifica positivamente os aspectos fisiológicos e psicológicos de pessoas com epilepsia, restringi-los a participação de atividades físicas ou esportivas pode causar efeitos deletérios físicos e mentais. “Restringir esses indivíduos do exercício físico pode causar um sentimento de inferioridade que pode levar à depressão e à ansiedade”, explica.

Os riscos envolvidos na participação esportiva deveriam ser considerados em relação ao trauma psicológico resultante de restrição desnecessária de atividades físicas. “Acredita-se que as alterações emocionais decorridas pela restrição da atividade esportiva nestes indivíduos são mais prejudiciais que as próprias crises epilépticas”, complementa.

A epilepsia é uma síndrome caracterizada pela alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, indicando que um grupo de células cerebrais se comporta de maneira instável causando reações físicas. Em outras palavras, as crises se manifestam quando uma região do cérebro, que pode ser bem restrita ou envolver os dois hemisférios cerebrais, começa a emitir impulsos de forma autônoma.

“Seria como um “curto-circuito” naquela região. Esta descarga é a responsável pelos sintomas que o paciente não consegue controlar. Os sintomas são os mais variados, as crises duram alguns segundos ou minutos e podem ser acompanhados por manifestações clínicas como contrações musculares, mordedura da língua, salivação intensa, “desligamento” por alguns segundos, movimentos automáticos e involuntários do corpo, percepções visuais ou auditivas estranhas e alterações transitórias da memória”, salienta Dr. Mauro Atra, do HCor.

A crise mais conhecida pela população é a queda ao solo, seguida de salivação e movimentos bruscos de braços e pernas chamada crise tônico-clônica generalizada. A pessoa pode relatar desde um mal estar vago, sensação inexplicável de medo intenso, alterações na visão como enxergar bolas coloridas etc. Os remédios para controle da epilepsia atuam de diferentes formas. Em geral, diminuindo a liberação dos transmissores que excitam aquela área propensa a ter crises ou estimulam a liberação de transmissores que tentam diminuir essa excitação. Quando administrados de forma adequada, as medicações controlam as crises em 70% dos pacientes.

Além da importância do medicamento, a atividade física pode ser uma aliada no controle das crises, já que melhora a autoestima, aumenta a sensação de bem-estar e ajuda a evitar a depressão e a ansiedade. “O primeiro passo é procurar pelo médico e verificar quais exercícios são indicados, pois a aprovação e intensidade dependerão do grau apresentado por cada indivíduo, ou seja, não é indicado fazer qualquer exercício por contra própria.

Atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epilepsia afeta cerca de 65 milhões de pessoas no mundo, sendo aproximadamente 1,9 milhão no Brasil”, alerta.

Alguns exercícios indicados para portadores de epilepsia:
 

Exercícios aeróbios: são aqueles realizados com intensidade baixa ou média, por tempo prolongado, em geral acima de 15 a 20 minutos. São indicados a caminhada durante uma hora, corrida por tempo variável, dependendo do condicionamento físico, esteira ou bicicleta ergométrica em academias. Eles ajudam na melhora das funções cardiorrespiratórias e vascular, frequência cardíaca, a qual suportará esforços físicos, o trabalho muscular e a produção de massa óssea, que podem ser comprometidas pelas medicações antiepilépticas.

Exercícios anaeróbios: são aqueles de grande intensidade e curta duração, como corrida intensa por um breve período, impulsões em exercícios coletivos como futebol, basquetebol e voleibol, nos quais se alterna atividade aeróbia e anaeróbia. Esse tipo de atividade ajuda no desempenho esportivo e na sociabilização. (rita@targetsp.com.br)

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