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Passada a folia quem se responsabiliza?

 

*João Tancredo

Na contramão da crise, os desfiles do Grupo Especial no Rio tiveram neste ano, o maior custo de todos os tempos, algo em torno de R$ 100 milhões, quase 30% a mais que 2016. Mas não foi só esse o recorde atingido. Os acidentes foram os maiores e mais graves da história do sambódromo, com mais de 20 vítimas. Resta saber agora quem, no meio de tantos milhões, plumas e paetês, irá arcar com os prejuízos morais e materiais dessas pessoas.

Muitos especialistas e carnavalescos comentaram o gigantismo que se tornou o carnaval, com alegorias imensas e de engenhoso funcionamento. De outro lado, observa-se que a fiscalização e a profissionalização das escolas não acompanharam o desenvolvimento, excessivo na visão de muitos, da festa. O resultado não poderia ser outro: uma tragédia sem precedentes e, embora algumas vítimas ainda estejam internadas em estado grave, felizmente não houve óbitos.

Ainda que os números não sejam precisos, é sabido que cada escola recebe notáveis cifras em um pacotão que envolve investimentos da Prefeitura, Governo do Estado, Liesa, e patrocinadores, incluindo o direito de transmissão de TV. Dessa forma, não há dúvidas de que há plenas condições para que os danos causados sejam reparados de forma digna e, espera-se, sem que haja necessidade de grandes enfrentamentos.

Por falar em dignidade, justo seria que o mesmo esforço do governo, agremiações e iniciativa privada para a realização do evento fosse direcionado agora para os cuidados às vítimas e para repensar as formas de fiscalização, garantindo a segurança dos foliões e trabalhadores. Entretanto, sabemos que normalmente o caminho do respeito e solidariedade não é o tomado proativamente pelos governos e empresas. Portanto, mesmo que pelas vias judiciais, não há dúvidas, nesse caso, de que as vítimas têm o direito de ver os danos impostos a elas devidamente reparados. Em 2003, por exemplo, a atriz Neuza Borges sofreu uma queda no desfile da Unidos da Tijuca, processou a escola e foi indenizada.

Dessa forma, para que não se atravesse o samba, torcemos para que os responsáveis, incluindo o Poder Público, adotem uma postura preventiva e que as agremiações, optando por esse modelo de alegorias complexas, não economizem na contratação de profissionais especializados. É certo que o show tem que continuar, mas com segurança e dignidade.

*Advogado

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