Câncer de próstata: mitos e verdades

Tumor maligno mais frequente em homens, o câncer de próstata pode ter baixo fator de risco quando descoberto na fase inicial. Porém,51% dos homens nunca consultaram um oncologista, segundo estudo realizado em 2016 pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), diante de uma estimativa de 69 mil novos casos da doença por ano. Com o intuito de alertar a população sobre a importância dos exames anuais de prevenção, o Dr. Fábio Kater, oncologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca os principais mitos e verdades sobre a doença.

 

Fique atento:

 

O câncer de próstata afeta somente homens idosos.

Mito! A idade mais comum é, realmente, a partir dos 65 anos, que representa dois terços dos casos. Mas ainda assim, um terço dos jovens pode adquirir a doença, principalmente se há histórico familiar ou se o indivíduo é da etnia negra. É importante destacar que os jovens são os pacientes que mais se beneficiam do tratamento.

 

Só há suspeita de câncer de próstata se o indivíduo está com sintomas urinários.

Mito! Segundo o Dr. Fábio Kater, oncologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, quando o câncer provoca sintomas é sinal de que a doença já está bastante avançada e de que o tratamento já deveria estar em andamento. O tumor prostático raramente dá sintomas, por isso o check-up preventivo é tão importante.

 

Todo sintoma urinário representa um câncer de próstata avançado.

Mito! Sintomas urinários também podem ser causados por hipertrofias benignas na próstata. Por isso, é importante consultar imediatamente um especialista para diagnóstico adequado, exames e acompanhamento.

 

Quando o câncer de próstata é diagnosticado precocemente, o indivíduo não necessariamente precisa fazer tratamento.

Verdade! Muitas vezes, quando o câncer de próstata é diagnosticado no início, o tratamento imediato não é necessário. O tratamento depende da idade, do tumor, da quantidade de células cancerígenas no tecido da biópsia, dos sintomas apresentados e do estado de saúde geral do paciente. O tratamento pode incluir cirurgia e radioterapia ou, em alguns casos, apenas a vigilância ativa, quando o médico monitora o paciente e se há evolução da doença.

 

O exame de PSA (antígeno prostático específico) é 100% correto.

Verdade! Mas ainda assim o exame de toque pode dobrar a chance de detecção do câncer, porque a doença em estado inicial pode não ser detectada no exame de PSA.

 

Todo homem deve fazer o exame de toque retal.

Verdade! Ele é essencial para diagnosticar a doença em estágio inicial, garantindo o tratamento precoce e aumentando as chances de cura sem sequelas e complicações.

 

O exame de toque retal é dolorido.

Mito! Porém, quanto mais tenso o paciente estiver antes do exame, mais incômoda pode ser a sensação.

 

Mesmo sem indício de câncer, é preciso fazer os exames anualmente.

Verdade! É indicado manter uma regularidade principalmente a partir dos 45 anos. A junção do exame de PSA e do toque retal aumenta muito as chances de um diagnóstico precoce e, consequentemente, de cura.

 

Um nódulo na próstata é necessariamente um câncer.

Mito! Precisa ser investigado por meio de exames e da biópsia, mas pode ser um tumor benigno, que não necessariamente representa um câncer.

 

Obesidade aumenta o risco de desenvolver o câncer de próstata.

Verdade! Estudos recentes comprovaram que a obesidade pode estar relacionada ao câncer de próstata por conta do aumento de níveis hormonais. Essa associação pode ser evitada por meio do controle de peso e da prática de exercícios físicos.

 

Câncer de próstata tem cura.

Verdade! A maior parte dos pacientes são curados, dependendo do tratamento e do estágio da doença. A cada seis pacientes, cinco não terão complicações.

 

O tratamento de câncer de próstata deixa sequelas.

Mito! As técnicas da radioterapia e da cirurgia se modernizaram muito, o que tem diminuído os casos de sequela nos pacientes pós-tratamento. Pode acontecer, mas não é uma regra e a incidência é muito baixa.

 

O câncer de próstata acabará com a minha vida sexual.

Mito! Atualmente, a tecnologia moderna utilizada nos tratamentos definitivos diminui as chances de causar sequelas no paciente. Nos tratamentos hormonais, a atividade sexual pode diminuir, mas não para sempre.

 

A vasectomia causa câncer de próstata.

Mito! Estudos recentes comprovam essa relação não existe.

 

Se o câncer de próstata voltar após o tratamento, significa que não haverá cura.

Verdade! Mas isso não deve ser uma sentença de morte sem luta. Muitas vezes, uma nova abordagem de tratamento deva ser iniciada, como a terapia hormonal ou algumas formas de terapia combinadas. O controle é fundamental, porque o câncer de próstata é uma doença crônica passiva de controle com radioterapia, visitas ao especialista, estudos sempre novos.

 

O câncer de próstata se inicia da mesma forma em todos os pacientes.

Mito! A doença se manifesta de diferentes formas, proporções, tamanhos e intensidades em cada indivíduo. Existem estratégias e ferramentas, como PSA no sangue, biópsia, cirurgia, entre outras, para avaliar o estágio que o paciente se encontra e as chances de a doença voltar.

 

Sobre a Beneficência Portuguesa de São Paulo

A maior unidade hospitalar da instituição, localizada no bairro da Bela Vista, possui 105 mil m² divididos em 5 blocos, 810 leitos, sendo 186 leitos de UTI e 23 salas cirúrgicas. Possui Pronto-Socorro equipado com 30 leitos de observação, 6 leitos de UTI, 5 leitos de isolamento e 68 médicos dedicados, com capacidade para atender mais de 10 mil pessoas ao mês. Além disso, o hospital conta com um corpo clínico renomado dividido em mais 50 especialidades, com destaque para a Cardiologia, Neurologia, Ortopedia e Oncologia e recebe anualmente mais de 1,8 milhão de pacientes. <carolina.rossettini@mslgroup.com>

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.