O estresse e sua influência na educação de crianças e jovens

Termo inicialmente utilizado apenas em Engenharia, “stress” significava tensão, esforço, estiramento, normalmente resultante de uma força aplicada a qualquer corpo, mas hoje tem uso bastante comum no campo da Psicologia, de início definindo as circunstâncias ambientais adversas que provocavam reações físicas em animais expostos a práticas laboratoriais; e também agora aplicáveis aos seres humanos.

Bastante pesquisado na população adulta, para determinar suas consequências no organismo, tanto no plano físico quanto psíquico, mas pouco estudada na população infantil e adolescente, tem nesta fase da vida confirmações de seus impactos na capacidade de aprendizagem e convivência social.

É no início do desenvolvimento cognitivo que a inadaptação social ou emocional se apresentam com mais intensidade, com probabilidade de perdurarem por muito tempo, ou até de não serem sanadas; entretanto situações potencialmente capazes de provocar prostrações ou agitações necessitam estudo em suas muitas dimensões, algumas delas funcionando como estopim de psicopatologias severas.

Sobre o estresse infantil temos ainda muito mais questionamentos do que respostas comprovadas, mas alguns fatores são agravantes, como conflitos familiares, dificuldades financeiras, atritos com colegas por características pessoais que não podem ser alteradas, como a etnia ou deficiências de várias ordens.

O estresse pode ser acarretado inclusive por desastres ambientais, crianças e jovens submetidas às sequelas de terremotos, inundações ou outros desastres de grande monta necessitam cuidados especiais do sistema educativo para que voltem a se sentir seguras o suficiente para dedicar-se aos estudos, até porque na maior parte das vezes destes eventos resultam mudanças econômicas e pessoais de imenso impacto.

No entanto, muitas vezes é no próprio cotidiano que situações traumáticas e crises podem ocorrer, necessitando um reajuste de conduta à qual o jovem não consegue responder. A morte de pais, avós, ou mesmo uma mudança de cidade ou até de colégio podem ser detonadores, são eventuais porém não menos estressantes, a depender da personalidade dos envolvidos; sofrer bullying, demonstrações de racismo, de sexismo, algumas doenças exigindo intervenções cirúrgicas ou hospitalizações, ou mesmo marcas exteriores que podem ativar preconceitos.

Acontecimentos menores podem eventualmente ser mais relevantes na provocação de um processo depressivo, a contínua exposição aos conflitos entre pares ou mesmo com professores, a competição excessiva entre irmãos, o desinteresse de alguns pais que é claramente percebido por seus filhos, fazem da criança um ser mais vulnerável e sujeito a manifestar problemas psicológicos.

As respostas a estes estímulos podem manifestar-se num conjunto de reações, das fisiológicas às psíquicas, de caráter generalizado, ou seja, afetando todo o organismo, ou inespecífica, mais difícil de ser detectada por não especialistas, algumas delas produzindo, ao longo do tempo, danos permanentes. Tensão, ansiedades, desassossego, irritação, medo – às vezes completamente injustificados – e mesmo sintomas como tremores, paralisias, perda de cabelo, tiques nervosos, gagueira, alterações digestivas.

Todas representam formas do indivíduo evitar um problema com que se depara, e correspondem ao instinto existente em qualquer animal, de lutar ou fugir das situações potencialmente perigosas, as quais podem afetar seu bem-estar ou mesmo continuidade da vida.

Aprender é assim uma soma de fatores, que envolvem não apenas a própria instituição de ensino, mas a família e até mesmo o meio ambiente, a este último somado o cuidado e atitudes preventivas de desastres dos dirigentes governamentais; educação é ato solidário entre muitos atores.

 

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

 

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