Estudo apresentado no Congresso Europeu de Oncologia muda tratamento padrão de primeira linha em câncer de pulmão

Estudo publicado no New England Journal of Medicine[1] e apresentado ontem no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO), em Copenhague, na Dinamarca, comparou  o uso da imunoterapia anti PD-1 pembrolizumabe e a quimioterapia em pacientes com câncer de pulmão do tipo não pequenas células (CPNPC) avançado que tenham expressão elevada da proteína PD-L1. Os dados apontam mudanças na maneira como o tratamento inicial para esse tipo de câncer é realizado, indicando pembrolizumabe como primeira opção terapêutica nesta população, uma vez que comprova sua superioridade em relação ao atual tratamento padrão, no caso, a quimioterapia.

O câncer de pulmão é considerado o mais comum e letal entre todos os tumores malignos. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para este ano é de 30 mil novos diagnósticos no Brasil[2], sendo o de não pequenas células o mais comum – corresponde a 85% de todos os casos[3]. E, destes, 30% dos pacientes apresentam nível alto da proteína PD-L1. A importância do estudo apresentado no ESMO está, principalmente, no aumento da expectativa de vida dos pacientes tratados com pembrolizumabe em comparação aos que usaram quimioterapia. No geral, os pacientes que receberam a imunoterapia reduziram em 50% o risco de progressão da doença e em 40% a chance de morte.

O estudo em questão, chamado de Keynote-024, foi realizado em 305 pacientes que tinham uma característica particular no tumor, a presença de expressão elevada da proteína PD-L1, que corresponde à sua expressão em 50% ou mais das células tumorais, diagnosticada por análise de imunohistoquímica que consiste em uma técnica de coloração que caracteriza a expressão do PD-L1 no tumor. Essa proteína é considerada um biomarcador, pois determina aqueles pacientes que têm maiores chances de obter resultados expressivos com o tratamento das imunoterapias anti PD-1. Identificar os pacientes que apresentam maior expressão da proteína ajuda a personalizar o tratamento do câncer, oferecendo a terapia que tem maior chance de promover a melhor eficácia para populações específicas de pacientes, possibilitando também melhor alocar os recursos de tratamento.

Além do aumento da sobrevida globale da diminuição da chance de progressão de doença, outro dado relevante é o de resposta ao tratamento. Do total de pacientes tratados com pembrolizumabe, 44,8% responderam ao tratamento, sendo que no grupo tratado com quimioterapia, a taxa de resposta foi de 27,8%.

Como as respostas com pembrolizumabe foram muito superiores às da quimioterapia, em junho deste ano, o estudo foi interrompido precocemente para que o grupo de pacientes tratados com quimioterapia pudesse migrar para o tratamento com esta imunoterapia anti PD-1[4].

A maioria dos pacientes com CPNPC avançado atualmente usa como primeira linha de tratamento a quimioterapia. A terapia causa limitações, principalmente por causa da toxidade, pois os pacientes são indivíduos que já estão com a saúde muito debilitada devido aos efeitos da doença, o que diminui a adesão ao tratamento e as taxas de resposta. Com pembrolizumabe, o perfil de tolerabilidade nos estudos foi no geral favorável e manejável, tendo como eventos adversos mais comuns fadiga, coceira e erupção cutânea[5]. Eventos considerados graves podem ocorrer, porém com uma frequência bem menor quando se compara com a quimioterapia padrão, ocorrem 26,6% para os pacientes tratados com pembrolizumabe e em 53,3% com os pacientes tratados com quimioterapia.

Os avanços mais recentes para esse tipo de câncer surgiram com as terapias-alvo, contudo elas têm uso restrito a pacientes com alterações genéticas específicas (mutação do gene EGFR e translocação do gene ALK), que correspondem a apenas de 5% a 15% dos casos[6].A imunoterapia anti PD-1 vem para suprir as necessidades de uma parcela de 60,8% dos pacientes com esse tipo de tumor que são elegíveis ao tratamento por expressarem o biomarcador PD-L1, seja em primeira ou segunda linhas de tratamento[7].

Recentemente, com base nesse estudo, a agência reguladora dos EUA (FDA) aceitou o pedido de licença Suplementar Biológica do pembrolizumabe para a primeira linha de tratamento câncer de pulmão do tipo não pequenas células (CPNPC) avançado cujos tumores expressem PD-L1. Além disso, a FDA considerou pembrolizumabe comoBreakthrough Therapy na mesma indicação. A MSD apresentou, também, um pedido de autorização comercial à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para essa indicação da sua imunoterapia anti PD-1. O medicamento pembrolizumabe tem indicação aprovada no Brasil até o momento apenas para tratamento do melanoma avançado.

