A Rota das Missões no Noroeste gaúcho

Tocha Olímpica começa esta segunda-feira (4) em São Miguel das Missões, passa por Santo Ângelo e Ijuí e pernoita em Cruz Alta, no Noroeste do Rio Grande do Sul

Por Geraldo Gurgel

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Ruínas de São Miguel das Missões. Crédito: Divulgação / Embratur


São Miguel das Missões recebe a chama Olímpica, nesta segunda-feira (4), no conjunto arqueológico mais importante do Brasil e patrimônio cultural da humanidade, reconhecido pela Unesco. Trata-se do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, conhecido como Ruínas de São Miguel das Missões. O conjunto, remanescente dos Sete Povos das Missões Jesuíticas na América, impressiona por sua grandiosidade. Integra o roteiro turístico local a Aldeia Guarani, o Museu das Missões, a Cruz Missioneira, a Fazenda da Laje, a Fonte Missioneira, o Ponto de Memória Missioneira e o Pórtico com escrita em guarani – CO YVY OGUERECO YARA, que significa “esta terra tem dono”. Outros atrativos da Região das Missões são a Catedral Angelopolitana, de Santo Ângelo; os Sítios Arqueológicos de São João Batista, São Lourenço e São Nicolau; e o Circuito Internacional das Missões Jesuíticas – Brasil, Argentina e Paraguai.

Os objetivos da Companhia de Jesus eram a doutrina e a catequese. Os índios guarani tornaram-se artífices (metalúrgicos, tipógrafos, escultores, pintores, músicos e ceramistas). Com a expulsão dos jesuítas (1768), a região que foi colônia espanhola, a partir de 1801 passou para o domínio de Portugal. A população local, que era de 4.492 indígenas no início da missão (1694), foi reduzida a 600 nativos na independência do Brasil (1822). A Guerra Cisplatina (1828) destruiu o que restava da civilização missioneira.

Uma curiosidade é que as missões eram compostas basicamente da igreja, colégio, oficinas, cemitério, cotiguaçu (casa grande das viúvas que, entre outras atribuições, cuidavam dos órfãos), e hospedaria. Em volta da missão, as casas dos nativos formavam a redução indígena.


A beleza de Santo Ângelo. Crédito: Prefeitura municipal


Santo Ângelo foi o último dos Sete Povos das Missões e chegou a ter oito mil habitantes no apogeu do domínio espanhol, mas foi destruída a partir de 1756 com a chamada Guerra Guaranítica. Hoje, a cidade possui uma rica cultura por causa de etnias que se estabeleceram com a vinda de imigrantes. Entre as atrações turísticas estão os museus Dr. José Olavo Machado, Marechal Rondon e Ferroviário. A Catedral Angelopolitana, o Santuário de Schoenstatt e o Memorial Coluna Prestes, primeiro monumento de Oscar Niemayer no estado, integram o roteiro turístico por onde a tocha olímpica vai passar na “Capital das Missões”.

Ijuí está localizada na região turística da Rota do Yucumã. A cidade mantém suas raízes preservadas através de três Centros de Tradições Gaúchas “CTG’s”. A Usina Velha é a mais antiga geradora elétrica do Rio Grande do Sul em operação e oferece infraestrutura para receber turistas, com cascata e belas paisagens. Ijuí recebeu imigrantes de várias nacionalidades e é conhecida por “Terra das Culturas Diversificadas”. Essa diversidade cultural é representada por dezenas de etnias numa exposição anual que atrai visitantes para a cidade.

Cruz Alta, na Rota das Terras Encantadas, é a cidade de pernoite da Tocha Olímpica e terra do escritor Érico Veríssimo, nome do museu local e uma das atrações do município. Outros pontos turísticos são a Casa de Cultura, o Palácio da Intendência, a Maria Fumaça, a Cascata Nossa Senhora da Conceição, o Marcos Nossa Senhora de Fátima e o Marco Inicial. A cidade ficava na linha do Tratado de Santo Ildefonso (1777), divisória das terras de Portugal e Espanha. O local era demarcado por uma grande cruz erguida pelos Jesuítas em 1698.

INVESTIMENTOS – O Ministério do Turismo já investiu, desde sua criação, R$ 870 mil em oito projetos de infraestrutura turística de São Miguel das Missões; R$ 3,7 milhões, também em oito projetos, de Santo Ângelo; R$ 1,1 milhão em Ijuí, com três projetos; e R$ 2,8 milhões em oito projetos de infraestrutura de Cruz Alta. Em todo o Rio Grande do Sul, os investimentos da Pasta em infraestrutura turística já somam R$ 581 milhões.  <ascom@turismo.gov.br>

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