10 dúvidas sobre métodos contraceptivos de longa ação. Veja o que dizem os especialistas

Ao pensar em como evitar a gravidez, a pílula é sempre a primeira opção lembrada. Mas, hoje já existem inúmeros métodos contraceptivos que ampliam as possibilidades e podem facilitar a escolha de acordo com as circunstâncias de cada mulher ou também da adaptação de cada organismo.

Para indicar um método anticoncepcional, seja ele de curta ou longa ação, o médico deve avaliar o perfil de cada paciente, entender as suas expectativas e mostrar as vantagens e desvantagens de cada opção.

Conhecidos como LARCs (Long Acting Reversible Contraception ou Contracepção Reversível de Longa Duração, em português), esses contraceptivos atrelam facilidade de utilização ao bloqueio da fertilidade pelo tempo desejado, ou seja, oferecem contracepção por muito mais tempo sem exigir compromisso periódico e permitem o retorno da fertilidade depois da sua retirada, geralmente após a próxima menstruação[1].   Há três opções disponíveis, o implante subcutâneo, o dispositivo intrauterino (DIU) com cobre e o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel – um DIU com hormônio.

Como os LARCs não dependem do uso diário sempre na mesma hora e nem da lembrança da usuária, a taxa de eficácia desses medicamentos é maior, sendo o implante o primeiro da lista, e por isso são considerados os métodos anticoncepcionais mais eficazes[2],[3]pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para entender melhor os benefícios, fomos conversar com a ginecologista Cristina Guazzelli, professora da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP. Na entrevista, a médica esclarece as principais dúvidas sobre esse tipo de contracepção. Confira!

 

  1. Como são esses contraceptivos?

Todos são opções interessantes e devem ser divulgados entre as mulheres.

  • Implante: é um bastonete de 4 cm de comprimento, produzido por um material plástico especial – chamado EVA (etileno vinil acetato) – flexível e estéril. Contém em sua composição um hormônio sintético, chamado etonogestrel que já é muito utilizado  nas pílulas anticoncepcionais[4].
  • Dispositivo intrauterino – DIU – é um contraceptivo que é colocado dentro do útero. No Brasil temos: DIU com cobre e o SIU, um DIU com hormônio (progesterona).

 

  1. Onde são colocados?

O implante é inserido no braço não dominante, embaixo da pele. Tanto o DIU de cobre quanto o DIU com hormônio são colocados dentro do útero, na cavidade intrauterina.

O procedimento para qualquer um dos métodos é simples, rápido e costuma ser realizado no consultório médico.

 

  1. Como funcionam?
  • Implante: A progesterona, hormônio contido no implante, é liberada gradualmente no organismo, com a função de inibir a ovulação, garantindo a contracepção e impedindo a gravidez.
  • Dispositivo intrauterino – transformam o útero em um ambiente hostil aos espermatozóides, evitando a chegada dos mesmos até as trompas.

O DIU com cobre (que é um metal) pode ser utilizado por até 10 anos. O cobre tem ação espermaticida, isto é destrói os espermatozoides, impedindo sua penetração no útero.

Já o DIU com hormônio libera a progesterona no útero gradualmente, por cinco anos. Esse hormônio altera a secreção do colo uterino impedindo e dificultando a penetração dos espermatozoides.

 

  1. Quanto tempo duram?

O implante contraceptivo tem ação por três anos, o dispositivo intrauterino com cobre dez anos e o sistema intrauterino (SIU) liberador de hormônio (levonorgestrel) age por até cinco anos.

O uso de qualquer um deles é reversível, ou seja, pode ser interrompido se houver o desejo pela maternidade em qualquer momento. Quando retirados, ocorre o retorno da fertilidade pré-existente imediatamente ou logo após não importando por quanto tempo a pessoa utilizou o método.

 

  1. Servem apenas para contracepção?

A função de todos eles é garantir a contracepção e impedir a gravidez, mas podem ter outros benefícios, como melhorar a cólica menstrual, diminuir o sangramento, melhorar tensão pré-menstrual.

 

  1. Por que são mais eficazes que os demais métodos?

Porque não exigem uma ação diária ou regular da usuária, não necessitam da lembrança de uso, o que torna a adesão ao método muito melhor.

 

  1. São 100% eficazes?

Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, mas as taxas de falha dos LARCs são realmente baixas, quando analisamos a eficácia dos métodos. A eficácia teórica destes métodos é muito parecida com a eficácia da vida real (uso típico):

  • DIU de cobre: uma gravidez em cada 125 mulheres que utilizaram o método durante um ano[5]
  • DIU com hormônio: uma gravidez em cada 500 mulheres que utilizaram o método durante um ano5.
  • Implante: uma gravidez em cada 2.000 mulheres que utilizaram o método durante um ano5.

Quando comparamos com os métodos mais conhecidos e utilizados, podemos entender melhor a diferença: a taxa de falha média no uso típico da camisinha é de 18 a 21 gravidezes por um ano em cada 100 mulheres e da pílula hormonal 9 gravidezes em cada 100 mulheres que usaram o método5.

 

  1. Quem pode usar esse tipo de contracepção?

A princípio, todas as mulheres.que desejam utilizá-los. Há poucas situações em que os LARCs são contraindicados, por isso há necessidade de avaliação médica.

A escolha do melhor método para cada mulher deve ser feita sob orientação médica, após informação sobre todos anticoncepcionais, discussão sobre seus benefícios, riscos com avaliação das suas necessidades e preferências.

Por não terem estrogênio, geralmente, os LARCs podem ser usados por mulheres que estão amamentando ou por aquelas que tem contraindicação para o uso do estrogênio

 

  1. Eles modificam a menstruação?

Os métodos que contem hormônio (o implante e o DIU com levonorgestrel) podem causar alteração no sangramento, produzindo inicialmente um sangramento irregular com uma tendência a diminuição. Após 4-6 meses, algumas mulheres podem apresentar redução ou ficar sem sangrar, outras podem permanecer menstruando normalmente, e em alguns poucos casos, ter pequenos sangramentos prolongados (mancha na calcinha). No entanto, isso não afeta a eficácia do método ou gera qualquer risco para a saúde.

 

  1. Há problemas para engravidar, após a remoção?

Não. A recuperação da fertilidade pré-existente ocorre em seguida à retirada de qualquer um dos métodos, permitindo que a mulher engravide após a próxima menstruação caso não haja fatores clínicos precedentes que dificultem a concepção3.

É importante lembrar que a camisinha (masculina ou feminina) é o único método que previne as doenças sexualmente transmissíveis.

<saude1@ketchum.com.br>

1 Comentário

  1. Depois de tantos casos de trombose com pílulas, estou com medo de continuar usando… Estou pensando em começar a usar injeção. Vocês tem alguma informação sobre o Cyclofemina? Queria saber se engorda muito, tenho medo de engordar demais. Tentei achar na bula que encontrei nesse site http://cyclofemina.com.br/ mas queria mais detalhes…

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.