Geriatra do HCor alerta para os riscos dos engasgos recorrentes

Pouca gente ouviu falar, mas esta condição é mais comum do que se imagina, e pode ocorrer em diferentes fases da vida. Trata-se da disfagia – dificuldade para engolir alimentos ou líquidos que, em alguns casos, está associada a presença de tosse e engasgos. Por comprometer a deglutição, o distúrbio pode levar a quadros de desnutrição, desidratação, perda significativa de peso e até mesmo infecções respiratórias, como pneumonia pela entrada de alimento no pulmão.

O processo natural da mastigação envolve diversas etapas neuromotoras, comandadas pelo cérebro de maneira autônoma. Algumas funções podem ser prejudicadas por distrofias musculares, cânceres e doenças neurológicas, como derrames, traumas no crânio e doenças degenerativas, por exemplo. Engasgos recorrentes, tosse, dificuldade para engolir, demora no tempo da refeição, rouquidão após as refeições, falta de ar e de apetite são alguns dos sinais que muitas vezes passam despercebidos na hora da alimentação, porém podem indicar muito mais do que pequenos incômodos banais.

“Esse quadro não significa propriamente uma doença, mas, sim, um sintoma de que alguma alteração pode estar ocorrendo no organismo. Se negligenciada, esta condição pode levar a complicações sérias de saúde, devido ao déficit de nutrientes importantes ao organismo”, alerta Patrícia Amante, geriatra do HCor – Hospital do Coração de São Paulo.

Deficiência nutricional
Aos primeiros sinais do incômodo, é normal que o idoso deixe de comer determinados alimentos mais duros, como as carnes ou mais fibrosos, como produtos integrais, verduras e legumes crus. Isso resulta em menor oferta de proteínas, carboidratos complexos, fibras e outras vitaminas essenciais para manutenção da massa muscular, da energia e do funcionamento de órgãos essenciais como o intestino. “As maiores preocupações são a desnutrição e a desidratação, decorrentes das mudanças alimentares. Pacientes disfágicos precisam de uma dieta adaptada para evitar possíveis complicações”, recomenda a geriatra.

Com orientação médica, que avaliará o grau da disfagia do paciente, é possível adequar os nutrientes necessários, de acordo com a consistência ideal dos alimentos, para evitar complicações. O tratamento, segundo explica Dra. Patrícia, também inclui exercícios, realizados por um fonoaudiólogo, para melhorar a deglutição.

Como reconhecer a disfagia
· Dificuldade de mastigar, preparar e manter o alimento dentro da boca;
· Sensação de alimento parado na garganta;
· Demora no tempo de refeição;
· Tosse durante ou após a refeição;
· Voz alterada com sensação de líquido ou rouquidão;
· Engasgos constantes;
· Falta de ar iniciada durante a refeição;
· Perda significativa de peso.

 

acacia@targetsp.com.br

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