7 mitos e verdades sobre síndrome mielodisplásica

ABHH esclarece as principais dúvidas a respeito da doença que começa na medula óssea e tem a anemia como sintoma mais comum, com foco no Dia Internacional da Síndrome Mielodisplásica, datado em 25/10

 

As síndromes mielodisplásticas (SMD), cuja data internacional de conscientização é 25 de outubro, são um grupo de doenças hematológicas malignas que se iniciam na medula óssea, nosso órgão hemoformador, responsável pela formação do sangue. Por ser pouco conhecida pela população, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) divulga informações de relevância sobre a doença que afeta potencialmente pessoas acima dos 60 anos.

“A SMD tem como apresentação clínica mais comum a anemia. O indivíduo fica pálido e se queixa de fraqueza, cansaço aos esforços, peso nas pernas. A anemia no idoso é considerada um problema de saúde pública, pela sua alta prevalência. É necessária, portanto, uma avaliação criteriosa e especializada, para afastar outras causas de anemia nesse grupo populacional, como as anemias carenciais e a anemia por doença crônica para confirmação do diagnóstico”, explica Sílvia Magalhães, hematologista especializada no tratamento de SMD e diretora de comunicação da ABHH.

Confira os mitos e verdades sobre a SMD:

1.A SMD pode evoluir para outras doenças. VERDADE. As células progenitoras

acometidas podem sofrem sucessivos danos ao seu material genético,
comprometendo sua proliferação e diferenciação, condição que pode, em um
terço dos casos, evoluir para leucemia aguda.

2.A causa da doença é conhecida. MITO. Não se conhece a causa dessa doença em cerca de 90% dos casos (SMD primária). Em aproximadamente 10% dos casos a doença se desenvolve após exposição prévia a agentes quimioterápicos para tratamento de uma outra neoplasia prévia (SMD secundária).

3.Existe cura. SIM. Porém o único tratamento com potencial curativo é o transplante de medula óssea. Infelizmente, a falta de doador, a idade avançada e a presença de outras comorbidades limitam muito a disponibilidade para esse tratamento.

4.O tratamento no Brasil é acessível como nos outros países. MITO. Para os pacientes com o tipo de SMD chamado “deleção 5q” o tratamento considerado de primeira linha no mundo é a lenalidomida, com boa resposta em cerca de 70% dos casos. Essa droga, infelizmente, ainda não foi aprovada pela agência reguladora do Brasil, a Anvisa. Para pacientes com doença de mais alto risco de evolução para leucemia aguda está indicada uma droga da classe dos hipometilantes (azacitidina e decitabina), aprovados no Brasil, mas não disponíveis para pacientes no âmbito do Sistema Único de Saúde.

5.O transplante de medula óssea é procedimento essencial para o tratamento. VERDADE. A indicação para o transplante de medula óssea deve ser sempre considerada, em especial para pacientes mais jovens e com doenças classificadas como de mais alto risco de evolução para leucemia aguda.

6.O paciente precisa realizar transfusão de sangue? VERDADE. As transfusões de sangue (hemácias e plaquetas) são parte das medidas de suporte e fazem parte do tratamento de todos os pacientes. Um dos objetivos do tratamento é, além de melhorar a sobrevida, reduzir a necessidade transfusional e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.

7.Uma pessoa com SMD pode ter uma boa qualidade de vida, desde que tenha acesso ao tratamento adequado. VERDADE. Com certeza não apenas qualidade de vida, mas também maior sobrevida. O ideal é que todos os pacientes tenham acesso a um centro especializado e ao tratamento melhor indicado para seu caso, em tempo hábil para se beneficiar.

 

Saiba mais sobre a ABHH

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) é uma associação privada para fins não econômicos, de caráter científico, social e cultural. A instituição congrega médicos e demais profissionais interessados na prática hematológica e hemoterápica de todo o Brasil. Hoje, a instituição conta com mais de dois mil associados. (anadangelis@rspress.com.br)

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