Dos homens que passam pela cirurgia de câncer de próstata, cerca de 50% podem ter algum grau de incontinência urinária

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, é difícil mensurar a quantidade de pessoas que têm algum grau de incontinência – condição relacionada à perda involuntária de urina – porque muitos homens e mulheres têm vergonha de falar sobre o assunto ou ainda acham que não existe tratamento efetivo.

Porém, estima-se que, no mundo, 200 milhões de pessoas tenham algum grau de incontinência e, no Brasil, há cerca de 10 milhões de incontinentes. A incontinência é conhecida, inclusive, como “câncer social”, por causar, na maioria dos casos, constrangimento e isolamento, o que pode levar à depressão.

“É importante falar sobre o assunto porque a incontinência precisa ser diagnosticada e tratada. Havia um mito, por exemplo, de que é normal a idosa perder urina. Não é normal e hoje em dia há muitas opções que ajudam as pessoas a recuperar a qualidade de vida que tinham antes”, explica o especialista Gustavo Wanderley, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de Pernambuco. No caso dos homens, por exemplo, uma das opções de tratamento, segundo Wanderley, é o implante do esfíncter artificial. O índice de satisfação dos pacientes que passam pela cirurgia é muito alto: 92% têm bons resultados e mais qualidade de vida.

Câncer, incontinência e tratamentos     

A principal causa de incontinência nos homens é a cirurgia na próstata, principalmente a de câncer porque pode afetar o funcionamento do esfíncter – músculo responsável pelo controle da urina.   “Dos homens que passam por uma cirurgia de câncer de próstata, cerca de 50% podem ter algum grau de incontinência urinária e em torno de 4% a 6% dos casos pode ser necessária alguma forma de tratamento”, conta o urologista.

No Brasil existem duas alternativas principais para o tratamento da incontinência urinária causada pelo enfraquecimento do esfíncter no homem: a implantação de um esfíncter artificial – como já foi mencionado – ou as cirurgias de Sling, que consistem na colocação de uma faixa sob a uretra de modo a comprimi-la.

Os slings são usados para tratar incontinência urinária em casos leves e moderados e o esfíncter artificial, nos casos de incontinência moderada à grave. “O esfíncter é um mecanismo simples de manuseio. Eu costumo explicar para os meus pacientes que é uma espécie de bombinha implantada dentro do saco escrotal, internamente, que o paciente aperta para abrir quando tem vontade de urinar e que fecha automaticamente. O paciente tem total controle sobre o equipamento”, explica Wanderley.  <marilia.noar@comuniquese2.com.br>

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