Câncer de colo do útero tem 95% de cura em estágios iniciais

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a cada ano mais de 530 mil novos casos de câncer do colo do útero ocorrem no mundo e 16 mil somente em mulheres brasileiras, sendo o quarto tumor feminino mais comum e o primeiro câncer ginecológico com a maior incidência no Brasil. A faixa etária mais comum para o surgimento do tumor é entre os 40 e 50 anos, mas a partir do início da vida sexualmente ativa as mulheres já podem desenvolver o tumor. Existem casos em mulheres com menos de 30 anos, mas são incomuns.

O cirurgião oncológico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dr. Reitan Ribeiro, explica que cerca de 90% dos casos diagnosticados estão relacionados com o Papilomavírus Humano (HPV) e por esse motivo é fundamental manter os exames preventivos em dia, como o Papanicolau, que geralmente é realizado durante o exame ginecológico e consiste na análise microscópica de células do útero obtidas por meio de uma leve raspagem. “A maioria das pacientes não apresenta sintomas, pois o vírus do HPV demora muitos anos para desenvolver o câncer. O que acontece é que na maioria dos casos conseguimos detectar as alterações celulares nos exames preventivos, antes de virar câncer, pois já conhecemos as alterações que acontecem antes do desenvolvimento do tumor. O exame preventivo é muito eficiente para diminuir a incidência de câncer, pois pegamos lesões pré-malignas.”

A vacina contra o HPV é a melhor forma de prevenção

Para ajudar no combate ao HPV, há dois anos o Ministério da Saúde implementou no calendário nacional de vacinação a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos de idade, protegendo contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, sendo os dois primeiros responsáveis por verrugas genitais e os dois últimos causadores de cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. “É importante lembrar que a vacinação e o exame preventivo se completam na prevenção contra o câncer. No entanto, as mulheres devem continuar se protegendo durante as relações sexuais, pois a vacina não vai impedir que contraiam outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como o HIV ou a sífilis”, ressalta Dr. Reitan.

Já em 2017, os meninos de 12 e 13 anos também começam a ser vacinados contra o vírus do HPV – lembrando sempre que a transmissão do HPV é via sexual, por isso a importância de se vacinar também os meninos. A idade escolhida para a vacinação, tanto para ambos os sexos, deve-se ao fato de se ter maior resposta imunológica para com a vacina. As meninas entre 9 e 13 anos e os meninos com 12 e 13 desenvolvem uma imunidade mais potente quando são vacinados durante esta faixa etária, além de ser um período que antecede o início da vida sexual. “Fora do programa de vacinação do Ministério da Saúde as pessoas com mais de 13 anos também podem ser vacinadas, chegando em alguns casos a se vacinar indivíduos de até 40 anos de idade, principalmente quando possuem mais de um parceiro. Porém, quando a pessoa já está contaminada pelo vírus, a vacina não terá efeito contra aquele tipo de vírus que ela já contraiu.”

Tratamento para casos iniciais é menos invasivo

A forma de tratamento do câncer de colo uterino vai depender do estágio em que a doença se encontra, tamanho do tumor e fatores pessoais, como a idade da paciente. Quando diagnosticado em fases iniciais as pacientes passam somente por cirurgia, se for um tumor avançado será necessário utilizar a quimioterapia e radioterapia. “Por essa razão, mais uma vez é importante a conscientização sobre a prevenção desse tipo de neoplasia, pois a taxa de cura em estágios iniciais pode chegar a 95%, quando diagnosticado tardiamente a taxa cai para 50% a 70% em cinco anos.”

Nos últimos anos as cirurgias minimamente invasivas viraram rotina no tratamento do câncer ginecológico, uma vez que as taxas de complicações são menores, além de proporcionar para a paciente uma recuperação mais rápida e reduzir pela metade o tempo de internação. “A cirurgia por laparoscopia ou a robótica veio para trazer benefícios para as mulheres, além de oferecer menos riscos, a paciente poderá voltar a realizar suas atividades diárias mais rapidamente. Por exemplo, um dia depois da cirurgia já consegue caminhar sem dificuldades e depois de 15 a 30 dias já pode realizar atividades físicas, enquanto na cirurgia tradicional a paciente demora quase dois meses para conseguir se recuperar na totalidade”, aponta o cirurgião.

A mulher que passa pelo tratamento de câncer de colo do útero consegue ter uma vida normal depois de tratada, mas precisa manter o acompanhamento médico onde serão realizados exames de revisão. Inicialmente a cada três meses e, posteriormente, passa a realizar exames semestrais e então anuais. Apesar de vermos atualmente os avanços cirúrgicos, é importante que a população fique consciente sobre as formas de prevenção.

SOBRE O IOP

Localizado em Curitiba, o Instituto de Oncologia do Paraná possui quatro unidades de atendimento na cidade, onde são oferecidas consultas médicas, aplicação ambulatorial de quimioterápicos (Matriz e unidade Oncoville) e de medicamentos de suporte e atendimento às intercorrências. O IOP possui mais de duas décadas de prática e experiência em oncologia, que se somam à qualidade de seu corpo clínico, hoje composto por mais de 60 médicos,  além de contar com uma equipe multiprofissional e integrada. Além disso, seu Centro de Pesquisas Clínicas faz parte de um grupo seleto de centros reconhecidos mundialmente por contribuir para o avanço da oncologia e possui grande destaque no cenário nacional. No Centro de Pesquisas são realizados estudos envolvendo medicamentos para o tratamento dos mais variados tipos de câncer.

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