Mulheres são as maiores vítimas das varizes

Salto alto e pílula anticoncepcional não são mais os grandes vilões

O uso contínuo e prolongado de anticoncepcional, calça justa diariamente e salto sempre foram apontados como os vilões causadores das varizes. Mas, há controvérsias. O médico cirurgião vascular do Hospital São Vicente e professor da Universidade Federal do Paraná, Paulo Baggio, explica que esses podem ser alguns dos fatores, mas o principal motivo do problema é outro: a hereditariedade, que se passa de pais para filhos.

“Normalmente, a pessoa já nasce com a predisposição a fragilidade do sistema venoso”, diz. “O anticoncepcional contribui para fragilizar as veias, os calçados de salto muito altos podem até exercer uma pequena influência, mas os fatores genético e hormonal é o que ditam se a pessoa terá o problema”, afirma o especialista.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), as varizes atingem cerca de 38% dos brasileiros. Entre as mulheres, o problema é maior: 45% delas sentem o incômodo contra 30% deles.

A sobrecarga no sistema venoso do homem surgiu na época dos primatas, desde que começamos a nos sustentar sobre duas pernas, o trabalho do sistema (formado pelas veias dos membros inferiores) tornou-se maior. A pressão sanguínea e a fragilidade das válvulas que sustentam o sangue podem deixar as veias das pernas dilatadas, frágeis e aparentes, ocasionando as varizes. “A panturrilha e a coxa injetam sangue para o pulmão, e as válvulas abrem-se e logo após se fecham para evitar o refluxo do sangue. O que acontece é que, com a pressão do sangue, a parede das veias se torna frágil e fina, e a pressão do sangue dilata essas veias, que ficam dilatadas, alongadas e tortuosas com o refluxo do sangue”, explica o cirurgião vascular.

Outras causas e prevenção
Trabalhar muito tempo sentado ou em pé também pode ser um complicador ou até mesmo um desencadeador do problema. “Dessa forma, o indivíduo não movimenta a musculatura da perna, o sangue não circula adequadamente e as veias podem dilatar”, observa Baggio.

A obesidade – apontada hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo – também pode piorar o quadro das varizes, e até mesmo contribuir severamente para que a doença seja desencadeada, já que o excesso de peso acaba exercendo uma pressão ainda maior sobre as pernas e, por consequência, sobrecarregando o sistema venoso. “Por isso, é importante se manter dentro do peso. Tratar a obesidade é fundamental”, salienta.

O médico esclarece que fazer exercício físico é uma forma de prevenir o problema. “A panturrilha é o nosso coração venoso periférico, e precisa estar sempre em movimento para que não haja alteração venosa”. Ele indica várias atividades, como alongamento, pilates, musculação e atividades aeróbicas, como corrida, ciclismo, natação ou, simplesmente, uma caminhada diária.

Para quem trabalha muito tempo em pé ou sentado, a dica básica é movimentar de tempo em tempo a musculatura das pernas.

Tratamento
A cirurgia é indicada para melhorar as varizes – além da questão estética, o problema causa dores, inchaço e edemas. “Na maioria dos casos pode ser realizada a microcirurgia, feita com um micro gancho que se assemelha a ponta de uma agulha de crochê para eliminar a chamada veia nutrícia, que é a responsável pelas varizes e varicoses”, detalha Dr. Baggio. A operação é simples e, se for feita pela manhã, à tarde o paciente já está em casa, diz o médico. A recuperação é de, em média, uma semana. É indicado que a pessoa se movimente para que não ocorram problemas como trombose.

Também existem técnicas mais recentes como Laser e Radiofrequência que, salienta o cirurgião vascular, têm a mesma eficácia que o método tradicional. “As microvarizes ou varicoses também podem ser tratadas com escleroterapia (aplicação de substancias no interior das veias) e ou Laser como terapia complementar. “Mas, só se deve fazer tratamento com cirurgião vascular, e nunca por profissionais não especializados”.

 

Sobre o Hospital São Vicente-Funef
O Hospital São Vicente atende a diversas especialidades, entre elas Cardiologia e Oncologia. Atende pelo SUS, planos de saúde e particular. Fundado em 1939, o Hospital São Vicente é administrado pela Funef – Fundação de Estudos das Doenças do Fígado Kotoulas Ribeiro desde 2002. Essa junção, realizada pelo então presidente Marcial Carlos Ribeiro, fortaleceu as instituições, transformando o Hospital São Vicente–Funef em referência em transplantes.

De alta complexidade, o hospital atende a diversas especialidades clínicas e cirúrgicas, sempre pautado pela qualidade e pelo tratamento humanizado. A instituição integra a lista de estabelecimentos de saúde que atendem ao padrão de qualidade exigido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, órgão regulador vinculado ao Ministério da Saúde. Mais informações pelo www.hospitalsaovicente.com.br.

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