Curitiba precisa repensar infraestrutura urbanística da cidade

A imigração sempre esteve presente na história de Curitiba. Italianos, ucranianos, alemães, árabes e compõem algumas nacionalidades que fixaram residência na capital paranaense, e trouxeram consigo seus costumes e características. Aos poucos, a mistura destas origens formou a essência da cidade.

Hoje, com mais de 60 conflitos internacionais espalhados pelo mundo, muitas pessoas acabam fugindo de suas terras natais para buscar uma vida melhor em outro lugar. Os países da Europa são os que mais recebem estas populações, principalmente pela proximidade. Porém, cada vez mais, o Brasil tem começado a ser local de procura destas famílias. Assim como prevê o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que devem chegar mais de 2.700 imigrantes da Síria ao Brasil, até 2017. Além disso, o país faz parte da Convenção de Genebra, que prevê estabelecer os direitos dos indivíduos aos quais é concedido o direito de asilo bem como as responsabilidades das nações concedentes aos refugiados.

Curitiba, cidade modelo de infraestrutura e mobilidade, ainda possui um baixo número de imigrantes, se comparada às grandes cidades brasileiras. Porém, a expectativa é de que a quantidade de refugiados aumente nos próximos anos. Neste cenário, surge uma preocupação: as cidades brasileiras têm capacidade para receber imigrantes? São capazes de oferecer suporte adequado a eles?

A capital paranaense, que possui 430,9 km² de área, e pouco mais de 1,752 milhões de habitantes, segundo a prefeitura da cidade, e é considerada uma cidade modelo dentro do Brasil quando se fala em planejamento urbano, e é reconhecida mundialmente pelas soluções de urbanismo e transportes. Porém, a cidade ainda não encontra-se preparada para receber um grande volume de refugiados e imigrantes, segundo o diretor de Legislação Urbanística, da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura do Paraná (AsBEA-PR), Amir Shafa.  Para o especialista, a cidade está presenciando uma discussão sobre o plano de visão para as futuras gerações, porém, os reflexos internos e externos da imigração não foram considerados nestas analises. “Hoje podemos afirmar que a cidade ainda não está preparada para receber o impacto da migração interna, causada por eventos de origens ambientais e ou econômicas, ou para a imigração forçada, com a entrada de milhares de pessoas provenientes de regiões em conflitos”, ressalta.

Como possíveis soluções para esta questão, Shafa destaca que, para que Curitiba adapte-se para a chegada destes imigrantes, algumas medidas precisam ser empregadas na cidade. “Uma das principais ações necessárias é envolver toda sociedade, desde as universidades, ONGs, instituições e empresas, através de ferramentas contínuas de consulta pública, para realizar uma reflexão e proposições racionais, para a criação de mecanismos que estimulem o crescimento orgânico da cidade, de forma equilibrada”, finaliza o diretor.

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