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A obesidade é um dos vilões para o câncer de mama

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. Somente no Brasil os números apontam que metade da população (50%) está acima do peso. Na região Sul o índice é de 56%. O crescimento de pessoas com sobrepeso tem sido gradual com o passar das décadas. Em 1975 eram 105 milhões, passando para 641 milhões em 2014. O número maior está entre as mulheres, sendo que 23% (18 milhões) eram obesas em 2014 contra 17% (11,9 milhões) de homens.

A oncologista clínica da unidade IOP no Oncoville, Dra. Ana Cléa Santos Andrade, explica que a obesidade de maneira geral é uma grande preocupação, pois quando o indivíduo está com excesso de peso ele pode desenvolver inúmeras doenças, desde cardiopatias até o câncer.  O tecido adiposo não acumula apenas adipócitos, mas outros subtipos celulares capazes de transformar o corpo em um microambiente favorável ao aparecimento do câncer. Nas mulheres pós-menopausa, esse tecido gorduroso é capaz de produzir estrógenos numa fase de vida em que deveria ter redução da carga desse hormônio, favorecendo tumores como os de mama e o de endométrio. “A obesidade provoca inúmeras alterações no organismo e estas podem, por sua vez, afetar o prognóstico do câncer de mama. Há um aumento dos níveis de estrogênio circulante. Dentro dos adipócitos existe uma enzima denominada aromatase, que é responsável pela conversão de androstenediona em estrogênio, logo, mulheres obesas em menopausa têm uma sobrecarga de estrógeno em tecidos sensíveis a esse hormônio, como o é o tecido mamário e uterino, em uma fase de vida em que eles deviam ter seu nível diminuído, e isto se relaciona ao risco aumentado em 1,5 de câncer de mama e 3,5 de câncer de endométrio nestas mulheres”, salienta.

A obesidade se mantém como fator desfavorável também durante o tratamento e como determinante do prognóstico dos pacientes que sobreviveram ao câncer. “O tratamento da paciente obesa se torna mais complicado do que o da paciente com peso ideal, uma vez que os regimes quimioterápicos têm suas doses calculadas com base no peso e altura da paciente, e na obesa as doses mais altas incorrem em toxicidade maior, principalmente medular, por vezes atrasando ciclos e por vezes demandando ajuste para doses menores de quimioterápicos”, enfatiza a oncologista.

Invista em hábitos saudáveis

O tratamento da obesidade deve se iniciar na infância. O hábito alimentar se desenvolve nas primeiras fases de vida do ser humano, e fica mais dificil modificá-lo na vida adulta. A mudança de padrão de vida conduz ao segundo plano a busca em consumo de alimentação balanceada e mais saudável, favorecendo alimentos muito processados, com sobrecarga de alguns elementos em detrimento de outros. A modernidade nos trouxe benefícios, com facilidade de execução de tarefas, que outrora demandavam maior esforço físico e gasto de energia, e isso vem favorecendo o sedentarismo, outro aliado dentre os fatores que vêm conduzindo a humanidade à obesidade e consequentemente às suas várias doenças correlacionadas.  “Na correria, abrimos mão da alimentação e outros hábitos saudáveis, que nos trazem benefícios, e são fatores protetores para uma série de doenças. Há comprovação científica de que a atividade física regular é capaz de diminuir a recidiva de câncer de mama na ordem próxima a 50%.”

A obesidade traz diversos malefícios para a saúde. Os pacientes que sobreviveram a um câncer devem se preocupar com a balança, porque um peso elevado após o tratamento é proporcional a uma maior chance de recidiva do tumor. No entanto, é preciso buscar por alternativas corretas para o emagrecimento e não a fórmulas mágicas. O emagrecimento rápido, que não envolve a reeducação alimentar, não é o mais seguro. As dietas chamadas Detox, que estão na moda, devem ser realizadas com o acompanhamento de um especialista . O obeso mórbido, aquele em que o IMC (Índice de Massa Corporal) excede em 30, deve ser tratado por uma equipe de suporte multidisciplinar envolvendo nutrólogo, nutricionista, endocrinologista, psicológo, cirurgião e educador físico. “Existem vários tipos de cirurgia para a redução do estômago, mas ela não deve ser a solução rápida e inicial, e não está indicada para qualquer obeso. A decisão em interceder cirurgicamente deve ser tomada dentro de uma equipe multidisciplinar que acompanhe o paciente além da cirurgia, uma vez que o emagrecimento, após a mesma, também incorre em perda de capacidade absortiva de alguns nutrientes fundamentais nos anos subsequentes. Não é incomum pacientes com anemia secundária, com deficiência de ferro e vitamina B, por seguimento inadequado pós-cirurgia bariátrica”. É preciso encarar a obesidade como uma doença, de tratamento díficil, que envolve um replanejamento de hábitos, uma mudança de vida, mas com um benefício maior, que é do prolongamento dela, finaliza Dra. Ana Cléa.

Cinco dicas para manter o peso ideal e a saúde:

1 – Encare a obesidade como uma doença e procure tratamento adequado para ela;
2 – Não fume;
3 – Seja um magro saudável, evite industrializados, mantenha alimentação saudável e balanceada;
4 – Movimente seu corpo, mantenha atividades físicas regulares;
5 – Tenha um tempo do dia para você.

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