 

Outro estudo muito relevante publicado ontem na revista The Lancet Oncology, Keynote-021G[8], mostrou que pembrolizumabe em combinação com quimioterapia carboplatina + pemetrexede, considerada padrão atual de tratamento na primeira linha, quase dobrou (55% versus 29%) o número de pacientes que responderam ao tratamento em comparação com a terapia padrão (quimioterapia) no câncer de pulmão não escamoso de não pequenas células avançado, independente do nível do biomarcador tumoral PD-L1 nos pacientes. Além disso, a adição da imunoterapia anti PD-1 da MSD à quimioterapia reduziu significativamente em 47% o risco de morte dos pacientes comparado ao tratamento padrão de quimioterapia como terapia única.

 

Sobre o biomarcador

Um biomarcador é uma molécula ou proteína encontrada em tecidos e fluidos corporais que podem indicar se um processo está funcionando de forma habitual ou anormal, bem como a condição de uma doença. Também chamados de marcadores moleculares, ou moléculas de assinatura, eles podem ser usados para estimar a resposta potencial do corpo a um tratamento específico[9].

Alguns biomarcadores podem ser prognósticos ou indicativos da probabilidade de desenvolvimento de um tipo de câncer, como por exemplo, no caso da atriz Angelina Jolie, que tem uma mutação do gene BRCA1-BRCA2 que confere um maior risco para câncer de mama ou de ovário. Outros marcadores, conhecidos como biomarcadores preditivos, são usados para identificar grupos de pacientes com maior probabilidade de se beneficiarem de um tratamento específico, como é o caso da presença de PD-L1 nas células cancerígenas[10].

A importância de validar cada vez mais biomarcadores é crucial para identificar pacientes que podem se beneficiar de tratamentos específicos em uma gama de tipos de tumor. Na oncologia, os biomarcadores estabelecidos são: KRAS, BRAF, EGFR, ALK, HER2, PD-L1, c-MET, NRAS e o PIK3CA9.

 

Sobre o PD-L1

O PD-L1 é uma proteína expressa pelas células tumorais e indica que há, no local do órgão onde está o tumor, uma inibição das respostas imunes das células de defesa do corpo o que faz com que o sistema de defesa não ataque o tumor e, nesse sentido, ele cresce e acomete outros órgãos gerando a metástase. A imunoterapia anti PD-1 bloqueia a ligação do PD-1 (expresso nas células de defesa) com o biomarcador PD-L1 (expresso nas células tumorais) e, com isso, o sistema imune do corpo consegue identificar, atacar e combater o câncer.

 

Sobre o câncer de pulmão

Considerado o mais comum e letal entre todos os tumores malignos, o câncer de pulmão será o responsável por cerca de 30 mil novos casos da doença em 2016, no Brasil, segundo o INCA. A sobrevida média cumulativa total em cinco anos varia entre sete e 10% nos países em desenvolvimento2. A alta letalidade do câncer de pulmão acontece porque na maioria dos casos o diagnóstico é tardio, pois os sintomas são facilmente confundidos com infecções pulmonares. Os sinais mais comuns deste tipo de câncer são: tosse, com ou sem sangramento pelas vias respiratórias, falta de ar, dor no tórax ao respirar e perda de peso2.

Os tumores de pulmão são classificados em dois tipos principais: pequenas células, menos comum, e não pequenas células, mais comum, correspondendo a 85% de todos os casos2. Para este tipo o agente anti PD-1 da MSD, pembrolizumabe, apresentou resultados significativos em relação à sobrevida global e à sobrevida livre de doença.

 

Sobre MSD

A MSD é líder global na área da saúde e trabalha para ajudar o mundo a estar bem. A empresa é uma subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ. Por meio dos nossos medicamentos de prescrição, vacinas, terapias biológicas e de saúde animal, trabalhamos com clientes e operamos em mais de 140 países para oferecer soluções de saúde inovadoras. Também demonstramos nosso compromisso de melhorar o acesso aos cuidados de saúde por meio de políticas, programas e parcerias de longo alcance.

 

Sobre MSD no Brasil

Presente no Brasil desde 1952, a MSD conta com cerca de 2.300 funcionários no país, que respondem por todas as divisões globais da companhia: Saúde Humana, Saúde Animal e Pesquisa Clínica. Sua sede fica em São Paulo, e conta atualmente com seis unidades fabris, nas cidades de São Paulo, Sousas e Cruzeiro. Para mais informações, acesse www.msdonline.com.br.

<suzanne.santos@ketchum.com.br>

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