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Donald Trump versus 44 presidentes norte-americanos e o problema do “miscomunication”

Por José Roberto Securato Junior *

Eu admito: não sei do que esperar do governo Trump. Aliás, o senhor Donald Trump assumiu o posto de 45º presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro e eu estava em Nova York, vivendo um pouco da ansiedade, da tensão e do conflito. Ainda estou estupefato (ainda se usa essa palavra?) com o “miscomunication“, normalmente traduzido como “falha de comunicação”, mas, deveria ser traduzido como “comunicação enganosa” (não importa se intencional ou não) em torno do assunto.

Somos mal informados pela imprensa. Acabei de ler um artigo inspirador escrito por Rodrigo Constantino – Imprensa progressista, o câncer do Brasil – que explora a maneira tendenciosa como alguns veículos de imprensa brasileiros noticiam a presidência sob o comando de Trump. A meu ver, Constantino foi infeliz ao generalizar a classe de jornalistas, pois muitos deles são pensantes e competentes e também preocupados com uma análise séria e isenta de propaganda partidária. Mas, infelizmente, concordo que precisamos mais destes últimos.

Somos muito mal informados pelas redes sociais. Isto sim é um câncer. Qualquer coisa pode virar notícia, sem compromisso com a verdade. Se “viralizar”, então, praticamente “vira verdade”. Hoje, com as mídias sociais, qualquer um virou jornalista e se sente no direito – e alguns no dever – de noticiar. E com o “ao vivo” do Facebook, este fenômeno ficou ainda mais perigoso.

Quando há discussão é muito simples: se você não concorda, não participe. Um monte de gente fica discutindo um assunto sobre o qual concorda, apresentando argumento em cima de argumento sem ninguém para refutá-los. Coitado do diabo, que ficou sem advogado. Coitado mesmo daquele que se dispor a apresentar uma argumentação contrária à da maioria – será agredido, hostilizado, humilhado. Vergonha alheia.

Agora podemos nos “miscomunicar” ao vivo. Podemos transmitir vídeos para o mundo, em tempo real, diretamente dos nossos celulares – incrível, não? Enquanto o fazemos, quem assiste se manifesta, pode fazer comentários, ‘joinha’, coração, carinha com raiva… A posse do senhor Presidente Trump foi transmitida ao vivo pelo Facebook, mais de 140 mil pessoas acompanharam, comentaram, se expressaram. Incrível! É interagir com a sua TV, é interagir com o “Jornal Nacional”. Finalmente, você vai poder falar boa noite no final do programa e alguém vai ouvir.

Críticas versus fatos 1: “O discurso de Trump não foi um discurso de estadista, parecia que estava em campanha”. O charme dele é justamente este: o novo presidente não é um político treinado, esperem dele coisas diferentes dos últimos 44 presidentes norte-americanos. Algumas coisas serão piores, mas espero que outras sejam melhores e possam inspirar alguns líderes no mundo.

Críticas versus fatos 2: “Trump é um palhaço”. Não faço a menor ideia, parece que ele não leva as coisas tão a sério e não tem consistência. Ou talvez ele seja só um cara de pau pragmático que faz o que precisa para conseguir o que quer. (Ops, isso gera outros problemas, não?).

Críticas versus fatos 3: “A escolha da (milionária) Betsy DeVos para a assumir a Secretaria de Educação foi um mau começo”. E isso foi mesmo. A sabatina dela no Senado foi uma piada e vou ficar muito surpreso se ela passar. Ela não tem preparo para ser representante das mães do ano na escola da minha filha. Vergonha alheia! Um adendo: ela deu US$ 200 milhões para a campanha de Donald Trump. E, aí, eu pergunto: será que ele não estaria sendo dissimulado em nomeá-la para, depois, o Senado reprová-la? E isso eu aprendi na terra do Tio Sam: para que fazer o trabalho sujo se alguém pode fazê-lo por você?

O governo Trump não será tão ruim como muitos pregam. E não será TÃO RUIM por duas razões: I) não há uma análise isenta, imparcial, racional do que este governo fará ou deixará de fazer, e a imprensa/público se apega demais no personagem; II) a máquina dos Estados Unidos funciona e imporá limites às loucuras do senhor Presidente Trump e equipe. Por exemplo: não tenho dúvidas de que, se a Sra. Betsy, de fato, assumir a Secretaria de Educação, ela não vai mandar em nada, pois não entende nada. Mas, ela terá os melhores assistentes para, assim, fazer o melhor trabalho (e, claro, ganhar dinheiro com a máquina do estado e com os vouchers. Afinal, algumas coisas são iguais seja qual for o lugar).

*José Roberto Securato Junior é Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) e diretor da Saint Paul Advisors

www.ibevar.org.br

www.saintpaul.com.br/advisors

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